O mercado de ações brasileiro vem passando por um período de forte volatilidade, e alguns papéis sofreram quedas acentuadas nos últimos trimestres. No entanto, analistas da Capitalismo apontam que parte dessas desvalorizações pode ser exagerada, criando oportunidades de compra em empresas com bons fundamentos, crescimento consistente e histórico de rentabilidade. Entre as favoritas estão Randon (RAPT4), São Martinho (SMTO3), Jalles Machado (JALL3), Brisanet (BRIT3) e BB Seguridade (BBSE3).
Randon: ciclo de crescimento e gestão sólida
A Randon é um dos destaques entre as ações industriais com forte histórico de expansão. Nos últimos dez anos, a empresa cresceu de forma orgânica e por meio de aquisições, como a Fras-le. Mesmo com aumento no endividamento e margens menores em comparação a pares como a Marcopolo, a companhia segue apresentando resultados operacionais robustos.
Apesar disso, as ações acumulam queda superior a 53% desde abril de 2024, movimento considerado desproporcional frente à solidez da empresa e sua capacidade de entregar valor no longo prazo.
São Martinho e Jalles Machado: açúcar e etanol em baixa, mas com potencial
No setor sucroenergético, as ações de São Martinho e Jalles Machado também chamam atenção. Ambas vêm sofrendo com a fase negativa do ciclo das commodities, mas seguem mostrando desempenho financeiro consistente.
A São Martinho acumula queda de quase 70% desde 2022, mesmo registrando lucros e mantendo boa gestão operacional. Já a Jalles Machado, além de também enfrentar a pressão do mercado de açúcar e álcool, conta com um diferencial competitivo: uma fatia relevante da receita vem do açúcar orgânico, com forte demanda na Europa e nos Estados Unidos.
O fluxo de caixa da companhia, que estava negativo, voltou ao campo positivo, e analistas destacam o potencial de distribuição de dividendos quando o ciclo voltar a favorecer o setor.
Brisanet: crescimento estável e possível alvo de consolidação
A Brisanet, empresa do setor de telecomunicações, também aparece entre as oportunidades. As ações caíram cerca de 40% desde maio de 2024, mesmo com resultados operacionais em alta e geração de caixa crescente.
A companhia vem ampliando sua base de assinantes e mantendo margens consistentes, com destaque para o EBITDA em expansão. Segundo analistas, o setor pode passar por um processo de consolidação, o que favoreceria empresas menores, como Brisanet e Unifique, que podem ser adquiridas por grandes grupos.
BB Seguridade: exagero na correlação com Banco do Brasil
Entre as blue chips, a BB Seguridade também é citada como um dos maiores exageros de queda do mercado recente. O papel recuou 21% desde maio de 2025, puxado por temores relacionados aos resultados do Banco do Brasil e ao setor de agronegócio.
Entretanto, a empresa segue com ROE elevado, lucros previsíveis e sólida geração de caixa, além de ser uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa. Mesmo em um cenário de redução dos juros, analistas afirmam que a BB Seguridade tende a compensar com maior volume de vendas e expansão comercial.
Hora de olhar para os exageros
Com quedas entre 20% e 70%, essas cinco ações apresentam fundamentos robustos, gestão eficiente e potencial de valorização nos próximos trimestres. O cenário de juros elevados e pessimismo setorial abre espaço para investidores de médio e longo prazo identificarem oportunidades em empresas descontadas — especialmente aquelas com histórico de crescimento e boa distribuição de dividendos.
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