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Início » Últimas Notícias » Ferramenta Google Antigravity impressiona, mas ainda sofre com muitos bugs
Mercados

Ferramenta Google Antigravity impressiona, mas ainda sofre com muitos bugs

Google lança Antigravity, IDE com agentes de IA que promete criar apps sem código
André CarvalhoPor André Carvalho24 de novembro de 20259 minutos lidos
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Ferramenta Google Antigravity impressiona, mas ainda sofre com muitos bugs

O Google acaba de colocar no ar o Antigravity, uma nova ferramenta que promete ser o “tudo em um” para quem quer criar sistemas e aplicações praticamente sem escrever código. Baseado em um fork do VS Code, o ambiente combina agentes de IA, integração com Gemini 3, suporte a outros modelos populares e até geração de imagens, em um pacote que, por enquanto, está gratuito para uso individual.

Na teoria, o Antigravity é capaz de planejar um projeto, escrever o código, testar no navegador, corrigir erros e ainda produzir imagens via IA, tudo a partir de prompts em linguagem natural. Na prática, porém, os primeiros testes mostram um cenário misto: muito potencial, mas também erros constantes, comportamentos estranhos e dependência de ajustes manuais.

O que é o Google Antigravity e como ele funciona

O Antigravity é apresentado como uma IDE com agente de IA embutido, construída a partir do código-fonte do VS Code. Assim como outros forks conhecidos, como Cursor ou ferramentas baseadas em VS Code, o Google aproveita a interface familiar do editor para adicionar:

  • Painel de “Agent” com conversas em linguagem natural;

  • Gerenciador de agentes (Agent Manager) para criar múltiplos fluxos de trabalho;

  • Workspaces separados, permitindo rodar diferentes projetos e agentes em paralelo;

  • Integração com navegador, para testar e interagir com as aplicações geradas;

  • Suporte a múltiplos modelos de IA, incluindo Gemini 3 Pro, Claude 4.5 e GPT.

O modelo padrão destacado é o Gemini 3 Pro High, apresentado como a “melhor IA já criada” dentro do ecossistema do Google. O usuário pode alternar também para outros modelos disponíveis e mudar o modo de operação do agente entre:

  • Planning – o agente cria um plano detalhado antes de executar;

  • Fast – a IA sai executando as tarefas de forma mais direta.

Instalação simples, mas com forte dependência da conta Google

Nos testes, o processo de instalação no Windows x64 foi relativamente simples:

  • Download do instalador no site oficial;

  • Assistente padrão com opções de criar atalho, registrar o Antigravity como editor de arquivos de código e adicionar o comando ao PATH;

  • Primeiro acesso com assistente de configuração para escolher:

    • Tema (modo escuro, por padrão);

    • Nível de autonomia do agente (desde “faz tudo sozinho” até “sempre pede permissão”);

    • Estilo do editor (padrão ou com comandos tipo Vim);

    • Instalação automática de extensões para linguagens como Python, Go, Java, C, C#, PHP, Ruby.

Logo em seguida, o sistema exige login na conta Google, etapa necessária para liberar o uso dos modelos Gemini e demais integrações com a nuvem. A partir daí, o usuário já pode abrir pastas locais, clonar repositórios Git e acionar o painel de agentes.

Gerenciador de agentes e workspaces: vários projetos rodando ao mesmo tempo

Um dos pontos mais interessantes do Antigravity é o gerenciador de agentes, que organiza o trabalho em workspaces independentes. Em cada workspace, é possível:

  • Criar uma conversa específica com o agente;

  • Vincular um diretório local ou repositório remoto;

  • Acompanhar o histórico de ações, planos gerados e arquivos criados;

  • Ver as tarefas em execução na Inbox, com pedidos de revisão e aprovação.

Nos testes, foram criados dois workspaces simultâneos: um para gerar um simulador de jogo de voo e outro para reconstruir uma landing page baseada em templates de referência. O Antigravity exibiu:

  • Tarefas em paralelo, listadas como “tasks” em execução;

  • Pedidos de review e “continue” a cada etapa crítica;

  • Logs mostrando criação de arquivos, diretórios e comandos executados.

A experiência confirma a proposta de um ambiente voltado para multiagentes trabalhando em paralelo, o que, em teoria, aumenta muito a produtividade em projetos complexos. O problema é que, na prática, os bugs ainda atrapalham bastante.

Testes práticos expõem bugs: landing page, simulador de voo e cubo de Rubik

Na parte prática, a ferramenta foi colocada à prova com cenários reais de desenvolvimento.

1. Landing page completa

O agente recebeu o pedido de reconstruir uma landing page a partir de prints de um template profissional. O plano criado pela IA incluía:

  • Estrutura HTML completa;

  • CSS separado com efeitos de hover e animações;

  • Seções de “hero”, depoimentos, galeria, rodapé e botões de navegação;

  • Testes automáticos no navegador, com screenshots para validação visual.

O resultado foi misto:

  • A página foi gerada, com layout funcional e efeitos básicos;

  • Porém, apresentava bugs visuais, elementos desalinhados e um carrossel de depoimentos que não funcionava;

  • Em alguns momentos, o agente inseriu o site dentro de uma seção de depoimentos de forma completamente equivocada, mesmo após “corrigir” o código.

Quando o mesmo pedido foi enviado ao Google AI Studio, usando o Gemini diretamente, a landing page foi criada sem erros graves já na primeira tentativa, sugerindo que o problema não está no modelo em si, mas na camada de agente do Antigravity.

2. Simulador de voo em HTML/JavaScript

Outro teste envolveu a criação de um simulador de voo simples, com controles de velocidade e direção, rodando no navegador.

  • O Antigravity gerou o jogo, abriu o Chrome, testou a aplicação e capturou screenshots;

  • O agente identificou erros, como velocidade indo ao infinito e falta de controle vertical;

  • Mesmo assim, não conseguiu corrigir tudo sozinho e chegou a quebrar parte do código ao tentar ajustar a física do voo.

Quando o problema foi enviado para o modelo Claude 4.5 dentro do próprio Antigravity, o cenário melhorou: o simulador passou a funcionar de forma mais estável, ainda que sem perfeição. O contraste reforça a impressão de que o orquestrador de tarefas do Antigravity ainda não está maduro, especialmente na leitura de erros e na tomada de decisão automática.

3. Cubo de Rubik interativo

Um prompt que havia funcionado perfeitamente no Gemini via Google AI Studio, gerando um cubo de Rubik interativo em HTML/JS, foi replicado dentro do Antigravity. O resultado, desta vez, foi uma sequência de erros e travamentos do agente, que não conseguiu concluir o projeto.

Geração de imagens com Nano Banana: integração existe, mas limitações incomodam

Outro componente importante do Antigravity é a integração com o modelo de imagem “Nano Banana” (e sua versão mais recente, Nano Banana Pro), responsável por gerar thumbnails e imagens a partir de prompts.

Na aba de conversas rápidas (playground), foi solicitado:

  • Geração de duas imagens de thumbnail para YouTube com o tema “Google lança o novo Gemini 3.0”.

O sistema respondeu com:

  • Imagens visualmente interessantes, mas sempre no formato quadrado (1:1), mesmo quando o prompt pedia 16:9;

  • Limitação conhecida do Nano Banana, que não respeita resoluções de thumbnail padrão de YouTube;

  • Erros recorrentes em textos em português nas imagens, algo ainda comum na maioria dos modelos generativos.

O mesmo comportamento se repetiu em um projeto mais complexo, que usava IA para sugerir títulos de vídeo e gerar thumbnails automaticamente: a camada de texto funcionou, mas a parte de imagem exigiu diversas iterações e ajustes na API até produzir um resultado satisfatório.

Projeto real: sistema em PHP e SQLite para criadores de conteúdo

Para ir além de testes pontuais, o Antigravity foi usado para criar um projeto completo: um sistema web capaz de gerar ideias para vídeos de YouTube, reunindo títulos, descrições, tags e uma thumbnail com IA, tudo integrado a um banco de dados SQLite.

O prompt pedia:

  • Linguagens: HTML, PHP, JavaScript e CSS (para ser hospedado em um servidor tradicional, como Hostinger);

  • Cadastro e login simples via e-mail e senha;

  • Integração com a API do Gemini para gerar textos;

  • Uso do Nano Banana para gerar imagens;

  • Salvamento automático de histórico de ideias e thumbnails em banco de dados.

O agente do Antigravity:

  • Criou a estrutura de arquivos (index.php, login.php, register.php, db.php, api.php, dashboard.php e pasta de thumbnails);

  • Escreveu prompts detalhados para Gemini gerar cinco títulos, descrição completa e tags;

  • Configurou o uso de SQLite e a lógica de armazenamento;

Mas deixou pontos em aberto:

  • A função de geração de imagem estava inicialmente apenas com um placeholder, sem chamada real à API de imagem;

  • Foi necessário editar manualmente o arquivo api.php para inserir corretamente o modelo “Gemini 2.5 Flash Image” (Nano Banana);

  • Vários ajustes foram feitos depois via próprio agente, a partir de prints de tela mostrando problemas na interface e na exibição dos resultados.

Depois de subir o projeto para uma hospedagem compartilhada, o sistema passou a:

  • Permitir cadastro e login;

  • Gerar títulos e descrições com base em uma ideia de vídeo;

  • Salvar o histórico das ideias;

  • Criar imagens de thumbnail, ainda com:

    • Formato inadequado para 16:9;

    • Erros ocasionais em português nas palavras inseridas na imagem.

Mesmo assim, o caso mostra que a combinação “Antigravity + Gemini + Nano Banana + PHP/SQLite” já é capaz de produzir um produto minimamente funcional para criadores de conteúdo, com intervenção humana pontual nas partes mais sensíveis.

Potencial enorme, mas ainda longe de aposentar ferramentas no-code

A pergunta inevitável é: o Google Antigravity já é capaz de “matar” o no-code tradicional e substituir ferramentas como Cursor, Replit e outras plataformas de desenvolvimento assistido por IA?

Os testes indicam que a resposta, por enquanto, é não:

  • A ideia de uma IDE com agentes, navegação automatizada e integração profunda com o ecossistema Google é muito promissora;

  • O suporte a múltiplos workspaces e múltiplos agentes é um diferencial interessante para quem trabalha com vários projetos ao mesmo tempo;

  • A capacidade de testar no navegador, analisar screenshots e tentar corrigir sozinho aponta para um futuro em que o desenvolvedor se preocupa mais com conceito do que com implementação linha a linha.

Por outro lado:

  • O agente ainda se perde com frequência em tarefas relativamente simples;

  • A camada de automação de testes no navegador nem sempre reage corretamente aos erros que ele mesmo identifica;

  • A integração com a API de imagens exige ajustes manuais e não está pronta para uso “plug and play” em produção;

  • O comportamento é claramente o de um projeto recém-lançado, ainda em fase de amadurecimento.

Mesmo com todas as falhas, o Antigravity dá um recado claro: o Google pretende aprofundar a integração entre navegador, IDE e IA, e já há pistas de que agentes inteligentes dentro do próprio Chrome podem ser questão de tempo.

O que esperar do Antigravity daqui para frente

Para desenvolvedores, criadores de conteúdo e entusiastas de IA, o Google Antigravity é, ao mesmo tempo, um laboratório de experimentos e um sinal do futuro:

  • Quem aceitar conviver com bugs e retrabalho pode ganhar tempo em tarefas repetitivas, projetos de estudo e protótipos rápidos;

  • A ferramenta mostra como agentes de IA podem organizar trabalho em etapas, planos, tarefas e workspaces de forma visual;

  • Conforme o Google refinar a camada de agente, a integração com o navegador e o suporte a modelos como Gemini 3 e Nano Banana Pro, a experiência tende a ficar bem mais estável.

Por enquanto, o Antigravity é menos o “fim do no-code” e mais um primeiro passo ambicioso do Google em direção a um ambiente de desenvolvimento onde IA, código, testes e design convivem em um mesmo fluxo automatizado — ainda imperfeito, mas cheio de potencial.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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