Grande parte dos investidores ainda observa a Alupar apenas como uma transmissora tradicional, frequentemente comparada a outras elétricas consolidadas. Essa leitura, porém, ignora um movimento estratégico silencioso que vem reposicionando a companhia dentro e fora do Brasil.
Em 2026, a Alupar não é apenas uma pagadora previsível de dividendos. Trata-se de uma empresa em forte ciclo de expansão, com projetos relevantes em construção, crescimento expressivo da Receita Anual Permitida (RAP) e diversificação geográfica que reduz riscos e amplia retornos de longo prazo.
Expansão internacional e a “dolarização” das receitas
Um dos pontos menos precificados pelo mercado é a presença crescente da Alupar na América Latina. A companhia atua hoje no Brasil, Chile, Peru e Colômbia, sendo a única transmissora brasileira com operação estruturada fora do país.
Essa estratégia gera três efeitos relevantes:
Receitas em moeda estrangeira, com contratos indexados ao dólar e a moedas locais fortes
Proteção natural contra o risco-Brasil, reduzindo a dependência exclusiva do mercado doméstico
Concessões mais longas, incluindo ativos com características praticamente perpétuas em alguns países
A participação de receitas atreladas a moedas estrangeiras, que era marginal em 2023, tende a crescer de forma consistente até o fim da década, alterando o perfil de risco e retorno da empresa.
Carteira robusta de projetos e crescimento acelerado da RAP
A base do modelo de negócios da Alupar está na expansão da RAP, que representa a previsibilidade de caixa do setor de transmissão. Nos últimos anos, a companhia acelerou esse crescimento com novos projetos e aquisições estratégicas.
Projetos entregues e em andamento
Projetos entregues em 2025
Investimento aproximado: R$ 6,3 bilhões
RAP adicional estimada: R$ 811 milhões
Relação RAP/CAPEX: cerca de 12,9%
Projetos em construção (ciclo atual)
10 projetos em andamento
Investimento estimado: R$ 7,9 bilhões
RAP futura: aproximadamente R$ 1,1 bilhão
Relação RAP/CAPEX: cerca de 13,8%
Somando projetos já entregues e em execução, a companhia mantém 13 projetos relevantes em desenvolvimento, alinhados ao que há de mais competitivo no setor de transmissão.
Crescimento estrutural de receitas até o fim da década
A evolução da RAP da Alupar mostra um crescimento consistente ao longo do tempo:
RAP em 2013: cerca de R$ 1,3 bilhão
RAP em 2023: aproximadamente R$ 3,1 bilhões
RAP em operação em 2025: cerca de R$ 3,8 bilhões
RAP adicional contratada ainda não operacional: cerca de R$ 1,2 bilhão
Isso indica um potencial de crescimento próximo de 60% na RAP total nos próximos anos, à medida que os projetos em construção entrem em operação plena.
Qualidade das concessões e maior previsibilidade
Outro diferencial pouco observado está no prazo das concessões. Apenas 18% da RAP da Alupar vence até 2033, percentual significativamente menor do que o de algumas concorrentes do setor.
Esse fator garante maior previsibilidade de caixa, menor risco de renovação e maior capacidade de planejamento de dividendos no longo prazo.
Desempenho financeiro e eficiência operacional
Mesmo em um cenário de investimentos elevados, os números operacionais seguem sólidos:
Receita líquida regulatória com crescimento próximo de 9%
EBITDA regulatório avançando acima de 7%
Lucro líquido regulatório com alta superior a 17% em base anual
A estrutura de custos controlada e a previsibilidade do setor sustentam margens resilientes, mesmo durante ciclos de expansão intensa.
Endividamento sob controle mesmo com investimentos
O aumento do endividamento acompanha o ciclo de crescimento, mas permanece dentro de níveis considerados confortáveis para o setor elétrico:
Dívida líquida aproximada: R$ 9,2 bilhões
Alavancagem: cerca de 3,3 vezes
Indexadores da dívida:
55% atrelada ao IPCA
25% ao CDI
13% a moedas estrangeiras
Para uma empresa com receitas previsíveis e contratos de longo prazo, essa estrutura é considerada equilibrada.
Dividendos em aceleração após nova política
Desde a mudança na política de dividendos, vigente desde o fim de 2022, a companhia passou a distribuir 50% do lucro líquido regulatório.
O resultado prático foi um aumento superior a 100% nos dividendos pagos nos últimos dois anos, com desempenho acima tanto do índice setorial de energia quanto do CDI no mesmo período.
Valuation e janela de oportunidade
Em 2026, as ações da Alupar negociam próximas aos múltiplos mínimos históricos:
Preço/Lucro em torno de 8,8
Nível semelhante ao observado em momentos de maior estresse de mercado
Esse patamar sugere que parte relevante do crescimento futuro ainda não está totalmente refletida no preço das ações.
Leilões de transmissão e catalisadores para 2026
O setor de transmissão deve receber novos estímulos relevantes em 2026, com previsão de mais de R$ 25 bilhões em investimentos em leilões programados.
O primeiro grande certame já tem data definida e envolve bilhões em novos ativos, abrindo espaço para que empresas consolidadas ampliem ainda mais sua base de receitas futuras.
Por que a Alupar pode surpreender
A Alupar entra em 2026 com uma combinação rara no setor elétrico:
Crescimento expressivo da RAP contratada
Diversificação internacional com receitas dolarizadas
Concessões longas e maior previsibilidade
Dividendos em aceleração
Valuation ainda descontado
Esses fatores ajudam a explicar por que a empresa segue ganhando espaço entre as transmissoras mais atrativas do setor, mesmo que parte do mercado ainda não tenha precificado totalmente esse novo ciclo de crescimento.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






