Mais de 3 milhões de baianos já deixaram o Estado nos últimos anos em busca de melhores condições de vida. Esse movimento migratório, que reconfigura o mapa demográfico do Brasil, tem como principais destinos São Paulo e Santa Catarina, onde a promessa de empregos e segurança atrai cada vez mais pessoas.
Adriele, influenciadora digital que trocou Salvador por Santa Catarina, é um dos rostos dessa estatística. “O que nos trouxe foi a busca por qualidade de vida e segurança, além de melhores oportunidades de emprego”, disse.
O impacto nos números
Segundo levantamentos demográficos, o número de baianos em Santa Catarina cresceu mais de 270% na última década, evidenciando a força dessa migração. Antes vista como uma busca por salários mais altos, hoje a saída também está ligada a fatores como segurança pública, educação e estabilidade social.
Entre sonhos e barreiras
Se, por um lado, os migrantes alimentam esperanças de prosperidade, por outro enfrentam preconceito e xenofobia. Declarações recentes de políticos catarinenses escancararam esse problema. O vereador Mateus Batista (União Brasil) chegou a defender controle migratório contra pessoas do Norte e Nordeste, chamando governadores da região de “responsáveis pelo caos”.
As falas repercutiram nacionalmente e o partido União Brasil puniu o vereador com suspensão de atividades partidárias. A sigla repudiou as declarações, destacando que a discriminação contra nordestinos é de “extrema gravidade”.
O peso da distância
Para Adriele, estar longe da família foi um dos maiores desafios. “Eu sou a única da família em Santa Catarina, mas meu sonho é trazer todos para cá”, contou. Essa fala revela o dilema emocional vivido por milhares de migrantes, que equilibram saudade e esperança de um futuro melhor.
Um retrato do Brasil plural
Apesar das dificuldades, o fluxo migratório entre estados brasileiros é parte do que molda o país: uma nação plural, diversa e em constante movimento. Histórias de preconceito dividem espaço com as de superação e conquista, mostrando que a migração é também um retrato da resiliência do povo brasileiro.
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