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Início » Últimas Notícias » Move Brasil deixa motoristas de fora? Programa de carro novo gera revolta em apps regionais
Mercados

Move Brasil deixa motoristas de fora? Programa de carro novo gera revolta em apps regionais

Programa federal promete até R$ 30 bilhões em crédito para carro novo, mas motoristas que atuam fora de grandes plataformas questionam dificuldade de acesso ao cadastro.
Carlos MenezesPor Carlos Menezes21 de maio de 20265 minutos lidos
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Move Brasil deixa motoristas de fora? Programa de carro novo gera revolta em apps regionais
Move Brasil deixa motoristas de fora? Programa de carro novo gera revolta em apps regionais

O Move Brasil Táxi e Aplicativos, programa do governo federal voltado ao financiamento de veículos novos para taxistas e motoristas de aplicativo, começou a gerar questionamentos entre trabalhadores da categoria. A principal reclamação envolve motoristas que atuam em plataformas regionais ou em aplicativos diferentes das grandes empresas nacionais, que relatam dificuldade para acessar o cadastro oficial.

A iniciativa foi anunciada com a promessa de facilitar a compra de carros novos e sustentáveis, com crédito especial para profissionais que dependem do veículo como ferramenta de trabalho. Segundo o governo, o programa prevê financiamento para veículos flex, híbridos ou elétricos, com preço de até R$ 150 mil.

Quem pode participar do Move Brasil

Pelas regras divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, podem participar motoristas com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e que tenham realizado ao menos 100 corridas nesse período na mesma plataforma. Taxistas também podem acessar o programa, desde que tenham licenças e registros ativos junto aos órgãos competentes e regularidade fiscal.

O ponto que provocou reação entre parte da categoria está justamente na exigência de comprovação por plataforma cadastrada no programa. Na prática, motoristas que atuam por aplicativos regionais afirmam que não conseguem avançar no sistema caso sua plataforma não apareça entre as opções disponíveis.

Motoristas de apps regionais relatam dificuldade no cadastro

A crítica ganhou força porque o mercado de transporte por aplicativo no Brasil não se limita às plataformas mais conhecidas. Em cidades pequenas e médias, especialmente fora das capitais, aplicativos regionais ocupam espaço importante e, em alguns casos, são a principal fonte de trabalho dos motoristas.

Profissionais que rodam diariamente por plataformas locais afirmam que exercem a mesma atividade, têm custos semelhantes com combustível, manutenção, seguro e depreciação do veículo, mas podem ficar de fora do benefício se a plataforma em que trabalham não estiver integrada ao programa.

O debate também envolve motoristas que não atuam em determinadas empresas por falta de disponibilidade do serviço em suas cidades, bloqueios de cadastro, ausência de demanda ou preferência por aplicativos locais. Para esse grupo, a regra pode criar uma diferença de tratamento dentro da própria categoria.

Programa promete crédito de até R$ 30 bilhões

O Move Brasil foi apresentado pelo governo como uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo e taxistas financiarem veículos novos. A proposta é estimular a renovação da frota, reduzir custos de manutenção e ampliar o uso de modelos com menor emissão, como carros flex, híbridos e elétricos.

Além do limite de valor do veículo, o programa prevê condições especiais de financiamento, com entrada zero e prazo de até seis anos para pagamento, conforme informações publicadas na página oficial do Move Brasil.

Ponto do programaRegra divulgada
Público-alvoMotoristas de aplicativo, taxistas e motoristas cooperativos
Exigência para motoristas de appCadastro ativo há pelo menos 12 meses
Corridas mínimas100 viagens nos 12 meses anteriores
ComprovaçãoPela mesma plataforma cadastrada no programa
Veículos permitidosNovos, flex, híbridos ou elétricos
Valor máximo do carroAté R$ 150 mil
Prazo de pagamentoAté 6 anos
Volume de crédito anunciadoAté R$ 30 bilhões

Debate expõe peso dos aplicativos regionais

A polêmica mostra um problema maior: a diversidade do mercado de transporte por aplicativo no país. Embora grandes plataformas concentrem parte relevante da atividade, muitos municípios dependem de soluções locais para atender passageiros e gerar renda para motoristas.

Em cidades do interior, aplicativos regionais podem ser mais presentes do que empresas nacionais. Isso ocorre por diferentes motivos, como menor cobertura das grandes plataformas, adaptação ao mercado local, tarifas específicas ou relacionamento mais próximo entre motoristas, passageiros e operadores.

Por isso, a exigência de plataforma cadastrada passou a ser vista por parte da categoria como um possível gargalo de acesso. O programa, anunciado como nacional, pode ter alcance menor se não houver adesão ampla das empresas que atuam no setor.

O governo pode mudar as regras?

Como o programa é recente, ainda há espaço para ajustes operacionais, ampliação de plataformas cadastradas ou esclarecimentos sobre o processo de adesão. A portaria publicada pelo governo detalha critérios para motoristas, veículos e plataformas interessadas em participar do Move Brasil, o que indica que o funcionamento depende também da integração das empresas ao sistema oficial.

Caso aplicativos regionais consigam se cadastrar ou repassar as informações exigidas, motoristas dessas plataformas podem ter caminho para acessar o financiamento. Até lá, a reclamação tende a crescer entre profissionais que se enquadram na atividade, mas não conseguem comprovar os requisitos pelo sistema disponível.

Exclusão pode virar pressão política e setorial

A reação dos motoristas coloca o governo diante de um desafio: garantir que o programa não seja percebido como uma política voltada apenas a uma parte do mercado. A crítica central não é contra o financiamento em si, mas contra a possibilidade de trabalhadores de aplicativos menores ficarem sem acesso, mesmo atuando regularmente.

Para evitar desgaste, o governo pode ser pressionado a explicar quais plataformas estão habilitadas, como novos aplicativos podem aderir e qual será o prazo para que motoristas de empresas regionais também consigam se cadastrar.

Move Brasil nasce com promessa de inclusão, mas enfrenta cobrança por alcance maior

O Move Brasil chega com uma proposta relevante para uma categoria que depende diretamente do veículo para trabalhar. A possibilidade de financiar carro novo com condições diferenciadas pode ajudar motoristas a reduzir custos, renovar a frota e manter a atividade com mais segurança.

No entanto, a primeira controvérsia do programa mostra que a execução será tão importante quanto o anúncio. Se a adesão ficar concentrada em poucas plataformas, o benefício pode deixar de fora justamente trabalhadores de cidades menores e regiões onde os aplicativos locais têm papel central no transporte urbano.

A questão agora é se o governo ampliará o alcance do cadastro ou se o programa seguirá restrito às plataformas já integradas. Para os motoristas que dependem de apps regionais, a resposta será decisiva para saber se o Move Brasil será, de fato, uma política nacional para a categoria.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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