A economista e advogada Helena Landau fez duras críticas à atual gestão dos Correios e à política de estatais do governo Lula (PT), afirmando que a empresa pública é “apenas uma das várias estatais que registram prejuízo desde a posse do PT”. Em entrevista ao CNN Money, Landau afirmou que a filosofia adotada pelo governo “é utilizar estatais para gastos e expansão sem critério de eficiência”, o que estaria provocando rombos bilionários no setor público.
Segundo Landau, o plano de recuperação anunciado pela nova gestão dos Correios — que prevê volta ao lucro apenas em 2027 — é considerado ambicioso, mas de difícil execução. “Com o tamanho do rombo que está, acho difícil. O plano de reestruturação vai ter que ser profundo e já veio tarde demais”, declarou.
“Rombo bilionário e má gestão”
A economista afirmou que o problema nos Correios não começou em 2023, mas se agravou com a atual gestão. Ela lembrou que a empresa chegou a ter lucro durante o governo Bolsonaro, embora também tenha falhado em avançar com o processo de privatização, o que, na visão dela, “deixou a estatal abandonada e sem rumo”.
Landau ressaltou que o rombo nas estatais é resultado direto da visão política do PT, que, segundo ela, trata essas empresas como instrumentos de gasto público, e não como entidades que devem operar com eficiência. “Não é um discurso de oposição, é uma realidade dos números”, enfatizou.
Críticas ao empréstimo bilionário e falta de transparência
A especialista questionou o pedido de empréstimo com garantia do Tesouro Nacional, anunciado pela estatal para financiar o Plano de Demissão Voluntária (PDV) e outras medidas de ajuste. “É assustador pensar que o Tesouro precisa salvar uma empresa que há anos mostra sinais de ineficiência. Esse dinheiro sairá do bolso do contribuinte, agravando o quadro fiscal”, disse.
Ela destacou a ausência de informações concretas sobre o valor, o prazo e as condições do empréstimo. “Falta transparência total. Não sabemos nem o custo desse empréstimo. O governo precisa esclarecer se esse dinheiro voltará ou se vai virar um aporte disfarçado”, completou.
“Não é culpa da taxa das blusinhas”
Sobre o discurso do governo de que o rombo dos Correios se deve à chamada “taxa das blusinhas” — cobrança de imposto sobre compras internacionais de pequeno valor —, Landau rebateu: “Colocar toda a culpa na taxa é confissão de falta de planejamento. Se o Ministério da Fazenda cria uma taxa sem medir o impacto sobre uma estatal controlada pela União, isso mostra ausência total de análise de política pública.”
A economista ainda citou falhas operacionais graves, como encomendas extraviadas e atrasos constantes, que, segundo ela, “nada têm a ver com a taxa das blusinhas, mas sim com a ineficiência estrutural da empresa”.
“Plano de reestruturação chegou tarde demais”
Landau criticou o fato de que medidas como venda de imóveis ociosos, redução de pessoal e lançamento de novos produtos estejam sendo apresentadas como novidades em 2025. “Essas ações já deveriam estar em andamento há muito tempo. Agora, parece que descobriram a pólvora. É pouco transparente e preocupante”, afirmou.
Ela cobrou que o governo apresente resultados concretos e mostre que o dinheiro público não será desperdiçado. “Se é garantia do Tesouro, é dinheiro de todos nós. O mínimo que se espera é transparência e eficiência”, reforçou.
Paralelo com a Eletrobras e Eletronuclear
Durante a entrevista, Landau também comentou a venda da Eletronuclear pela Eletrobras, classificando o negócio como uma “boa saída financeira”, mas levantando dúvidas sobre os interesses políticos por trás da operação.
Ela observou que o grupo J&F, controlado pelos irmãos Batista, tem ampliado fortemente sua presença no setor energético desde o início do governo Lula. “Há uma amarração política evidente. É preciso entender quem vai garantir a rentabilidade do negócio e se as tarifas de energia não vão subir demais para o consumidor”, afirmou.
Para Helena Landau, os Correios simbolizam o retrato do descuido com as estatais brasileiras, que, segundo ela, acumulam prejuízos enquanto o governo insiste em políticas de expansão sem eficiência. “Não adianta chamar de investimento o que é gasto ineficiente. No fim, quem paga a conta é o contribuinte”, concluiu.
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