O aumento das compras impulsivas em períodos como Natal, Black Friday e promoções digitais tem revelado um problema que vai muito além das finanças pessoais: a oniomania, nome dado ao transtorno de compras compulsivas, que pode exigir acompanhamento psicológico e até psiquiátrico.
Durante entrevista no programa Notícia da Manhã, o psicólogo Kelvin Silva alertou que o consumo exagerado, muitas vezes tratado como algo banal, pode esconder sofrimento emocional profundo.
O que é oniomania e por que ela preocupa
A oniomania é caracterizada pela necessidade incontrolável de comprar, mesmo sem necessidade real ou condições financeiras. O problema não está no ato de comprar em si, mas no comportamento repetitivo e impulsivo, seguido por frustração, culpa e vergonha.
Principais sinais de alerta:
Compras frequentes de itens desnecessários
Sensação momentânea de alívio ou prazer após comprar
Perda rápida de interesse pelos produtos adquiridos
Acúmulo de objetos sem uso
Endividamento crescente
Vergonha ou ocultação das compras
Isolamento social e emocional
Relação entre consumo exagerado, ansiedade e depressão
Segundo o especialista, a compulsão por compras pode funcionar como uma válvula de escape emocional. Pessoas em quadros de ansiedade ou depressão tendem a buscar alívio rápido para sentimentos como vazio, tristeza ou falta de prazer.
“A compra gera uma expectativa de bem-estar, mas esse efeito é curto. Quando o produto chega, o interesse some e o sentimento de frustração aumenta”, explica o psicólogo.
Esse ciclo pode se repetir várias vezes, criando uma dependência emocional do ato de comprar.
Quando o consumo deixa de ser normal e vira um problema
A compulsão se torna preocupante quando gera prejuízos concretos, principalmente em duas frentes:
Prejuízo emocional
Sensação constante de culpa
Baixa autoestima
Isolamento social
Vergonha de pedir ajuda
Prejuízo financeiro
Dívidas recorrentes
Uso excessivo de cartão de crédito
Incapacidade de pagar contas básicas
Estresse financeiro constante
Em muitos casos, familiares percebem o problema antes da própria pessoa, especialmente em encontros de fim de ano.
Por que as promoções aumentam o risco
Datas promocionais exploram gatilhos emocionais como:
Urgência (“última chance”)
Escassez (“estoque limitado”)
Medo de perder (“só hoje”)
Esses estímulos são especialmente perigosos para pessoas vulneráveis emocionalmente, aumentando compras por impulso e decisões pouco racionais.
Estratégias práticas para evitar compras impulsivas
O psicólogo sugere medidas simples, mas eficazes:
Faça listas de compras
Escreva o que realmente precisa e revise a lista no dia seguinte antes de comprar.
Evite compras no impulso
Coloque o produto no carrinho, mas não finalize a compra imediatamente.
Reflita antes de comprar
Pergunte-se:
Eu realmente preciso disso?
Isso cabe no meu orçamento?
Estou comprando por necessidade ou emoção?
Reduza exposição a anúncios
Sempre que possível, limite notificações e propagandas em aplicativos e redes sociais.
Tratamento: quando e como buscar ajuda
O tratamento varia conforme a gravidade do caso e pode envolver:
Psicoterapia
Ajuda o paciente a identificar gatilhos emocionais, padrões de comportamento e desenvolver estratégias de controle.
Acompanhamento psiquiátrico
Em casos mais graves, pode ser necessária medicação, especialmente quando há associação com ansiedade ou depressão.
Apoio da família
O suporte familiar é essencial para reduzir a culpa, incentivar o tratamento e evitar o isolamento.
“Criar esperança é o primeiro passo. Muitos problemas se resolvem mais rápido do que a pessoa imagina quando ela busca ajuda”, reforça o especialista.
Tempo de tratamento
Não há um prazo fixo. A duração depende de fatores como:
Grau de endividamento
Intensidade do transtorno
Histórico emocional
Adesão ao tratamento
Em muitos casos, melhorias significativas surgem já nos primeiros meses de acompanhamento.
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