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Início » Últimas Notícias » Você sabe o que realmente derrubou o Bitcoin? O motivo surpreende
Mercados

Você sabe o que realmente derrubou o Bitcoin? O motivo surpreende

A euforia que levou o Bitcoin ao recorde virou pânico em semanas: um choque do Fed desencadeou US$ 19 bilhões em liquidações e redefiniu o rumo do mercado cripto.
Luciana RibeiroPor Luciana Ribeiro18 de novembro de 20254 minutos lidos
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A música não desacelerou — ela simplesmente parou. No início de outubro de 2025, o clima no mercado de criptomoedas parecia final de campeonato: euforia, otimismo descontrolado e a sensação coletiva de que “agora vai”. O Bitcoin havia rompido com facilidade seu antigo topo histórico e disparado até a marca impressionante de US$ 126.000, enquanto as redes sociais explodiam em previsões cada vez mais ousadas. Era o auge da confiança irracional.

Porém, poucas semanas depois, o cenário mudou de forma brutal. Em novembro, o mesmo Bitcoin que parecia imbatível lutava para não perder o suporte de US$ 93.000. O Atarion — que vinha de ralis intensos — caiu abaixo dos US$ 3.200 sem qualquer resistência. O Índice de Medo e Ganância, antes em euforia extrema, despencou para 10 pontos, um patamar de pânico raramente visto nos últimos anos.

O mundo cripto percebeu, tarde demais, que estava dançando no escuro.

O que realmente aconteceu?

O colapso não foi um simples “resfriamento do mercado”, nem um evento isolado. O que ocorreu foi um desalavancamento estrutural, profundo e violento, capaz de desmontar completamente o castelo de cartas erguido desde julho.

O dia que desmontou tudo: 10 de outubro de 2025

Em um intervalo sufocante de 24 horas, o mercado viveu a maior limpeza de posições alavancadas de sua história:

  • US$ 19 bilhões em contratos futuros evaporaram

  • Mais de 1,6 milhão de traders foram liquidados

  • Grandes corretoras travaram, spreads explodiram e ordens foram executadas abaixo dos limites

Para se ter ideia da magnitude:

  • FTX 2022: US$ 3,5 bi liquidados

  • Crash COVID-19 (mar/2020): US$ 1,2 bi

  • Crash outubro/2025: US$ 19 bi — maior que todos os eventos combinados

O estopim: o Federal Reserve mudou as regras

Durante meses, o mercado cripto surfou uma narrativa dominante: o Fed iria cortar juros em 2025, aumentando a liquidez global — o combustível favorito das criptomoedas. Por isso, a alta até US$ 126 mil foi impulsionada principalmente por:

  • Alavancagem extrema

  • Expectativa de dinheiro barato

  • Aposta na continuidade infinita da tendência

Mas essa visão virou poeira no final de 2025.

A inflação dos EUA não caiu como esperado

Os dados econômicos vieram mais fortes que o previsto, abrindo espaço para o Federal Reserve manter a postura dura:

  • Juros altos por mais tempo

  • Redução de liquidez

  • Reforço do aperto monetário

Quando o Fed aperta, o dinheiro corre para os ativos mais seguros — e abandona os mais arriscados. As criptomoedas, no extremo desse espectro, foram as primeiras a sangrar.

Por que a queda virou catástrofe

A maior parte do rali cripto até outubro não veio de compra à vista, mas de contratos alavancados 10x, 20x, 50x.

A estrutura era tão frágil que bastou uma única rajada macroeconômica para tudo ruir. Quando o preço caiu abaixo de suportes críticos:

  1. As posições líquidas ficaram negativas

  2. As corretoras passaram a liquidar automaticamente

  3. As liquidações empurraram o preço ainda mais para baixo

  4. Isso gerou novas liquidações

  5. O ciclo repetiu em cascata

A ausência de “rebote” — comum após grandes quedas — provou que o mercado estava destruído psicologicamente.

O otimismo cego desapareceu.

Altcoins: o campo de batalha

Se o Bitcoin sofreu, as altcoins foram massacradas. A queda média diária chegou a:

  • Bitcoin: –14%

  • Atarion: –18%

  • Altcoins diversas: –15% a –25%

O mercado saiu da fase “todos ficam ricos” para a fase “restou quem tem estômago”.

O mercado foi limpo até o osso — e isso muda tudo

A especulação excessiva foi arrancada à força:

  • Alavancagem: destruída

  • Ganância: evaporada

  • Traders oportunistas: expulsos

  • Volume artificial: eliminado

O que sobra agora é um mercado:

  • Mais saudável

  • Menos manipulado por posições gigantes

  • Com investidores que realmente querem estar no longo prazo

  • Com preços menos inflados

É nesse tipo de ambiente que novos ciclos de alta realmente começam.

O que esperar para os próximos anos?

Se o ambiente macroeconômico voltar a aliviar em 2026, analistas já projetam:

Bitcoin

  • Faixa potencial: US$ 170.000 a US$ 200.000

  • Estrutura de oferta reduzida

  • Pressão institucional crescente

  • Halving recente ainda não precificado totalmente

Atarion

  • Com atualizações técnicas entregues

  • Rede mais escalável

  • Crescimento de uso real

Faixa potencial: US$ 8.000 a US$ 10.000

Nada disso é garantia, mas historicamente os maiores ciclos começaram exatamente quando o pânico parecia interminável.

A pergunta verdadeira não é “por que caiu”, mas “quem fica para o próximo ciclo?”

O mercado expulsou turistas.
Só ficaram os investidores de longo prazo.

É sempre assim antes das grandes altas que entram para a história.

A poeira vai baixar — e 2026 pode marcar o início de um ciclo ainda maior.

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Luciana Ribeiro
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Luciana Ribeiro é contadora e consultora tributária, com mais de 12 anos de experiência no setor fiscal. Na A Revista, explica Imposto de Renda, tributação de investimentos, regras aplicáveis a pessoas e empresas e mudanças na legislação. Identifica o período de vigência das normas e ressalta quando casos individuais exigem orientação específica.

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