A Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional, localizada na divisa entre Brasil e Paraguai, deu início a um projeto inovador que promete reforçar seu protagonismo no setor energético: a instalação de uma usina solar flutuante no reservatório da própria hidrelétrica.
Energia limpa e diversificada
A iniciativa, considerada estratégica na transição energética da região, prevê inicialmente a instalação de 1.584 painéis solares de 705 watts cada, montados sobre 4.199 flutuadores no lago de Itaipu. Quando finalizada, essa “ilha solar” terá capacidade de geração de 1 megawatt (MW) — suficiente para abastecer cerca de 650 residências.
Segundo o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, a iniciativa reafirma o papel da usina como referência em inovação no setor elétrico. “Projetos como este nos ajudam a entender como novas tecnologias podem complementar as operações da usina sem afetar sua missão principal: gerar energia hidrelétrica segura, confiável e sustentável”, declarou.
Avanço concreto: painéis já estão na água
A instalação já está em andamento. A primeira fase, com 132 painéis, foi concluída e está flutuando nas águas do reservatório. A expectativa é que a usina solar esteja totalmente operacional até o final de 2025, marcando um avanço notável na combinação de fontes renováveis dentro de um mesmo sistema de geração.
De acordo com Rogério Meneghetti, superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, toda a energia gerada nesta fase inicial será utilizada para consumo interno da usina. A experiência também permitirá um estudo comparativo entre a geração solar flutuante e a terrestre, ajudando a calibrar futuras expansões.
O potencial gigantesco do lago de Itaipu
Embora o projeto inicial tenha capacidade modesta, ele serve como base para algo muito maior. Estudos indicam que cobrir apenas 10% da superfície do reservatório com painéis solares flutuantes resultaria em 14.000 MW de potência instalada — o equivalente à capacidade total da própria hidrelétrica de Itaipu.
Atualmente, a usina hidrelétrica responde por cerca de 10% da demanda energética do Brasil e 86% do Paraguai, sendo uma das maiores do mundo em capacidade instalada. A adição de uma fonte solar complementa e fortalece essa matriz, ampliando a resiliência e eficiência do sistema.
Por que painéis flutuantes?
A escolha por painéis solares flutuantes não é apenas estética ou territorial: ela traz benefícios técnicos e ambientais relevantes. Entre as principais vantagens:
Eficiência térmica
A água sob os painéis ajuda a resfriá-los naturalmente, aumentando sua eficiência energética em relação aos sistemas em terra firme.
Uso inteligente do espaço
Reservatórios e lagos, como o de Itaipu, passam a ter utilidade dupla: armazenamento hídrico e geração de energia solar.
Redução da evaporação
Os painéis atuam como barreiras físicas, diminuindo a evaporação da água — especialmente importante em regiões com alta incidência solar.
Sinergia com usinas hidrelétricas
A infraestrutura já existente, como linhas de transmissão e subestações, pode ser compartilhada entre as duas fontes, reduzindo custos e aumentando a eficiência do sistema híbrido.
Perspectiva para o futuro
A usina solar flutuante de Itaipu representa mais do que uma aposta tecnológica: é um passo concreto na diversificação da matriz energética sul-americana, uma vitrine para o mundo sobre como duas nações podem cooperar de forma eficaz em soluções sustentáveis.
Com a operação total prevista ainda para 2025 e o forte potencial de expansão no lago da represa, o projeto pode ser o embrião de um novo capítulo para Itaipu — consolidando seu papel de liderança não apenas na geração hidrelétrica, mas também na inovação em energia limpa e renovável.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






