No segundo trimestre, a Cogna apresentou crescimento de 14,2% na receita, impulsionado pelo desempenho do ensino básico — responsável por 49% da receita e 45% do EBITDA da companhia. No entanto, as despesas financeiras decorrentes das aquisições e a redução na base de alunos do ensino superior resultaram em queda acentuada no lucro líquido.
O aumento dos custos operacionais, próximo de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, também contribuiu para o encolhimento das margens. Ainda assim, a empresa vem mostrando avanços operacionais nas subsidiárias adquiridas, especialmente na integração e melhoria de eficiência do grupo Somos.
Estratégia digital e foco em eficiência
A Cogna aposta fortemente na digitalização e na expansão do ensino a distância (EAD) como forma de aumentar a rentabilidade e reduzir despesas fixas. O modelo híbrido, que combina polos presenciais com plataformas digitais, é uma das frentes mais rentáveis da empresa e deve seguir sendo prioridade nos próximos trimestres.
Além disso, o grupo tem buscado racionalizar sua estrutura, reduzir custos administrativos e otimizar as operações das controladas Kroton e Saber, focadas respectivamente no ensino superior e básico.
Comparativo com Yduqs: concorrente mais eficiente
Em comparação direta com a Yduqs (antiga Estácio), a Cogna apresenta múltiplos menos atrativos e maior alavancagem. Enquanto a Yduqs possui ROE de 21%, dívida líquida equivalente a 1,1x EBITDA e dividend yield de 6,7%, a Cogna mantém ROE de 2% e dívida cerca de quatro vezes maior.
A Yduqs, além de mais ajustada financeiramente, mantém margens operacionais consistentes entre 16% e 25%, enquanto a Cogna ainda tenta retomar patamares semelhantes aos de 2013, seu melhor ano em rentabilidade.
Perspectivas: recuperação gradual e desafios no horizonte
O setor de educação privada enfrenta desafios estruturais, como menor captação de alunos e aumento da inadimplência, o que pressiona o desempenho das companhias listadas. Para a Cogna, o foco em diversificação e digitalização é essencial para garantir sustentabilidade financeira no médio prazo.
Apesar de o endividamento elevado limitar a distribuição de dividendos e novos investimentos, o avanço do segmento de educação básica e as sinergias operacionais podem contribuir para uma recuperação gradual a partir de 2026, segundo analistas de mercado.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






