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Início » Últimas Notícias » China acelera corrida naval com caça furtivo J-35 e super porta-aviões nuclear Tipo 004
Mercados

China acelera corrida naval com caça furtivo J-35 e super porta-aviões nuclear Tipo 004

Nova geração de porta-aviões chineses, combinada ao caça furtivo embarcado J-35, revela estratégia para expandir poder militar da China nos oceanos nas próximas décadas
Carlos MenezesPor Carlos Menezes7 de março de 20266 minutos lidos
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Uma transformação profunda está em andamento na Marinha da China, impulsionada por uma combinação de novos porta-aviões avançados e aeronaves furtivas projetadas especificamente para operar no mar. No centro dessa estratégia está o desenvolvimento do caça furtivo Shenyang J-35, uma aeronave de quinta geração criada para integrar a próxima geração de grupos de porta-aviões chineses.

O avanço tecnológico não se limita apenas às aeronaves. A China também está construindo navios cada vez maiores e mais sofisticados, incluindo porta-aviões equipados com sistemas eletromagnéticos de lançamento de aeronaves e projetos futuros que podem incluir propulsão nuclear, ampliando significativamente o alcance e a autonomia de suas forças navais.

Essa combinação de navios avançados e caças furtivos mostra que Pequim pretende transformar sua marinha em uma força capaz de operar em escala global nas próximas décadas.

Estratégia chinesa: integrar porta-aviões e caças furtivos

A estratégia naval chinesa gira em torno de um conceito central: desenvolver porta-aviões e aeronaves como um sistema integrado.

Em vez de projetar navios e aviões separadamente, a China parece estar planejando suas futuras frotas de forma coordenada, garantindo que cada componente seja otimizado para operar em conjunto.

Nesse modelo, o porta-aviões atua como uma base aérea móvel no mar, enquanto os caças furtivos e aeronaves de apoio formam o núcleo do poder ofensivo e defensivo da frota.

Essa abordagem busca maximizar:

  • alcance operacional

  • capacidade de projeção de poder

  • integração de sensores e dados em rede

  • operações conjuntas com outras plataformas navais

O objetivo final é permitir que grupos de porta-aviões chineses operem longe do território nacional, protegendo rotas marítimas e interesses estratégicos.

J-35: o caça furtivo naval da nova geração chinesa
China's New J-35 Stealth Fighter Carries Its Missiles 'Internally' -  National Security Journal

A aeronave central desse plano é o Shenyang J-35, um caça furtivo de quinta geração projetado desde o início para operações embarcadas.

Diferente de caças desenvolvidos para bases terrestres, o J-35 possui características essenciais para operar em porta-aviões, incluindo:

  • trem de pouso reforçado para pousos em convés

  • asas dobráveis para armazenamento em hangar

  • compatibilidade com catapultas eletromagnéticas

  • sensores avançados e guerra eletrônica integrada

  • capacidade de operar em redes de combate digital

O design do J-35 lembra, em alguns aspectos, o F-35 Lightning II utilizado pela Marinha dos Estados Unidos e por diversas forças aéreas ao redor do mundo.

Assim como o caça americano, o J-35 aposta em:

  • baixa observabilidade (stealth)

  • fusão de sensores

  • compartilhamento de dados entre plataformas

Essas características permitem que a aeronave atue como nó central de informação no campo de batalha, coordenando navios, drones e outros aviões.

Por que o J-20 não serve para porta-aviões
O caça J-20 se torna o coração da rede de destruição da China com alcance  de radar triplicado.

Antes do J-35, a China já havia desenvolvido o Chengdu J-20, outro caça furtivo avançado.

No entanto, o J-20 foi projetado principalmente para operações terrestres de longo alcance, priorizando velocidade, altitude e alcance.

Isso o torna inadequado para porta-aviões porque:

  • sua estrutura é grande demais para conveses compactos

  • não possui asas dobráveis

  • não foi projetado para pousos com cabos de parada

  • não possui trem de pouso reforçado para impacto no convés

Por esse motivo, o J-35 se tornou a solução ideal para aviação naval, substituindo gradualmente os caças embarcados mais antigos.

J-15: o caça atual dos porta-aviões chineses
Tubarão Voador" - O J-15 da Marinha Chinesa

Atualmente, os porta-aviões chineses utilizam principalmente o Shenyang J-15, um caça baseado em um projeto derivado do Sukhoi Su-33 russo.

Embora seja uma aeronave poderosa, o J-15 apresenta limitações importantes:

  • ausência de tecnologia furtiva

  • maior peso operacional

  • necessidade de rampa de lançamento tipo “ski jump”

Essas limitações reduzem sua capacidade em cenários de combate modernos, especialmente contra adversários equipados com radares avançados.

Por isso, o J-35 deverá substituir gradualmente o J-15 nas futuras alas aéreas embarcadas da China.

Evolução dos porta-aviões chineses

O programa de porta-aviões da China evoluiu rapidamente nas últimas duas décadas.

Liaoning: o primeiro porta-aviões

O primeiro porta-aviões chinês foi o Liaoning, originalmente um navio soviético inacabado adquirido pela China e posteriormente modernizado.

Ele serviu principalmente como plataforma de treinamento, permitindo que pilotos e tripulações ganhassem experiência em operações embarcadas.

Shandong: primeiro porta-aviões totalmente chinês

O segundo navio da frota foi o Shandong, o primeiro porta-aviões construído inteiramente pela indústria naval chinesa.

Ele manteve o sistema de lançamento por rampa, conhecido como ski jump, mas representou um grande avanço na capacidade industrial e tecnológica da China.

Fujian: salto tecnológico com catapultas eletromagnéticas

O avanço mais significativo ocorreu com o porta-aviões Fujian, o primeiro da China equipado com catapultas eletromagnéticas (EMALS).

Esse sistema funciona por meio de motores elétricos que aceleram aeronaves ao longo do convés, substituindo as catapultas a vapor usadas em gerações anteriores.

As vantagens incluem:

  • lançamento mais eficiente de aeronaves

  • capacidade de lançar aviões mais pesados

  • maior variedade de aeronaves embarcadas

  • redução do estresse estrutural nas aeronaves

O Fujian ainda está em fase de testes operacionais.

Superporta-aviões Tipo 004 pode rivalizar com os maiores do mundo
Imagens de satélite revelam novos detalhes sobre a construção do futuro  porta-aviões Tipo 004 da Marinha da China

Analistas militares acreditam que o próximo passo do programa naval chinês será o porta-aviões Tipo 004, um navio ainda maior.

As estimativas indicam que o navio pode deslocar entre 110 mil e 120 mil toneladas, aproximando-se dos superporta-aviões americanos da classe Gerald R. Ford.

Outra característica importante seria o uso de propulsão nuclear, o que permitiria:

  • longos períodos no mar sem reabastecimento

  • maior geração de energia para sistemas eletrônicos

  • operação contínua em regiões distantes

Se confirmado, o Tipo 004 colocaria a China no seleto grupo de países capazes de operar superporta-aviões nucleares.

O desafio real: experiência operacional

Apesar do avanço tecnológico impressionante, construir navios e aeronaves é apenas parte do desafio.

Operar grupos de porta-aviões envolve um sistema extremamente complexo que inclui:

  • coordenação entre pilotos e tripulações

  • logística de abastecimento no mar

  • manutenção intensiva de aeronaves

  • escolta de navios de guerra

  • integração com satélites e sistemas de comando

A Marinha dos Estados Unidos possui mais de 80 anos de experiência em operações com porta-aviões, algo que ainda está sendo desenvolvido pela China.

Treinamento intensivo e exercícios navais

Para acelerar esse processo, a China tem ampliado exercícios navais envolvendo múltiplos porta-aviões.

Essas operações permitem:

  • treinamento de pilotos para pousos embarcados

  • testes de coordenação entre frotas

  • desenvolvimento de logística no mar

  • integração de sistemas de combate

Outro foco importante é o treinamento de pilotos especializados em pousos em convés de porta-aviões, considerados uma das manobras mais difíceis da aviação militar.

O que muda no equilíbrio naval global

A rápida modernização da marinha chinesa tem potencial para alterar gradualmente o equilíbrio estratégico no Pacífico e em outras regiões marítimas.

Nos próximos anos, especialistas esperam que a China:

  • aumente o número de porta-aviões operacionais

  • expanda a presença naval em rotas comerciais

  • desenvolva novas aeronaves embarcadas

  • fortaleça sua capacidade de projeção de poder

A próxima década será decisiva para avaliar se a China conseguirá transformar seus avanços tecnológicos em operações sustentadas de grupos de porta-aviões em escala global.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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