Em 21 de maio de 2025, a Coreia do Norte sofreu uma de suas maiores humilhações públicas sob o regime de Kim Jong-un. O lançamento do contratorpedeiro Kang Kon, uma das apostas navais mais ambiciosas do país, terminou em desastre absoluto diante das câmeras e do próprio líder norte-coreano. A popa do navio desceu como esperado, mas a proa permaneceu presa, fazendo com que a embarcação de 5 mil toneladas tombasse de lado, parcialmente submersa e visivelmente danificada.
Kim, visivelmente furioso, classificou o episódio como “ato criminoso” e iniciou uma onda de punições severas contra engenheiros e militares envolvidos. O navio foi imediatamente cercado por forças armadas, e tentativas de encobrir o incidente falharam devido à rápida divulgação por imagens de satélite.
Um projeto apressado com ajuda russa?
O Kang Kon fazia parte da nova classe de contratorpedeiros “Cheyon”, que deveria marcar a modernização da marinha norte-coreana. No entanto, especialistas apontam que a velocidade de construção — menos de 400 dias — levanta suspeitas. Países com ampla capacidade industrial, como EUA ou Japão, levam de 3 a 4 anos para construir navios semelhantes.
Analistas observaram fortes semelhanças com navios russos da classe Admiral Gagorovich, incluindo detalhes estruturais e até mesmo sistemas antimísseis Panstir-M, nunca antes exportados pela Rússia. A cooperação sugere que Moscou estaria fornecendo tecnologia militar à Coreia do Norte em troca de apoio político e mão de obra militar.
Rússia e China: o tripé do novo eixo bélico?
Enquanto a Rússia enfrenta sanções ocidentais devido à guerra na Ucrânia, a Coreia do Norte surge como parceiro estratégico. Relatórios de inteligência indicam que até 15 mil soldados norte-coreanos foram enviados para apoiar forças russas na linha de frente. Em troca, Pyongyang recebe armas, conhecimento técnico e blindagem diplomática.
Além disso, indícios apontam que a China também estaria envolvida indiretamente, facilitando insumos e rotas logísticas para a aliança.
Balões gigantes e propaganda: tentativa de salvar a imagem
Após o fracasso, a Coreia do Norte iniciou uma operação emergencial para içar o navio, usando balões aerostáticos e coberturas de lona azul. Poucas semanas depois, o navio foi transferido para o estaleiro de Najin e relançado em nova cerimônia com Kim sorridente. Mas sem testes reais no mar, especialistas duvidam que o Kang Kon esteja operacional.
Imagens mostram danos estruturais e suspeitas de comprometimento de sistemas internos como radar e navegação, agravados pela entrada de água salgada.
Prisões e desaparecimentos de autoridades
Fiéis à tradição de punições exemplares, diversos engenheiros e oficiais ligados ao projeto foram presos ou sumiram da vida pública. Um dos principais alvos foi o chefe do estaleiro Chongqin, Hongkil Ho, e o vice-almirante Kimong Sik, ambos sumariamente apagados da mídia estatal.
O padrão segue a linha dura do regime: punir severamente qualquer erro que exponha falhas do Estado.
O impacto regional e global
Apesar do fiasco, o episódio reforça um alerta global: a Coreia do Norte, mesmo com limitações técnicas, ganha poder de dissuasão com a simples aparência de força militar. Para países como Coreia do Sul, Japão e EUA, a incerteza exige maior investimento em defesa e vigilância naval.
Segundo o analista Victor Cha, a simples hipótese de contratorpedeiros norte-coreanos com mísseis balísticos já altera o equilíbrio militar no Pacífico.
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