A Seleção Brasileira confirmou o que já se desenhava ao longo de todo o ciclo: sua pior campanha na história das Eliminatórias Sul-Americanas. Com apenas o 5º lugar na tabela, a equipe escapou da repescagem por três gols de saldo, atrás de Argentina, Equador, Uruguai e Colômbia. Se o modelo antigo da Copa do Mundo — com 32 seleções — ainda estivesse em vigor, o Brasil teria que disputar a repescagem, algo inédito para o futebol pentacampeão.
Desempenho abaixo da crítica em campo
Foram 18 jogos sem brilho, com atuações apagadas contra adversários em crise técnica. Vitórias expressivas só apareceram diante do Chile e do Peru, ambos em seus piores momentos históricos. Em contrapartida, a Seleção amargou derrotas inéditas: perdeu quatro jogos seguidos, tomou 4 a 1 da Argentina sem Messi e registrou, pela primeira vez, uma derrota em casa nas Eliminatórias.
A análise é unânime: o Brasil não fez uma única grande partida. A defesa foi uma das mais frágeis entre as equipes classificadas, e o ataque mostrou pouca inspiração, mesmo com nomes de peso.
Crise política na CBF e sucessão de técnicos
O fracasso também é atribuído ao ambiente político da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Sob a gestão de Ednaldo Rodrigues, a entidade foi marcada por instabilidade e decisões questionáveis. A Seleção passou pelas mãos de Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, sem continuidade de trabalho.
A chegada de Carlo Ancelotti, confirmada para o ciclo da Copa do Mundo de 2026, só ocorreu após meses de desgaste. Especialistas apontam que os três anos de Ednaldo à frente da CBF priorizaram a permanência política em vez do desenvolvimento do futebol, prejudicando desde as categorias de base até o futebol feminino.
Comparações com outras campanhas
Historicamente, o Brasil já enfrentou dificuldades em Eliminatórias, como em 1993, quando Romário brilhou na vitória decisiva contra o Uruguai, ou em 2001, quando a equipe oscilou até a reta final. Mas desta vez, a diferença está no contexto: os adversários atravessavam fases técnicas muito fracas, o que torna ainda mais preocupante o desempenho brasileiro.
Ao contrário das Eliminatórias de 2018 e 2022, quando a Seleção de Tite sobrou e garantiu vaga com folgas, o ciclo atual se destacou pela irregularidade, com números negativos inéditos.
O que esperar da Copa do Mundo
Apesar do fiasco, o Brasil ainda será cabeça de chave no sorteio da Copa do Mundo de 2026, beneficiado pelo ranking da FIFA. O novo formato, com 48 seleções, deve proporcionar uma fase de grupos menos complicada, mas especialistas alertam que isso não esconde os problemas do ciclo.
Com amistosos programados contra Japão, Coreia do Sul, seleções africanas e europeias, Ancelotti terá pouco tempo de preparação: cerca de 25 dias de treinos antes do início da Copa. Ainda assim, a expectativa é de reconstrução. A história mostra que campanhas ruins nas Eliminatórias não necessariamente determinam fracassos na Copa, como em 2002, quando o Brasil superou um ciclo conturbado para conquistar o pentacampeonato.
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