A temporada de balanços corporativos trouxe um baque inesperado para o mercado global. A Netflix (NFLX) registrou queda superior a 6% no after market, após divulgar um resultado abaixo das expectativas dos analistas. O lucro por ação veio em US$ 5,87, contra US$ 6,96 esperados, frustrando investidores e ofuscando a sequência de resultados positivos de outras companhias americanas.
O impacto foi imediato nas bolsas. Enquanto o Dow Jones atingiu novo recorde histórico aos 46.924 pontos, impulsionado por Coca-Cola e 3M, as ações da Netflix pressionaram o Nasdaq, que encerrou o pregão em queda de 0,16%. O S&P 500 ficou estável, refletindo um mercado dividido entre entusiasmo com resultados corporativos e cautela com lucros do setor de tecnologia.
Commodities têm dia volátil: ouro cai 5% e petróleo avança
Entre as commodities, o destaque negativo foi o ouro, que desabou 5%, atingindo US$ 4.380, após semanas de valorização recorde. O movimento foi acompanhado por quedas acentuadas na prata (-6,3%) e na platina (-6,9%), enquanto o petróleo tipo Brent avançou 1%, fechando a US$ 61,61. O gás natural subiu 2,6%, reforçando o comportamento misto no setor de energia.
No Brasil, o Ibovespa seguiu o tom negativo externo e recuou 0,29%, encerrando aos 144.085 pontos, com baixo volume financeiro de R$ 11,75 bilhões. As ações de Petrobras (PETR4) recuaram 0,81%, para R$ 29,51, mesmo sem gatilhos específicos que justificassem a queda. O movimento reforçou o desinteresse dos investidores estrangeiros, refletido no câmbio — o dólar subiu 0,25%, cotado a R$ 5,38.
Setor bancário e de energia pesam sobre o Ibovespa
Os bancos também pressionaram o índice: Bradesco caiu 1,33%, Itaú recuou 0,94% e Banco do Brasil manteve-se próximo de R$ 20, com leve perda de 1,11%. O setor de energia elétrica, por sua vez, teve desempenho modesto, com retração de 0,26% no índice setorial.
Entre os poucos destaques positivos, Vivo (VIVT3) avançou 0,49%, e BTG Pactual (BPAC11) registrou leve alta de 0,43%. No campo negativo, Vale (VALE3) e Gerdau (GGBR4) recuaram 1,6% e 1,26%, respectivamente, refletindo a correção nas cotações do minério de ferro.
Cenário internacional: recorde em meio à cautela
Na Europa, as bolsas fecharam em alta moderada — Frankfurt (+0,29%), Londres (+0,25%), Paris (+0,64%) — refletindo otimismo com resultados corporativos e estabilidade nas taxas de juros. Nos EUA, os títulos de 10 anos mantiveram-se em 3,97%, e o índice de volatilidade VIX recuou para 17,87, indicando redução momentânea do risco percebido pelos investidores.
Enquanto isso, na Argentina, o peso argentino voltou a se desvalorizar, com o dólar blue chegando a 1.545 pesos, alta de 2,66%, mesmo após o Tesouro americano intervir comprando títulos e moeda local para conter a pressão. As reservas do país caíram US$ 780 milhões na semana, reacendendo preocupações sobre a estabilidade financeira local.
Agenda de amanhã: foco em Tesla e Lagarde
Para a próxima sessão, investidores aguardam os resultados de gigantes como Tesla, IBM, AT&T, Boston Scientific e Moody’s, além do discurso da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e dados de estoques de petróleo nos Estados Unidos.
O mercado segue atento aos balanços corporativos, que têm guiado o humor dos investidores em meio à ausência de indicadores macroeconômicos relevantes.
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