A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 16 e 17 de setembro, deve confirmar a manutenção da Selic em 15%, segundo projeções dos investidores.
O mercado já precificou 94% de chance de estabilidade para setembro e 91% para novembro, indicando que o ciclo de cortes de juros não deve ocorrer antes de 2026. A percepção reflete tanto o cenário de inflação resistente quanto a cautela em relação ao ambiente fiscal.
Tesouro Selic: interesse menor em vencimentos longos
Os leilões recentes do Tesouro Nacional mostram que os grandes investidores – como bancos, fundos de pensão e previdência – continuam comprando Tesouro Selic (LFT) para vencimentos curtos, mas reduzem participação em títulos mais longos.
Vencimento 2028: absorvido integralmente.
Vencimento 2031: apenas 68% da oferta comprada, em queda frente a 82% no início de setembro e 92,5% em agosto.
Esse movimento reforça a busca por liquidez e menor risco de marcação a mercado.
IPCA+: preferência por vencimentos médios
Já no Tesouro IPCA+, os investidores seguem absorvendo praticamente todas as ofertas, especialmente nos prazos até 2035.
| Vencimento | Taxa média | Percentual absorvido |
|---|---|---|
| 2030 | 7,82% | 100% |
| 2035 | 7,61% | 94% |
| 2060 | 7,31% | 100% |
As taxas acima de 7% ao ano atraem grandes fundos, que concentram recursos em vencimentos médios, apostando na queda gradual dos juros futuros.
Prefixados: aposta em queda futura da Selic
O destaque está nos títulos prefixados, todos integralmente comprados pelo mercado. A lógica é clara: taxas atuais entre 13,3% e 14,2% são vistas como oportunidade, já que a Selic tende a cair no médio prazo.
2026: taxa de 14,25% – totalmente absorvido.
2027: taxa de 13,43% – também esgotado.
2029: taxa de 13,34% – maior oferta do mês, comprada integralmente.
2032: taxa de 13,2% – todos os títulos adquiridos.
Esse comportamento mostra confiança de investidores em ganhos expressivos via marcação a mercado, caso os juros recuem nos próximos anos.
Cenário: estabilidade em 2025, cortes só em 2026
Apesar da pressão por cortes, a curva de juros futuros sinaliza que o Banco Central deve manter a Selic em 15% até pelo menos 2025, com início de flexibilização somente em 2026.
Para o investidor pessoa física, a leitura é clara:
Tesouro Selic – indicado para reserva de liquidez.
Tesouro IPCA+ – bom para travar taxas reais acima de 7%.
Prefixados – oportunidades para ganhos com a provável queda futura da Selic.
Resumo do cenário atual de investimentos no Tesouro
| Tipo de título | Atratividade | Estratégia recomendada |
|---|---|---|
| Selic (LFT) | Média | Reserva de emergência e liquidez |
| IPCA+ | Alta | Proteção contra inflação e ganhos reais |
| Prefixados | Muito alta | Aposta em queda futura da Selic |
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