Um novo golpe tem circulado nas redes sociais prometendo cartão de crédito “sem consulta ao SPC e Serasa” e com limite de até R$ 6.000, direcionado principalmente a pessoas negativadas. As páginas e anúncios falsos utilizam o nome “Slice Bank”, supostamente um novo concorrente do Nubank, para enganar usuários vulneráveis em busca de crédito fácil.
Os golpistas se aproveitam da crise financeira e do alto endividamento da população, prometendo aprovação imediata, cashback e anuidade zero, mas exigindo o pagamento antecipado de taxas falsas — como “envio do cartão”, “liberação do crédito” e até “ativação do aplicativo”.
Como o golpe funciona
De acordo com relatos e denúncias, os criminosos divulgam vídeos e anúncios patrocinados no Facebook, Instagram e Google, utilizando imagens de pessoas reais e influenciadores falsos, muitas vezes com vozes geradas por inteligência artificial, para dar credibilidade às campanhas.
Os anúncios redirecionam as vítimas para sites suspeitos, como slicecard.cartao.site, que imitam bancos digitais e prometem aprovação instantânea. No final do processo de cadastro, o usuário é induzido a pagar uma suposta taxa de envio via Pix ou boleto, acreditando que receberá o cartão em poucos dias — o que nunca acontece.
Após o pagamento, os golpistas somem, e os canais de contato desaparecem. Em alguns casos, as vítimas relatam ter sido cobradas várias vezes por taxas diferentes, como “cadastro de conta” ou “liberação do cartão virtual”.
Banco real na Índia, mas sem operação no Brasil
O nome Slice Bank de fato existe, mas trata-se de uma instituição legítima indiana, com milhões de clientes naquele país. O golpe se aproveita dessa coincidência para parecer mais realista, usando imagens e vídeos do banco verdadeiro para compor os anúncios falsos.
No entanto, o Slice Bank não possui sede, filial ou autorização para operar no Brasil. Nenhum cartão emitido pela empresa é válido no país, e qualquer proposta nesse sentido é fraudulenta.
Reclamações e prejuízos
Plataformas como o Reclame Aqui já acumulam dezenas de queixas de consumidores enganados. As principais reclamações envolvem propaganda enganosa, cobrança indevida e não entrega do cartão.
Em muitos casos, as vítimas relataram perdas que variam entre R$ 20 e R$ 200, valores pagos por “taxas de liberação” inexistentes. Apesar do montante individualmente pequeno, a operação pode gerar lucros milionários para os golpistas, dada a alta escala de divulgação nas redes sociais.
Falha na fiscalização das plataformas digitais
Os anúncios fraudulentos continuam circulando livremente em redes sociais e mecanismos de busca, o que evidencia falhas de moderação e fiscalização nas plataformas.
Mesmo quando denunciados, os conteúdos costumam permanecer ativos por semanas, enquanto novos perfis são criados para manter a campanha de engano.
Como se proteger desse tipo de golpe
Para evitar cair em armadilhas semelhantes, é importante seguir algumas recomendações:
Desconfie de promessas de crédito fácil, especialmente com aprovação imediata e sem consulta ao SPC ou Serasa.
Verifique o domínio do site: páginas falsas costumam usar endereços com extensões estranhas, como .cartao.site ou .me.
Nunca pague taxas antecipadas para receber um cartão de crédito ou liberar limite. Nenhum banco sério solicita esse tipo de pagamento.
Consulte o Banco Central para confirmar se a instituição é registrada e autorizada a operar no Brasil.
Denuncie anúncios suspeitos diretamente nas plataformas e em órgãos como a Polícia Civil e o Procon.
O chamado “cartão para negativados com limite de R$ 6 mil” é apenas mais um dos muitos golpes financeiros que exploram a vulnerabilidade econômica dos brasileiros. Ao se aproveitar do nome de um banco estrangeiro e de anúncios aparentemente legítimos, os fraudadores conseguem enganar milhares de pessoas em busca de crédito.
A principal forma de combater esse tipo de fraude é a informação: verificar, questionar e nunca efetuar pagamentos antecipados por promessas de crédito milagrosas.
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