O RecargaPay anunciou mudanças relevantes em sua conta remunerada, que até então oferecia rendimento de 110% do CDI sobre todo o saldo. A partir de 1º de setembro, o benefício será limitado apenas aos valores de até R$ 5.000, enquanto qualquer quantia que ultrapasse esse montante passará a render 100% do CDI.
A mudança foi comunicada diretamente pelo aplicativo e já afeta usuários que mantêm valores maiores parados na carteira digital. Assim como ocorreu em plataformas concorrentes, como a 99Pay, o RecargaPay passa a adotar um modelo de rentabilidade escalonada, o que reduz a atratividade da conta para quem busca rendimento superior à média do mercado.
IR fixo de 22,5% e perda de competitividade frente à renda fixa
Outra alteração importante é a manutenção do imposto de renda fixo de 22,5% sobre os ganhos — sem a tabela regressiva comum em aplicações como Tesouro Direto e CDBs.
Esse modelo reduz a rentabilidade líquida da conta, tornando-a menos vantajosa que investimentos de renda fixa tradicionais. O Tesouro Selic, por exemplo, também rende cerca de 100% do CDI, mas oferece risco soberano, tributação decrescente e garantia direta do Tesouro Nacional.
Além disso, diferentemente dos CDBs, a conta remunerada do RecargaPay não conta com a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o que aumenta o risco para o investidor.
Novos CDBs com rentabilidade reduzida e limite de investimento
Paralelamente, o RecargaPay lançou novos CDBs, ampliando sua oferta de investimentos dentro do app. A novidade é o CDB com liquidez diária e vencimento em dois anos, que oferece 103% do CDI, com investimento mínimo de R$ 50.
Apesar de atrativo pela liquidez, o rendimento é inferior ao de outros bancos digitais, como Sofisa, BV e Banco Paulista, que pagam entre 110% e 120% do CDI — todos com cobertura do FGC e possibilidade de resgate antecipado.
Vale destacar que o novo CDB do RecargaPay só permite resgates após 30 dias, evitando cobrança de IOF, mas restringindo o acesso imediato aos recursos.
Reação dos usuários e comparação com concorrentes
A reação entre os clientes foi imediata. Muitos usuários destacaram que o RecargaPay perdeu atratividade após sucessivas alterações em sua política de rendimento e benefícios do cartão de crédito, que anteriormente oferecia cashback vinculado a 200% do CDI.
Com o novo limite de R$ 5 mil e a tributação fixa, a fintech se distancia de concorrentes que oferecem melhores retornos com segurança adicional, como CDBs escalonados, LCIs e LCAs isentas de IR e contas digitais com rendimento automático acima de 110% do CDI.
Especialistas avaliam que a empresa precisará rever suas taxas e produtos para competir em um ambiente de juros altos e forte concorrência entre bancos digitais e fintechs.
As mudanças refletem um movimento de ajuste das fintechs ao cenário macroeconômico atual, mas, na prática, significam menor rentabilidade e mais restrições para o usuário. Com rendimentos limitados e novas regras, o RecargaPay corre o risco de ver parte de seus clientes migrarem para alternativas mais vantajosas no mercado financeiro.
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