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Início » Últimas Notícias » Compras compulsivas disparam no fim do ano e acendem alerta para saúde mental
Mercados

Compras compulsivas disparam no fim do ano e acendem alerta para saúde mental

Especialista explica que a compulsão por compras vai além do endividamento e pode estar ligada à ansiedade, depressão e isolamento social
André CarvalhoPor André Carvalho23 de dezembro de 20253 minutos lidos
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Compras compulsivas crescem no fim do ano e expõem risco silencioso à saúde mental

O aumento das compras impulsivas em períodos como Natal, Black Friday e promoções digitais tem revelado um problema que vai muito além das finanças pessoais: a oniomania, nome dado ao transtorno de compras compulsivas, que pode exigir acompanhamento psicológico e até psiquiátrico.

Durante entrevista no programa Notícia da Manhã, o psicólogo Kelvin Silva alertou que o consumo exagerado, muitas vezes tratado como algo banal, pode esconder sofrimento emocional profundo.

O que é oniomania e por que ela preocupa

A oniomania é caracterizada pela necessidade incontrolável de comprar, mesmo sem necessidade real ou condições financeiras. O problema não está no ato de comprar em si, mas no comportamento repetitivo e impulsivo, seguido por frustração, culpa e vergonha.

Principais sinais de alerta:

  • Compras frequentes de itens desnecessários

  • Sensação momentânea de alívio ou prazer após comprar

  • Perda rápida de interesse pelos produtos adquiridos

  • Acúmulo de objetos sem uso

  • Endividamento crescente

  • Vergonha ou ocultação das compras

  • Isolamento social e emocional

Relação entre consumo exagerado, ansiedade e depressão

Segundo o especialista, a compulsão por compras pode funcionar como uma válvula de escape emocional. Pessoas em quadros de ansiedade ou depressão tendem a buscar alívio rápido para sentimentos como vazio, tristeza ou falta de prazer.

“A compra gera uma expectativa de bem-estar, mas esse efeito é curto. Quando o produto chega, o interesse some e o sentimento de frustração aumenta”, explica o psicólogo.

Esse ciclo pode se repetir várias vezes, criando uma dependência emocional do ato de comprar.

Quando o consumo deixa de ser normal e vira um problema

A compulsão se torna preocupante quando gera prejuízos concretos, principalmente em duas frentes:

Prejuízo emocional

  • Sensação constante de culpa

  • Baixa autoestima

  • Isolamento social

  • Vergonha de pedir ajuda

Prejuízo financeiro

  • Dívidas recorrentes

  • Uso excessivo de cartão de crédito

  • Incapacidade de pagar contas básicas

  • Estresse financeiro constante

Em muitos casos, familiares percebem o problema antes da própria pessoa, especialmente em encontros de fim de ano.

Por que as promoções aumentam o risco

Datas promocionais exploram gatilhos emocionais como:

  • Urgência (“última chance”)

  • Escassez (“estoque limitado”)

  • Medo de perder (“só hoje”)

Esses estímulos são especialmente perigosos para pessoas vulneráveis emocionalmente, aumentando compras por impulso e decisões pouco racionais.

Estratégias práticas para evitar compras impulsivas

O psicólogo sugere medidas simples, mas eficazes:

Faça listas de compras

Escreva o que realmente precisa e revise a lista no dia seguinte antes de comprar.

Evite compras no impulso

Coloque o produto no carrinho, mas não finalize a compra imediatamente.

Reflita antes de comprar

Pergunte-se:

  • Eu realmente preciso disso?

  • Isso cabe no meu orçamento?

  • Estou comprando por necessidade ou emoção?

Reduza exposição a anúncios

Sempre que possível, limite notificações e propagandas em aplicativos e redes sociais.

Tratamento: quando e como buscar ajuda

O tratamento varia conforme a gravidade do caso e pode envolver:

Psicoterapia

Ajuda o paciente a identificar gatilhos emocionais, padrões de comportamento e desenvolver estratégias de controle.

Acompanhamento psiquiátrico

Em casos mais graves, pode ser necessária medicação, especialmente quando há associação com ansiedade ou depressão.

Apoio da família

O suporte familiar é essencial para reduzir a culpa, incentivar o tratamento e evitar o isolamento.

“Criar esperança é o primeiro passo. Muitos problemas se resolvem mais rápido do que a pessoa imagina quando ela busca ajuda”, reforça o especialista.

Tempo de tratamento

Não há um prazo fixo. A duração depende de fatores como:

  • Grau de endividamento

  • Intensidade do transtorno

  • Histórico emocional

  • Adesão ao tratamento

Em muitos casos, melhorias significativas surgem já nos primeiros meses de acompanhamento.

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ansiedade compras compulsivas depressão endividamento saúde mental
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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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