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Início » Últimas Notícias » Crise silenciosa no varejo: por que ninguém quer mais trabalhar em supermercado no Brasil
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Crise silenciosa no varejo: por que ninguém quer mais trabalhar em supermercado no Brasil

Com salários baixos, jornadas exaustivas e novas formas de renda na internet, o setor supermercadista enfrenta escassez histórica de mão de obra e tenta reagir com soluções inusitadas.
Fabiane MeloPor Fabiane Melo15 de outubro de 20253 minutos lidos
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Crise silenciosa no varejo: por que ninguém quer mais trabalhar em supermercado no Brasil
Crise silenciosa no varejo: por que ninguém quer mais trabalhar em supermercado no Brasil

Nos anos 2000, trabalhar em supermercado era um rito de passagem para milhares de jovens brasileiros. Empacotador, operador de caixa ou repositor eram cargos disputados por quem buscava o primeiro emprego formal. Mas hoje, o cenário se inverteu: o setor acumula mais de 350 mil vagas abertas e não consegue preencher.

O problema não é a falta de gente. Segundo o IBGE, o desemprego está em 6,6%, o menor nível da série histórica. Mesmo assim, as gôndolas continuam sem repositores e os caixas vazios de operadores. O motivo? O modelo tradicional de trabalho — oito horas diárias, finais de semana, ar condicionado precário e salário mínimo — perdeu completamente o apelo para as novas gerações.

Jovens preferem liberdade e renda flexível

De acordo com Márcio Milan, vice-presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), o “perfil do trabalhador mudou”. Os jovens que antes viam o supermercado como porta de entrada no mercado formal agora preferem atividades informais, com mais autonomia e flexibilidade.

Com a expansão da economia digital, oportunidades de renda extra via aplicativos, redes sociais e trabalhos remotos se multiplicaram. Por que ficar oito horas em pé no caixa quando é possível lucrar de casa ou controlar a própria agenda?

Salários baixos e funções acumuladas afastam candidatos

Em Nova Iguaçu (RJ), uma vaga para operadora de caixa oferecia R$ 1.600, mas exigia que a funcionária também repusesse mercadorias, limpasse o chão e ajudasse em outras tarefas. O “etc.” do crachá virou sinônimo de acúmulo de funções — sem aumento de salário.

O custo de vida também pesa. Com cesta básica em R$ 432, aluguel de R$ 900 e contas que facilmente ultrapassam o orçamento, o salário não cobre as despesas básicas. “Mesmo com reajustes pontuais, a rotatividade continua alta. O funcionário entra e sai rápido”, explica Fábio Bentes, economista da CNC.

Supermercados buscam soluções criativas

Algumas redes buscam alternativas fora do padrão. O Carrefour, por exemplo, contratou 53 mil pessoas via CadÚnico — aposentados, pessoas com deficiência e trabalhadores de baixa renda. Já outras empresas firmaram parcerias com o Exército, aproveitando jovens recém-saídos do serviço militar, que chegam com disciplina e rotina estabelecida.

A tecnologia também entrou em cena. Plataformas como o Helppi reduziram o tempo médio de contratação de 15 para 7 dias, cruzando vagas com perfis e até distância da residência.

Autoatendimento: solução ou ameaça?

Com margens líquidas entre 2% e 5%, os supermercados têm pouco espaço para aumentar salários. Por isso, muitos apostam no autoatendimento. No Brasil, já são mais de 8 mil máquinas de self-checkout, e redes como Pão de Açúcar e Hortifruti ampliam o uso.

Mas enquanto o setor investe em automação, países como Reino Unido e EUA já voltam atrás — citando lentidão, erros e aumento de furtos. Se a tendência de retirar as máquinas chegar ao Brasil, o problema de mão de obra pode se agravar ainda mais.

A verdade por trás das vagas

A crise não é apenas salarial, mas estrutural. Falta plano de carreira, benefícios reais e um ambiente de trabalho que retenha talentos. “Contratar é fácil, manter é que é difícil”, resume a especialista em RH Evelyn Rodrigues.

Enquanto as empresas não reinventarem seu modelo de trabalho, os supermercados continuarão com prateleiras cheias, mas equipes vazias — e um futuro incerto para o setor.

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Fabiane Melo
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Fabiane Melo é editora de Economia e Negócios, formada em Administração e pós-graduada em Finanças. Na A Revista, acompanha resultados de empresas, negócios, economia e setores produtivos, relacionando fatos e indicadores ao ambiente de investimentos. Prioriza contexto, documentos e linguagem acessível.

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