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Mercados

Sanepar sobe quase 70% em 12 meses, passa dos R$ 8 e segue fora do radar do mercado

Mesmo após forte valorização, ação ainda não precifica ruídos de privatização e pode repetir movimento visto na Copel.
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins14 de janeiro de 20264 minutos lidos
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Sanepar sobe quase 70% em 12 meses, passa dos R$ 8 e segue fora do radar do mercado
Sanepar sobe quase 70% em 12 meses, passa dos R$ 8 e segue fora do radar do mercado

A Sanepar (SAPR4) vive um dos momentos mais relevantes dos últimos anos no mercado de capitais brasileiro. As ações da companhia de saneamento do Paraná acumulam alta próxima de 69% nos últimos 12 meses, ultrapassando a marca dos R$ 8, movimento que chama atenção mas que, curiosamente, ainda passa despercebido por grande parte dos investidores.

Apesar do rali recente, analistas e investidores que acompanham o ativo desde 2023 avaliam que o papel ainda não precificou totalmente os eventos estruturais em curso, especialmente os ruídos crescentes sobre uma possível privatização, cenário que remete ao que ocorreu com a Copel antes do seu processo de desestatização.

Alta forte, mas ainda longe do “topo”?

Um dos principais argumentos contrários à Sanepar neste momento é o receio clássico de “comprar no topo”. No entanto, quem acompanha o papel desde níveis próximos de R$ 4 — ainda em 2023 — reforça que o alvo de médio prazo permanece em R$ 11, patamar que não foi alterado mesmo após a valorização recente.

O racional é simples: os fundamentos estruturais continuam evoluindo, enquanto o mercado, em geral, ainda reage com cautela por se tratar de uma estatal controlada pelo Governo do Paraná.

 Privatização no radar reacende interesse

O principal catalisador por trás do movimento recente é o aumento dos ruídos de mercado envolvendo uma possível privatização da Sanepar. Investidores observam sinais semelhantes aos que antecederam a privatização da Copel, em 2023.

Entre os pontos que reforçam esse cenário estão:

  • Discussões políticas no Paraná com discurso favorável à privatização

  • Mudança no perfil do investidor estrangeiro, que já detém cerca de 27% do capital da companhia

  • Comparações inevitáveis com a Copel, que hoje negocia a mais de 2 vezes o valor patrimonial, enquanto a Sanepar ainda opera próxima de 1x P/VP

Caso o processo avance, o mercado entende que há espaço relevante para reprecificação do ativo.

 Valuation ainda chama atenção

Mesmo após a forte alta, os múltiplos da Sanepar seguem considerados atrativos:

  • Preço/Lucro (P/L) em torno de 5

  • Preço/Valor Patrimonial (P/VP) pouco acima de 1

  • Empresa com monopólio regional, receitas previsíveis e contratos de longo prazo

Em cenários de privatização, o mercado costuma aceitar múltiplos mais elevados para companhias de saneamento, o que explica o otimismo de parte dos investidores.

Lucro caiu, mas há explicações

No terceiro trimestre, a Sanepar reportou queda de cerca de 30% no lucro, saindo de aproximadamente R$ 377 milhões para cerca de R$ 260 milhões. O recuo foi impactado principalmente por:

  • Aumento expressivo das despesas operacionais

  • Provisão de R$ 146 milhões em passivos, ligada a questões envolvendo a GEPAR

  • Crescimento de custos recorrentes ano contra ano

Apesar disso, o mercado avalia que esses fatores são pontuais, e que há expectativa de recuperação dos lucros ao longo de 2026, com projeções próximas de R$ 350 milhões por trimestre.

Situação hídrica favorece a companhia

Diferentemente do cenário crítico vivido em 2015, quando os reservatórios chegaram a níveis próximos de 25%, a situação atual é considerada confortável:

  • Reservatórios acima de 70% da capacidade

  • Período de chuvas favorecendo recomposição dos níveis

  • Menor risco de racionamento ou impacto operacional

Esse fator reduz incertezas e fortalece a previsibilidade dos resultados.

Dividendos: baixos hoje, mas com viés de crescimento

A Sanepar não é, neste momento, um ativo clássico de renda. O dividend yield gira em torno de 2%, reflexo de:

  • Payout de cerca de 30%

  • Lucros pressionados ao longo de 2025

Por outro lado, investidores enxergam o papel como uma ação de crescimento com opcionalidade em dividendos, caso o lucro volte a crescer e uma eventual privatização destrave maior eficiência operacional.

 Vendidos estão pressionados

Outro ponto observado no mercado é a redução das posições vendidas (short) no papel. Os dados indicam que:

  • Preço médio das posições vendidas está abaixo da cotação atual

  • Dias para zeragem dos shorts é inferior a um dia

  • Movimento sugere desconforto dos vendidos em meio à tendência de alta

Esse cenário pode reforçar movimentos adicionais de valorização no curto e médio prazo.

 Por que a Sanepar ainda “passa despercebida”?

Mesmo com todos esses fatores, a ação ainda não figura entre as mais comentadas do mercado. Especialistas apontam alguns motivos:

  • Estigma de estatal

  • Falta de cobertura ampla por grandes casas

  • Foco excessivo do investidor pessoa física apenas em dividendos imediatos

Enquanto isso, investidores mais atentos enxergam um ativo em processo de reprecificação silenciosa.

A Sanepar vive um momento-chave. A ação já entregou forte valorização, mas os principais catalisadores parecem ainda não totalmente precificados. Privatização, melhora operacional, recuperação de lucros e pressão sobre posições vendidas formam um conjunto de fatores que mantêm o papel no radar de quem olha para 2026.

Para quem acompanha de perto, o alerta está ligado: o mercado pode estar atrasado mais uma vez.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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