A alta da Selic para 15% ao ano, que à primeira vista favoreceria aplicações conservadoras como CDBs de bancos digitais, está provocando um movimento inesperado entre investidores mais experientes: a venda desses títulos para migração ao Tesouro Direto de longo prazo.
Foi exatamente essa a decisão revelada pelo investidor e analista Henrique Stuart, que surpreendeu parte do público ao anunciar a venda de seus CDBs do Banco Inter, C6 Bank e até de grandes instituições tradicionais.
“Não é uma crítica aos bancos. CDB continua sendo excelente para reserva de emergência. Mas o momento atual exige olhar para frente”, explicou.
CDB ainda é bom? Sim — mas com limite
Segundo Stuart, o CDB de liquidez diária continua cumprindo bem seu papel para:
Reserva de emergência
Objetivos de curtíssimo prazo
Segurança e liquidez imediata
Porém, quando o foco é construção de patrimônio no longo prazo, o cenário muda.
Problema atual dos CDBs e pós-fixados
Redução dos spreads de LCIs e CDBs
Rentabilidade limitada ao CDI
Pouco potencial de ganho extra em ciclos de queda de juros
A grande virada: Tesouro IPCA+ e Prefixado
O ponto central da decisão está na volta de taxas históricas no Tesouro Direto, vistas pela última vez há cerca de 10 anos.
Taxas que chamam atenção
| Título | Rentabilidade |
|---|---|
| Tesouro IPCA+ 2035 | IPCA + 7,5% a.a. |
| Tesouro Prefixado 2032 | 13,5% a.a. |
Esses níveis foram observados em 2016, pouco antes de um dos maiores ciclos de valorização da história dos títulos públicos.
O poder da marcação a mercado
Quando os juros caem, títulos de longo prazo se valorizam fortemente.
Exemplo histórico citado:
Tesouro IPCA+ comprado em 2016
Preço saiu de cerca de R$ 700
Chegou próximo de R$ 2.000 em 2019
Comparação histórica (2016–2019)
| Investimento | Retorno acumulado |
|---|---|
| Tesouro IPCA+ | +180% |
| CDI | +41% |
Equivalente a mais de 400% do CDI no período.
Risco x Retorno: por que a simetria é positiva
Henrique Stuart destaca dois cenários possíveis:
Cenário positivo
Queda da Selic
Valorização expressiva dos títulos
Ganho elevado via marcação a mercado
Cenário negativo
Juros seguem altos
Volatilidade no curto prazo
Retorno garantido de IPCA + 7,5% até o vencimento
“Mesmo no pior cenário, é uma taxa excepcional para 10 anos”, afirma.
Por que não faz sentido ignorar essa janela
Selic alta não costuma durar muitos anos
Tesouro IPCA+ oferece proteção contra inflação
Taxas atuais são raras e historicamente vantajosas
Pós-fixados perdem atratividade quando juros começam a cair
O que isso significa para o investidor comum
Reserva de emergência → continue no pós-fixado
Objetivos de longo prazo → olhar com atenção para IPCA+ e prefixados
Diversificação é essencial
Decisão depende de perfil e horizonte de investimento
A venda dos CDBs do Inter e C6 Bank não é sinal de medo, mas de estratégia. Em momentos de juros extremos, surgem oportunidades que exigem visão de longo prazo e tolerância à volatilidade.
O recado do mercado é claro: nem sempre o investimento mais confortável é o mais rentável.
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