O Tesouro Renda+ 2065 voltou ao centro das discussões entre investidores após registrar forte valorização desde fevereiro de 2025 e, ao mesmo tempo, manter uma das maiores taxas reais da curva longa do Tesouro Direto.
Com taxa ao redor de IPCA + 7,0% ao ano, o título combina previsibilidade de longo prazo com alta volatilidade no curto prazo — característica que vem gerando ganhos expressivos para quem entende a dinâmica da marcação a mercado.
Mas afinal: o Renda+ 2065 ainda é oportunidade ou o melhor já passou?
Como foi o desempenho até aqui?
Desde fevereiro de 2025, quando a taxa girava entre IPCA + 7,30% e IPCA + 7,40%, o título viveu momentos de forte valorização.
Desempenho acumulado
| Período analisado | Rentabilidade acumulada |
|---|---|
| Pico de valorização | +51% |
| Retorno atual acumulado (12 meses) | +37% |
| CDI no período | ~14% |
| Ibovespa no período | ~48% |
O retorno de 37% em 12 meses supera amplamente o CDI, embora tenha ficado abaixo do desempenho do Ibovespa.
Importante: quem comprou o título visando resgate em 12 meses operou fora da lógica ideal do produto. O Renda+ é estruturalmente mais previsível em janelas de 3 anos ou mais, quando a assimetria começa a se tornar favorável.
Por que o Tesouro Renda+ se valoriza tanto?
O segredo está na marcação a mercado.
Quando a taxa negociada cai, o preço do título sobe — e quanto mais longo o vencimento, maior o impacto.
Historicamente, os títulos IPCA+ de longo prazo já oscilaram entre:
📈 IPCA + 8% (pico de estresse fiscal)
📉 IPCA + 2,99% (melhor momento da curva longa)
Hoje, o Renda+ 2065 negocia próximo de IPCA + 7,01%, perto das máximas históricas da curva real longa.
Isso cria um cenário interessante de assimetria.
A simulação que chama atenção
Considerando horizonte de 3 anos e taxa atual próxima de IPCA + 7%, veja os cenários:
Simulação para investimento de R$ 100 mil
| Cenário de taxa em 3 anos | Rentabilidade estimada | Valor final aproximado |
|---|---|---|
| IPCA + 8% (pior histórico) | +6,76% | R$ 106.760 |
| IPCA + 3% (melhor histórico) | +455% | R$ 555.000 |
| IPCA + 9% (cenário extremo) | -26% | R$ 74.000 |
O que isso mostra?
Para perder dinheiro nominalmente, a taxa precisaria superar IPCA + 9% — nível nunca observado historicamente.
Em cenários de normalização fiscal ou queda estrutural dos juros reais, o potencial de valorização é explosivo.
O risco maior é de volatilidade no caminho, não de calote.
Alto risco? Sim — mas não como Bitcoin
O Renda+ 2065 pode apresentar oscilações semelhantes às de ativos como o Bitcoin no curto prazo.
A diferença está na previsibilidade:
É possível estimar exatamente quanto o título valerá se a taxa estiver em determinado patamar.
No Bitcoin, não há modelo de precificação baseado em taxa real ou fluxo contratual.
O risco aqui é de volatilidade, não de imprevisibilidade estrutural.
O conceito-chave: assimetria
Investimento inteligente não analisa apenas o ganho possível, mas também o tamanho da perda potencial.
No caso atual:
Cenários historicamente recorrentes → ganhos relevantes
Cenário extremo necessário para perda nominal → improvável no histórico recente
Essa relação entre risco e retorno configura uma assimetria favorável no médio prazo.
O que pode destravar valorização?
Alguns fatores que poderiam provocar forte compressão das taxas reais:
Aprovação de novo arcabouço fiscal crível
Redução consistente da inflação
Queda estrutural da Selic
Melhora na percepção de risco Brasil
Mesmo sem cenário perfeito, apenas normalização da curva já pode gerar ganho expressivo.
Para quem faz sentido?
✔ Investidores com horizonte mínimo de 3 anos
✔ Quem aceita volatilidade temporária
✔ Quem busca ganho via marcação a mercado
✔ Quem entende que previsibilidade ≠ estabilidade diária
Não é indicado para quem pode precisar do dinheiro no curto prazo.
Com taxa próxima de máximas históricas e histórico recente de forte valorização, o Tesouro Renda+ 2065 apresenta uma das relações risco-retorno mais assimétricas da renda fixa brasileira.
O ganho de 37% em 12 meses já mostrou o poder da marcação a mercado. Agora, o que está em jogo é o movimento da curva real nos próximos anos.
A pergunta deixa de ser “vai dar praia?” e passa a ser: o investidor está preparado para aguentar a volatilidade até o cenário jogar a favor?
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