Uma reportagem divulgada pela imprensa revelou que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes teria mantido ao menos quatro contatos — três por telefone e um presencial — com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da situação do Banco Master.
Segundo a apuração, no encontro presencial o ministro teria solicitado avanço na autorização para que o BRB adquirisse o Banco Master. A operação, no entanto, não foi autorizada. Pouco tempo depois, o banco acabou liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central do Brasil.
Até o momento, nenhuma das partes confirmou ou negou oficialmente os contatos. Tampouco houve nota do Supremo Tribunal Federal.
A pergunta central: cabe esse tipo de interlocução?
A ausência de manifestações formais ampliou o debate em Brasília sobre limites institucionais. Especialistas e comentaristas questionam se é apropriado que um ministro da Corte Constitucional procure o presidente do Banco Central para tratar da saúde financeira de uma instituição privada — especialmente quando não há processo relacionado ao tema no STF.
Contrato milionário e dilema ético
Outro ponto sensível envolve a atuação do escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci. Reportagens indicam que o escritório manteve contrato com o Banco Master estimado em R$ 129 milhões, com pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos.
O contrato não foi integralmente executado devido à intervenção no banco, mas nenhuma explicação pública foi apresentada até agora pelo ministro ou por sua esposa.
Dados destacados
Valor total do contrato: ~R$ 129 milhões
Pagamento mensal previsto: ~R$ 3,6 milhões
Duração: 36 meses
Execução: interrompida após a intervenção no banco
Além disso, levantamentos indicam que o patrimônio da esposa do ministro teria aumentado de cerca de R$ 24 milhões para R$ 80 milhões em um único ano, segundo colunistas econômicos. Mais uma vez, sem esclarecimentos oficiais.
Código de conduta no STF volta à pauta
Diante da repercussão, o presidente do STF, Edson Fachin, mencionou a possibilidade de criação de um código de conduta para ministros, inspirado em modelos internacionais. O objetivo seria orientar práticas como:
Participação em eventos patrocinados
Recebimento de cachês por palestras
Relação com empresas que podem ter processos no STF
Atuação de familiares em escritórios de advocacia
A proposta, porém, encontra resistência interna. O ministro Gilmar Mendes já se posicionou contra a adoção de regras formais, defendendo a autonomia dos magistrados.
TCU entra no caso Banco Master
Paralelamente, o Tribunal de Contas da União deu 72 horas para que o presidente do Banco Central explicasse os motivos da intervenção e liquidação do Banco Master. A decisão partiu do ministro Jonathan de Jesus, que questionou a rapidez da medida.
O que levou à liquidação
Segundo o Banco Central:
Crise grave de crédito
Descumprimento de normas do sistema financeiro
Passivos superiores a R$ 40 bilhões
Remuneração acima do mercado a investidores
Estima-se que 12 milhões de clientes tenham sido afetados, incluindo grandes fundos de pensão. Investidores pessoa física, apesar da cobertura do FGC, ainda não receberam ressarcimentos.
Dono do banco e desdobramentos
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, chegou a ficar 12 dias preso e foi solto por decisão judicial, cumprindo medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica.
Um caso longe do fim
O conjunto de fatos — contatos não esclarecidos, contrato milionário, silêncio institucional e questionamentos do TCU — faz do caso Banco Master um dos episódios mais delicados do sistema financeiro e institucional brasileiro recente.
Sem pronunciamentos oficiais, o episódio segue alimentando dúvidas sobre transparência, ética e separação de Poderes, com potencial de novos desdobramentos nas próximas semanas.
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