A revolução elétrica no setor automotivo brasileiro acaba de entrar em um novo capítulo. Depois do avanço protagonizado por BYD e GWM, o mercado agora assiste à chegada de seis novas marcas de carros elétricos chineses, que vêm para disputar espaço em um segmento ainda em expansão, especialmente o de SUVs 100% elétricos e híbridos plug-in (PHEV).
Entre as estreantes estão GAC, Zeekr, Jaecoo, Omoda, Dilly e Pike, todas com raízes em grandes conglomerados automotivos da China, muitos dos quais com experiência global. A Zeekr, por exemplo, é uma marca premium do grupo Geely, que também controla a Volvo. Já Omoda e Jaecoo fazem parte da Chery, veterana no mercado brasileiro.
Crescimento chinês: 75% dos elétricos vendidos em 2025 vêm da China
Os números impressionam: 75% dos carros elétricos e híbridos vendidos no Brasil em 2025 têm origem chinesa. A frota total de eletrificados no país já ultrapassa meio milhão de unidades. O domínio, antes restrito a BYD e GWM, agora se pulveriza com novos players apostando em nichos específicos.
SUVs 100% elétricos são o novo foco das marcas chinesas
O grande movimento dessa nova leva é o ataque ao segmento sub-representado dos SUVs 100% elétricos abaixo de R$ 300 mil. Até pouco tempo, o consumidor brasileiro tinha como principais opções o BYD Yuan e o Volvo XC30. Agora, o leque inclui:
- Spark EV (Pike/GM) – R$ 160 mil
- Dilly X5
- Omoda 5
- GAC Aion V
- Zeekr X
- GAC HyperTech
Esses modelos tentam competir com o popularíssimo Dolphin Mini, da BYD, que mesmo não sendo SUV, domina o mercado dos elétricos puros com preço a partir de R$ 120 mil e estilo compacto urbano.
Jaecoo 7 é destaque entre os híbridos plug-in

O destaque entre os PHEVs dessa nova geração é o Jaecoo 7, SUV robusto com motor híbrido plug-in e preço inicial de R$ 230 mil. Ele já figura entre os cinco mais vendidos da categoria, atrás apenas dos líderes da GWM e de modelos da BYD.
Mesmo sendo o único híbrido plug-in entre os lançamentos chineses, o Jaecoo 7 conquistou quase 9% de participação nesse nicho, mostrando que há espaço para concorrência mesmo em segmentos já consolidados.
GM Spark se destaca antes mesmo de chegar às lojas
Um caso curioso é o do GM Spark EV, feito em parceria com a chinesa SAIC. Antes mesmo de chegar às concessionárias, ele já se posicionou como o sexto carro elétrico mais vendido em agosto, impulsionado pela pré-venda agressiva. Com preço de R$ 160 mil, o modelo oferece o apelo que o mercado mais busca: é compacto, mas classificado como SUV, categoria preferida entre os consumidores brasileiros.
A GM já anunciou que vai produzir o Spark no Brasil, na antiga fábrica da Troller, no Ceará, ainda em 2025. Isso pode garantir uma vantagem logística e de preço frente à concorrência importada.
Infraestrutura ainda é o calcanhar de Aquiles
Apesar do avanço, os carros 100% elétricos ainda enfrentam limitações no Brasil. A principal barreira é a falta de infraestrutura de recarga. Enquanto a China possui mais de 4 milhões de carregadores públicos, o Brasil tem apenas cerca de 17 mil pontos, o que limita o uso de carros elétricos fora dos centros urbanos.
Por isso, os híbridos plug-in ainda lideram, com 8.600 unidades vendidas em agosto, contra 7.600 elétricos puros — sendo que a metade das vendas desses elétricos vem apenas do Dolphin Mini.
Híbridos convencionais ainda são dominados pela Toyota
No campo dos híbridos convencionais (HEVs) — que não precisam de tomada para recarga — o domínio continua com a Toyota, especialmente com o Corolla Cross. Mas há espaço para novos entrantes. O GAC GS4, híbrido da nova geração chinesa, já aparece como o quarto HEV mais vendido do país em sua estreia, indicando abertura do mercado a novos competidores também nesse segmento.
Perspectiva: haverá espaço para tantos chineses?
A pergunta que fica é: o consumidor brasileiro vai adotar esses novos modelos, mesmo com preços mais elevados e infraestrutura limitada? A resposta dependerá da capacidade dessas marcas em:
- Reduzir custos via produção local (como fará a GM com o Spark)
- Investir em redes de concessionárias e pós-venda
- Oferecer diferenciais tecnológicos e design atrativo
- Promover campanhas de test-drive e educação do consumidor
O fato é que as montadoras chinesas não vieram para brincar. Com produtos diversificados, preços agressivos e foco em SUVs, elas prometem mudar de vez a paisagem dos elétricos no Brasil.
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