O fundo imobiliário KNSC11 vem chamando atenção dos investidores após divulgar o relatório de agosto de 2025, considerado o pior mês de receita do ano. Cotado a R$ 8,67 em 15 de setembro, o fundo apresenta P/VP em 1,0, ou seja, negociando em seu preço justo.
Em termos de dividendos, o desempenho recente mostrou oscilações:
Julho: R$ 0,09 por cota
Agosto: R$ 0,10 por cota
Setembro: recuo para R$ 0,09 por cota
O pagamento mais recente ocorreu em 11 de setembro. Na prática, a rentabilidade mensal está em 1,04% ao mês (13,22% ao ano), um resultado levemente superior a um CDB de 100% do CDI, que rende 12,66% ao ano líquido.
O impacto do relatório de agosto
O patrimônio líquido do fundo é de R$ 1,77 bilhão, com mais de 225 mil cotistas e liquidez diária média de R$ 5 milhões. Apesar da robustez, o relatório revelou sinais de alerta:
Receita líquida: R$ 19,9 milhões – menor resultado desde janeiro de 2025.
Resultado por cota: R$ 0,08, abaixo dos R$ 0,09 distribuídos, obrigando o uso de reservas.
Reservas acumuladas: equivalentes a um mês de distribuição, o que dá fôlego de curto prazo, mas não elimina riscos.
O principal fator de pressão é a queda do IPCA, já que cerca de 57% da carteira está atrelada à inflação. Com deflação em agosto, os rendimentos tendem a cair ainda mais nos próximos meses.
Estrutura da carteira
O KNSC11 é um fundo de papel, com alocação majoritária em CRIs.
Indexadores:
IPCA +10,58%: 56,7% da carteira
CDI +3,19%: 42% da carteira
Diversificação setorial: escritórios (24%), residencial (19,6%), logística (18,8%), shoppings (10,3%) e outros (8,9%).
Alavancagem: cerca de 11% do patrimônio líquido.
Apesar da diversificação, a dependência do IPCA aumenta a sensibilidade do fundo em cenários de queda da inflação.
Comparação com renda fixa
Em simulação de longo prazo, considerando investimento de R$ 10 mil:
10 anos: KNSC11 R$ 46,9 mil vs. CDB R$ 33 mil
20 anos: KNSC11 R$ 119 mil vs. CDB R$ 108 mil
Mesmo em empate técnico na rentabilidade anual, o efeito dos juros compostos favorece o fundo no longo prazo.
Riscos e perspectivas
A tendência de queda nos dividendos preocupa investidores. A deflação de agosto já mostrou impactos imediatos e a expectativa de redução da Selic pode pressionar ainda mais fundos de papel.
Enquanto isso, fundos de tijolo, hoje descontados, podem se valorizar com juros mais baixos. Nesse cenário, o KNSC11 pode enfrentar desvalorização de cotas caso a distribuição mensal siga em queda.
O KNSC11 continua sendo um fundo grande, líquido e consistente, mas o relatório de agosto acende um sinal amarelo. Com a inflação em queda e reservas limitadas, investidores devem acompanhar de perto os próximos meses.
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