Com a taxa Selic em patamares elevados e o CDI acompanhando esse movimento, muitos brasileiros passaram a buscar alternativas mais eficientes do que a poupança para fazer o dinheiro render. Entre as opções mais populares está o CDB, especialmente os oferecidos por grandes bancos, que combinam segurança, liquidez e rentabilidade previsível. Mas, na prática, será que investir em CDB de um banco público ou de um banco privado faz diferença no resultado final?
Para responder a essa dúvida de forma objetiva, foi feita uma comparação real entre dois dos maiores bancos do país, com aplicações realizadas no mesmo dia, com o mesmo valor e mantidas pelo mesmo período. O resultado mostra que pequenos detalhes, como o percentual do CDI e a aplicação mínima exigida, podem impactar diretamente o rendimento do investidor ao longo do tempo.
- Data da aplicação: 20 de fevereiro de 2025
- Valor investido: R$ 500 em cada banco
- Objetivo: comparar rendimento real ao longo do tempo
Ambos os investimentos contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos, o que elimina a preocupação com segurança e falência das instituições.
Quanto rendeu o CDB do Banco do Brasil
O CDB do Banco do Brasil foi contratado inicialmente a 97% do CDI, percentual que posteriormente subiu para 98,5% do CDI, próximo de 100%.
No extrato mais recente, o investimento chegou a aproximadamente R$ 553,76, valor apresentado de forma bruta, antes do desconto do Imposto de Renda.
- Rentabilidade acumulada: cerca de 10,7%
- Rendimento mensal médio: acima de 1% ao mês
- Aplicação mínima: R$ 500
Apesar da boa rentabilidade, o percentual do CDI inferior a 100% limita o ganho final quando comparado a alternativas semelhantes.
Quanto rendeu o CDB do Itaú
No caso do Itaú, foi utilizado o CDB do tipo “cofrinho”, que rende próximo ou acima de 100% do CDI, com grande vantagem de acessibilidade.
- Valor bruto do rendimento: cerca de R$ 55,82
- Imposto de Renda descontado: aproximadamente R$ 11,16
- Valor líquido já exibido no app: transparência imediata
- Aplicação mínima: apenas R$ 1
Mesmo com o mesmo valor investido e no mesmo período, o CDB do Itaú apresentou rendimento ligeiramente superior ao do Banco do Brasil.
O impacto do Imposto de Renda no rendimento
Ambos os investimentos seguem a tabela regressiva do IR para renda fixa:
- Até 6 meses: 22,5%
- De 6 meses a 1 ano: 20%
- De 1 a 2 anos: 17,5%
- Acima de 2 anos: 15%
No momento da análise, os dois CDBs estavam na faixa de 20% de IR, mas quanto maior o prazo, menor o imposto e maior o ganho líquido.
Por que o Itaú levou vantagem nessa disputa
A vitória do Itaú se explica por três fatores principais:
- Percentual do CDI maior, mais próximo ou acima de 100%
- Aplicação mínima simbólica, que facilita aportes recorrentes
- Exibição clara do rendimento líquido, facilitando o acompanhamento
A diferença foi pequena porque o valor investido era baixo, mas em aportes maiores ou no longo prazo, o impacto tende a ser significativamente maior.
E a solidez dos bancos? Há risco?
Os dois bancos seguem extremamente sólidos. O Itaú apresentou lucro superior a R$ 34 bilhões nos primeiros meses de 2025, com crescimento expressivo. Já o Banco do Brasil, apesar de lucro menor, enfrentou um cenário mais difícil no agronegócio, afetado por juros elevados ligados ao CDI e à Selic em patamares altos.
Ainda assim, ambos estão muito distantes de qualquer risco estrutural, especialmente quando comparados a instituições menores.
Qual CDB faz mais sentido para o investidor hoje
- Para quem busca praticidade e melhor rentabilidade: Itaú
- Para quem já usa o BB e tem R$ 500 disponíveis: Banco do Brasil
- Para reserva de emergência: ambos funcionam, mas o Itaú oferece mais flexibilidade
No confronto direto, o CDB do Itaú foi o vencedor, mesmo que por margem pequena. E quanto maior o valor investido, maior tende a ser essa diferença.
Esse tipo de comparação mostra que, mesmo dentro de grandes bancos e produtos considerados “iguais”, detalhes como percentual do CDI e aplicação mínima fazem toda a diferença no bolso do investidor.
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