Poucas motocicletas conseguem chamar tanta atenção quanto a Ducati Diavel V4. Com proporções musculosas, traseira curta, enorme pneu de 240 mm e quatro saídas de escapamento, o modelo italiano transmite força mesmo quando está estacionado.
A Diavel nasceu com a proposta de quebrar paradigmas dentro da própria Ducati. Apresentada originalmente em 2010, ela combinava elementos aparentemente incompatíveis: posição de pilotagem confortável, visual inspirado em uma cruiser e comportamento dinâmico próximo ao de uma naked esportiva.
A atual geração aprofundou essa receita ao substituir o tradicional motor bicilíndrico da família por um V4 Granturismo de 1.158 cm³. O conjunto entrega 168 cv a 10.750 rpm e torque máximo de 126 Nm aproximadamente 12,8 kgfm a 7.500 rpm.

O resultado é uma motocicleta que pode viajar com relativa tranquilidade, mas responde de maneira extremamente agressiva quando o acelerador eletrônico é aberto.
Motor V4 entrega força desde as baixas rotações
O motor V4 Granturismo é um dos principais destaques da Ducati Diavel V4. Embora seja compartilhado com modelos da família Multistrada, recebeu calibração própria para oferecer respostas mais intensas nas baixas e médias rotações.
A configuração utiliza quatro cilindros em V a 90 graus, refrigeração líquida, quatro válvulas por cilindro e virabrequim contra-rotante. Esse sistema gira no sentido contrário ao das rodas, reduzindo parte do efeito giroscópico e contribuindo para deixar a motocicleta mais ágil nas mudanças de direção.
A transmissão tem seis marchas e Ducati Quick Shift bidirecional, permitindo realizar trocas para cima e para baixo sem utilizar a embreagem em determinadas condições. A embreagem hidráulica é assistida e deslizante, recurso que ajuda a evitar o travamento da roda traseira durante reduções mais agressivas.
Outra característica importante é a desativação do banco traseiro de cilindros. Em situações específicas, como paradas com o motor funcionando e condução em baixa carga, o sistema pode desligar dois cilindros para diminuir o consumo, as emissões e o calor transmitido ao piloto e ao passageiro.
Ficha técnica da Ducati Diavel V4
| Característica | Informação |
| Motor | V4 Granturismo |
| Cilindrada | 1.158 cm³ |
| Potência | 168 cv a 10.750 rpm |
| Torque | 126 Nm a 7.500 rpm |
| Câmbio | 6 marchas com quickshifter |
| Altura do banco | 790 mm |
| Peso sem combustível | 223 kg |
| Capacidade do tanque | 20 litros |
| Pneu dianteiro | 120/70 ZR17 |
| Pneu traseiro | 240/45 ZR17 |
| Freios dianteiros | Dois discos de 330 mm |
| Preço sugerido no Brasil | R$ 155.990 |
Os valores de potência, torque, peso e preço correspondem às informações divulgadas pela Ducati para o mercado brasileiro. O preço sugerido de R$ 155.990 é válido até 31 de julho de 2026 e não inclui frete.
Peso elevado não impede comportamento esportivo
A Diavel V4 registra 223 kg sem combustível. Apesar de não ser uma motocicleta leve, houve uma redução superior a 13 kg em comparação com a antiga Diavel 1260 S, resultado do motor mais compacto e do novo quadro monocoque de alumínio.
O próprio motor integra a estrutura da motocicleta, contribuindo para reduzir peças e peso. O braço oscilante monobraço de alumínio deixa a roda traseira completamente exposta no lado direito, reforçando o impacto visual.
Na dianteira, a suspensão utiliza garfo invertido Marzocchi de 50 mm, totalmente ajustável e com 120 mm de curso. Na traseira, o monoamortecedor oferece 145 mm de curso.
Apesar da aparência de cruiser, a posição de pilotagem é relativamente neutra. O guidão é largo e recuado, enquanto as pedaleiras não ficam tão avançadas quanto nas cruisers tradicionais. O banco está a apenas 790 mm do solo, facilitando o apoio dos pés, inclusive para pilotos de menor estatura.
Pneu de 240 mm é uma das marcas visuais
O pneu traseiro de 240 mm é um dos elementos mais reconhecíveis da Ducati Diavel V4. A medida reforça o porte musculoso e ocupa praticamente toda a largura da parte traseira.
Mesmo tão largo, o pneu foi desenvolvido para permitir inclinações e mudanças de direção superiores às encontradas em uma cruiser convencional. A combinação do chassi, da suspensão e do virabrequim contra-rotante ajuda a esconder parte do peso durante a condução.
A frenagem também acompanha o nível de desempenho. Na dianteira, a moto emprega dois discos de 330 mm com pinças radiais monobloco Brembo Stylema. Atrás, há um disco de 265 mm com pinça de dois pistões.
O sistema apresenta respostas rápidas e exige sensibilidade do piloto, principalmente em velocidades menores ou durante manobras mais delicadas.
Eletrônica controla a força dos 168 cv
Para administrar o elevado desempenho, a Ducati Diavel V4 utiliza uma plataforma inercial de seis eixos. Ela permite que os principais controles eletrônicos considerem a inclinação e os movimentos da motocicleta.
Entre os recursos disponíveis estão:
- ABS com funcionamento em curvas;
- controle de tração sensível à inclinação;
- controle de empinadas;
- controle de largada;
- quickshifter bidirecional;
- piloto automático;
- modos de pilotagem;
- painel TFT colorido;
- conectividade com telefone e música;
- piscas com desligamento automático.
Os quatro modos de condução são Sport, Touring, Urban e Wet. Cada configuração altera parâmetros como resposta do acelerador, entrega de potência, atuação do controle de tração, ABS e controle de empinadas.
No modo Urban, a resposta é mais progressiva e adequada ao trânsito. O Touring preserva o desempenho, mas busca oferecer uma condução mais administrável em viagens. Já o Sport libera respostas mais agressivas, enquanto o Wet prioriza a segurança em pisos molhados ou de baixa aderência.
Painel TFT reúne diferentes configurações
O painel TFT oferece informações como autonomia, consumo médio, consumo instantâneo, pressão dos pneus, temperatura externa, velocidade média, tempo de viagem e quilometragem parcial.
O piloto também pode alterar o brilho, selecionar temas claros ou escuros e configurar os modos de condução. As informações de controle de tração, ABS, quickshifter e controle de empinadas ficam permanentemente visíveis.
As tomadas de decisão são realizadas pelas botoeiras retroiluminadas instaladas no guidão. A motocicleta ainda utiliza sistema de chave presencial e permite desbloqueio por código PIN em situações específicas.
Design foi inspirado em atletas de velocidade
De acordo com o conceito apresentado pela Ducati, as proporções da Diavel foram inspiradas em velocistas posicionados para uma largada de 100 metros.
A dianteira larga e musculosa representa os ombros do atleta, enquanto a traseira curta e estreita reforça a sensação de movimento e explosão. A proposta aparece no tanque volumoso, nas entradas de ar laterais e no conjunto traseiro compacto.
Os apoios para o passageiro ficam escondidos quando não estão sendo utilizados. As pedaleiras podem ser recolhidas, enquanto uma alça retrátil fica integrada abaixo do banco. A solução preserva as linhas da moto durante a utilização individual.
A iluminação é totalmente em LED, incluindo luz de circulação diurna, farol, lanterna traseira e indicadores de direção sequenciais.
Manutenção das válvulas ocorre aos 60 mil quilômetros
Diferentemente de diversos motores esportivos da Ducati, o V4 Granturismo não utiliza o tradicional comando desmodrômico. O sistema emprega retorno das válvulas por molas, solução que permite ampliar os intervalos de manutenção.
A verificação da folga das válvulas está prevista para cada 60 mil quilômetros, um dos maiores intervalos encontrados em motocicletas de alto desempenho. A troca de óleo, porém, continua prevista em períodos menores, conforme o plano de manutenção da fabricante.
Isso não significa que a Diavel seja uma moto barata de manter. Pneus, seguro, revisões, combustível e peças são compatíveis com uma motocicleta premium de alto desempenho.
Ducati Diavel V4 não é indicada para principiantes
Embora o banco baixo facilite o contato dos pés com o chão, a Diavel V4 não deve ser confundida com uma motocicleta simples de controlar.
O peso, o entre-eixos longo, o torque elevado e a resposta sensível do acelerador exigem experiência. Mesmo com os controles eletrônicos, pequenas movimentações no punho podem produzir acelerações muito fortes.

Por isso, o modelo não é recomendado como primeira motocicleta ou como opção para alguém que acaba de migrar de motos de baixa cilindrada. A Diavel exige domínio de técnicas como frenagem progressiva, contraesterço, controle de acelerador e posicionamento corporal.
Nas mãos de um motociclista experiente, entretanto, consegue entregar desempenho esportivo, estabilidade em estrada e capacidade de inclinação surpreendente para uma moto com pneu traseiro tão largo.
Vale a pena comprar a Ducati Diavel V4?
A Ducati Diavel V4 é voltada a quem deseja uma motocicleta exclusiva, potente e capaz de combinar viagens, desempenho e presença visual.
Ela não oferece a proteção aerodinâmica de uma big trail nem a leveza de uma naked tradicional. Também não reproduz exatamente a experiência relaxada de uma cruiser convencional. Sua proposta é ocupar um espaço próprio entre esses segmentos.
Com 168 cv, eletrônica sofisticada, posição confortável e design marcante, a Diavel V4 entrega uma experiência difícil de encontrar em outra motocicleta. Em contrapartida, exige elevado investimento inicial, custos de manutenção consideráveis e, principalmente, experiência para controlar todo o seu potencial.
É uma moto feita menos para quem busca praticidade e mais para quem deseja sensações fortes, exclusividade e uma máquina que dificilmente passa despercebida.
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