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Início » Últimas Notícias » Tesouro Direto oferece IPCA+ 8,05% e atinge maior juro real em quase 10 anos
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Tesouro Direto oferece IPCA+ 8,05% e atinge maior juro real em quase 10 anos

Com juros acima de 8% acima da inflação, o Tesouro Direto volta a atrair investidores e marca uma das melhores janelas de rendimento real dos últimos anos
André CarvalhoPor André Carvalho29 de outubro de 20254 minutos lidos
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Tesouro Direto
Tesouro Direto

Os títulos do Tesouro Direto voltaram a chamar a atenção dos investidores. O Tesouro IPCA+ 2029 está pagando IPCA + 8,05% ao ano, o maior juro real da década. Recentemente, essa taxa chegou a 8,09%, refletindo um cenário de aversão global ao risco, incertezas fiscais no Brasil e tensões geopolíticas no exterior.

Com a alta, os títulos de prazos mais longos, como Tesouro IPCA+ 2040 e Tesouro IPCA+ 2050, também registraram aumento expressivo nas taxas. No entanto, essa elevação impactou os preços de quem já possuía esses papéis em carteira, devido à marcação a mercado, que faz o preço cair quando os juros sobem.

Por que as taxas do Tesouro IPCA+ subiram tanto?

A escalada dos juros reais tem explicações em fatores externos e internos.

O primeiro é a aversão a risco global. Em momentos de incerteza, investidores buscam segurança em títulos de países desenvolvidos, especialmente os papéis do Tesouro dos Estados Unidos, considerados os mais seguros do mundo. Isso pressiona os rendimentos de mercados emergentes como o Brasil.

O segundo fator é o aumento das tensões geopolíticas e comerciais, incluindo as ameaças de novas tarifas entre as maiores economias do mundo. Esse cenário torna os investidores mais cautelosos, elevando o prêmio exigido para aplicar em ativos de maior risco.

Por fim, o quadro fiscal brasileiro também influencia. O governo enfrenta desconfiança quanto à capacidade de controle de gastos e equilíbrio das contas públicas. O ministro da Fazenda deve apresentar novas medidas de compensação após o arquivamento da MP 1303, o que mantém o mercado em alerta.

Essa combinação fez o juro real de longo prazo ultrapassar 6%, impulsionando o dólar e derrubando o Ibovespa, enquanto reforça a atratividade da renda fixa.

IPCA+ 2029 ou 2040: qual rende mais?

Embora o Tesouro IPCA+ 2029 apresente o rendimento nominal mais alto (IPCA + 8,05%), isso não significa necessariamente que ele é o mais rentável no fim das contas. Considerando uma inflação média de 5,7% e a tributação de 15%, o retorno líquido seria de cerca de 6,35% ao ano.

Já o Tesouro IPCA+ 2040, com taxa de 7,44% e prazo de 15 anos, pode render 6,46% líquidos ao ano, superando o de prazo menor. O motivo é o efeito do tempo sobre os juros compostos e a redução gradual da alíquota de imposto de renda ao longo dos anos.

Entenda a marcação a mercado

A marcação a mercado é um dos principais fatores que explicam a oscilação de preços dos títulos públicos. Quando as taxas sobem, o valor do título cai; quando as taxas caem, o preço sobe.

Quem comprou o Tesouro IPCA+ antes da alta pode ver o valor do investimento recuar no curto prazo. Porém, quem segura o título até o vencimento recebe exatamente o rendimento contratado, independentemente dessas variações intermediárias.

É o melhor momento para investir?

Especialistas consideram que o atual patamar é um dos melhores da década para quem busca proteção contra a inflação e rendimento real elevado. Com as taxas em níveis historicamente altos, o Tesouro IPCA+ se torna uma das opções mais atrativas da renda fixa.

Caso o cenário fiscal e político melhore nos próximos meses, as taxas tendem a cair — o que pode gerar valorização para quem comprar agora. Por outro lado, o investimento em títulos longos exige perfil paciente e visão de longo prazo, já que o preço pode oscilar significativamente.

Como investir com segurança e equilíbrio

O ideal é não concentrar todo o patrimônio em apenas um tipo de investimento. Uma carteira diversificada ajuda a equilibrar risco e retorno. Uma estrutura recomendada pode incluir:

  • 20% em ações brasileiras;

  • 20% em ações internacionais;

  • 20% em fundos imobiliários;

  • 20% em renda fixa indexada à inflação (Tesouro IPCA+);

  • 10% em títulos prefixados;

  • 10% em pós-fixados (CDI ou Selic).

Essa composição permite aproveitar oportunidades na renda fixa sem abrir mão da exposição a outros ativos que podem valorizar em momentos de queda dos juros.

Com o Tesouro IPCA+ pagando mais de 8% acima da inflação, o investidor tem diante de si uma das melhores oportunidades dos últimos anos para garantir rentabilidade real elevada. Mesmo assim, é fundamental entender os riscos da marcação a mercado e manter uma carteira equilibrada entre renda fixa e variável.

O momento favorece quem busca estabilidade e ganhos reais no longo prazo, mas exige planejamento e disciplina para aproveitar o potencial de valorização futura dos títulos públicos.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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