O Nubank iniciou uma nova etapa de sua internacionalização ao oficializar, em 10 de setembro, a chegada da marca Nu aos Estados Unidos e apresentar uma plataforma voltada a clientes que movimentam dinheiro entre diferentes países.
A estratégia combina duas frentes: a preparação de uma operação bancária própria no mercado americano e o lançamento do Nu Global, serviço desenhado para ampliar rapidamente o alcance internacional da companhia sem exigir a construção imediata de um banco completo em cada mercado.
O movimento acontece quando o grupo já soma 139 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia e acaba de registrar lucro líquido trimestral recorde de US$ 1,1 bilhão.
Remessas viram porta de entrada para conquistar clientes
A proposta inicial nos Estados Unidos difere da estratégia que transformou o Nubank em uma das maiores instituições financeiras do Brasil.
Por aqui, o cartão de crédito sem anuidade funcionou como produto de entrada. Depois vieram conta, empréstimos, investimentos, seguros e outras soluções financeiras.
No mercado americano, uma das principais portas de entrada deverá ser o dinheiro movimentado entre países.
O Nu Global foi apresentado como uma conta destinada a pessoas que vivem no exterior e precisam realizar transferências internacionais. Segundo o Nubank, a plataforma pretende conectar mais de 35 países da América Latina e da Europa, com foco em transferências internacionais sem cobrança de tarifas pelo serviço anunciado.
A lógica é especialmente relevante para imigrantes e famílias que mantêm relações financeiras entre Estados Unidos, Brasil, México e Colômbia.
Esse corredor também permite ao grupo aproveitar uma vantagem importante: já possuir uma grande base de clientes nos três países latino-americanos.
Estados Unidos serão um teste diferente para o Nubank
O desafio americano, entretanto, será maior.
Brasil e México apresentavam mercados bancários relativamente concentrados e grandes grupos de consumidores insatisfeitos com produtos financeiros tradicionais. Nos Estados Unidos, o Nubank encontrará bancos centenários, fintechs consolidadas, cartões altamente competitivos e aplicativos digitais desenvolvidos.
Por isso, a companhia decidiu avançar de forma gradual.
Em janeiro, o Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos, o OCC, concedeu aprovação condicional para a criação do Nubank, N.A., banco nacional que terá Cristina Junqueira, cofundadora do grupo, como CEO.
Quando todas as exigências regulatórias forem atendidas, a licença permitirá oferecer produtos como contas de depósito, cartões de crédito, empréstimos e custódia de ativos digitais.
Isso significa que a chegada anunciada em setembro não deve ser confundida com uma operação bancária americana já completamente estabelecida.
México mostra como o modelo pode ser adaptado
A experiência internacional mais avançada do grupo atualmente está no México.
O Nu alcançou cerca de 16 milhões de clientes mexicanos em julho e iniciou em agosto sua operação como banco no país. Na Colômbia, a base já ultrapassa 5 milhões de usuários.
Esses mercados mostraram que a infraestrutura tecnológica pode ser reaproveitada, mas os produtos precisam respeitar características locais.
No México, por exemplo, onde dinheiro físico continua relevante, a expansão exigiu mecanismos adaptados à forma como a população movimenta recursos.
| Mercado | Situação do Nu |
| Brasil | Quase 118 milhões de clientes |
| México | Cerca de 16 milhões de clientes |
| Colômbia | Mais de 5 milhões de clientes |
| Estados Unidos | Expansão inicial e licença bancária condicional |
| Nu Global | Plataforma para conectar mais de 35 países |
Lucro recorde dá fôlego para a expansão
O Nubank entra nessa fase com uma estrutura financeira muito maior do que possuía durante as primeiras expansões internacionais.
No segundo trimestre, a receita bruta chegou perto de US$ 5,9 bilhões, avanço de 39% em um ano. O lucro líquido alcançou US$ 1,1 bilhão, com retorno sobre o patrimônio de 33%.
Ao mesmo tempo, a companhia afirma que pretende controlar os gastos da operação americana. Para 2026 e 2027, o investimento relacionado à expansão para os EUA deve permanecer abaixo de 100 pontos-base no índice consolidado de eficiência. Novos aportes dependerão da comprovação de demanda e de um caminho para rentabilidade.
O próximo desafio é provar que o modelo funciona globalmente
O Nubank já mostrou que consegue transportar parte de seu modelo brasileiro para México e Colômbia. Os Estados Unidos colocam a empresa diante de um teste mais complexo.
Agora, o crescimento dependerá menos de simplesmente reproduzir produtos existentes e mais de encontrar problemas específicos capazes de atrair consumidores em mercados altamente competitivos.
As remessas internacionais podem cumprir exatamente esse papel.
Caso consiga transformar transferências entre países em relacionamento bancário recorrente, o Nu poderá avançar de uma fintech latino-americana para uma plataforma financeira verdadeiramente global.
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