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Início » Últimas Notícias » Navio de guerra da Coreia do Norte vira piada internacional e crise interna
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Navio de guerra da Coreia do Norte vira piada internacional e crise interna

Fracasso no lançamento do contratorpedeiro Kang Kon revela falhas críticas na marinha norte-coreana e levanta suspeitas sobre apoio tecnológico secreto russo e chinês.
André CarvalhoPor André Carvalho12 de setembro de 20253 minutos lidos
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Navio de guerra da Coreia do Norte vira piada internacional e crise interna
Navio de guerra da Coreia do Norte vira piada internacional e crise interna

Em 21 de maio de 2025, a Coreia do Norte sofreu uma de suas maiores humilhações públicas sob o regime de Kim Jong-un. O lançamento do contratorpedeiro Kang Kon, uma das apostas navais mais ambiciosas do país, terminou em desastre absoluto diante das câmeras e do próprio líder norte-coreano. A popa do navio desceu como esperado, mas a proa permaneceu presa, fazendo com que a embarcação de 5 mil toneladas tombasse de lado, parcialmente submersa e visivelmente danificada.

Kim, visivelmente furioso, classificou o episódio como “ato criminoso” e iniciou uma onda de punições severas contra engenheiros e militares envolvidos. O navio foi imediatamente cercado por forças armadas, e tentativas de encobrir o incidente falharam devido à rápida divulgação por imagens de satélite.

Um projeto apressado com ajuda russa?

O Kang Kon fazia parte da nova classe de contratorpedeiros “Cheyon”, que deveria marcar a modernização da marinha norte-coreana. No entanto, especialistas apontam que a velocidade de construção — menos de 400 dias — levanta suspeitas. Países com ampla capacidade industrial, como EUA ou Japão, levam de 3 a 4 anos para construir navios semelhantes.

Analistas observaram fortes semelhanças com navios russos da classe Admiral Gagorovich, incluindo detalhes estruturais e até mesmo sistemas antimísseis Panstir-M, nunca antes exportados pela Rússia. A cooperação sugere que Moscou estaria fornecendo tecnologia militar à Coreia do Norte em troca de apoio político e mão de obra militar.

Rússia e China: o tripé do novo eixo bélico?

Enquanto a Rússia enfrenta sanções ocidentais devido à guerra na Ucrânia, a Coreia do Norte surge como parceiro estratégico. Relatórios de inteligência indicam que até 15 mil soldados norte-coreanos foram enviados para apoiar forças russas na linha de frente. Em troca, Pyongyang recebe armas, conhecimento técnico e blindagem diplomática.

Além disso, indícios apontam que a China também estaria envolvida indiretamente, facilitando insumos e rotas logísticas para a aliança.

Balões gigantes e propaganda: tentativa de salvar a imagem

Após o fracasso, a Coreia do Norte iniciou uma operação emergencial para içar o navio, usando balões aerostáticos e coberturas de lona azul. Poucas semanas depois, o navio foi transferido para o estaleiro de Najin e relançado em nova cerimônia com Kim sorridente. Mas sem testes reais no mar, especialistas duvidam que o Kang Kon esteja operacional.

Imagens mostram danos estruturais e suspeitas de comprometimento de sistemas internos como radar e navegação, agravados pela entrada de água salgada.

Prisões e desaparecimentos de autoridades

Fiéis à tradição de punições exemplares, diversos engenheiros e oficiais ligados ao projeto foram presos ou sumiram da vida pública. Um dos principais alvos foi o chefe do estaleiro Chongqin, Hongkil Ho, e o vice-almirante Kimong Sik, ambos sumariamente apagados da mídia estatal.

O padrão segue a linha dura do regime: punir severamente qualquer erro que exponha falhas do Estado.

O impacto regional e global

Apesar do fiasco, o episódio reforça um alerta global: a Coreia do Norte, mesmo com limitações técnicas, ganha poder de dissuasão com a simples aparência de força militar. Para países como Coreia do Sul, Japão e EUA, a incerteza exige maior investimento em defesa e vigilância naval.

Segundo o analista Victor Cha, a simples hipótese de contratorpedeiros norte-coreanos com mísseis balísticos já altera o equilíbrio militar no Pacífico.

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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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