A possível privatização da CEMIG (CMIG3 e CMIG4) e da Copasa (CSMG3) reacende o debate sobre eficiência e valorização das estatais mineiras. Ambas as companhias, controladas pelo governo de Minas Gerais, vêm apresentando resultados sólidos, dividendos consistentes e boas perspectivas de crescimento.
Com a expectativa de que o processo de desestatização avance até 2026, investidores observam o potencial de valorização das ações — especialmente da CEMIG, que pode subir mais de 30%, segundo estudo da Genial Investimentos.
CEMIG: dividendos altos e projeção de salto em 2026
A CEMIG é uma das maiores companhias do setor elétrico brasileiro, competindo com Copel (CPLE6), CPFL (CPFE3), Engie (EGIE3) e Auren (AURE3). Com payout de 78% e dividend yield entre 11% e 14%, a estatal mineira mantém uma das políticas de proventos mais generosas do setor.
Além da atuação tradicional na distribuição, a CEMIG vem ampliando sua presença no mercado livre de energia, um segmento estratégico que deve crescer com a abertura do mercado elétrico brasileiro. Caso a privatização seja confirmada, a expectativa é de ganhos de eficiência, redução de custos e ampliação de margens — cenário semelhante ao que ocorreu com a Sabesp após sua privatização em São Paulo.
Segundo a Genial Investimentos, o preço-alvo para as ações preferenciais CMIG4 em um cenário otimista é de R$ 23,70, enquanto os papéis hoje giram em torno de R$ 10, o que representa potencial de valorização superior a 30%.
Diferença entre CMIG3 e CMIG4
As ações CMIG4 não possuem proteção de tag along, enquanto as CMIG3 contam com 80% de proteção em caso de venda de controle. Essa diferença faz com que a CMIG4 apresente maior rentabilidade, mas também maior risco para o acionista minoritário.
| Código | Cotação Atual | Dividend Yield | Tag Along | Potencial de Valorização |
|---|---|---|---|---|
| CMIG4 | R$ 10,10 | 13,5% | 0% | +30% (R$ 23,70) |
| CMIG3 | R$ 13,80 | 9,8% | 80% | +25% (R$ 17,30) |
Copasa segue trilha da Sabesp e pode ser a próxima privatização
No setor de saneamento, a Copasa desponta como a principal candidata à privatização em Minas Gerais. Com ações negociadas em torno de R$ 35,75, a companhia acumula alta de mais de 80% desde o início de 2025, quando seus papéis estavam próximos de R$ 19.
A expectativa de entrada de capital privado e expansão para outros estados impulsiona o otimismo do mercado. Além disso, a Copasa mantém histórico sólido de dividendos, com pagamentos em março, junho e setembro, garantindo fluxo de caixa constante ao acionista.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Cotação atual | R$ 35,75 |
| Dividend Yield 2025 | 8,7% |
| Pagamentos anuais | Março, Junho, Setembro |
| Alta no ano | +80% |
| Potencial com privatização | +20% a +25% |
Com o avanço das discussões, a Copasa pode seguir os passos da Sabesp (SBSP3), que, após a privatização, passou a operar com mais eficiência e ampliou sua participação no mercado nacional de saneamento.
Energia e saneamento: setores perenes com oportunidades de privatização
Os setores de energia elétrica e saneamento básico são considerados defensivos e perenes — com receitas previsíveis, mesmo em tempos de alta da Selic. A perspectiva de privatizações nesses segmentos cria uma janela de oportunidades para investidores que buscam renda passiva e valorização patrimonial.
Com as eleições de 2026 se aproximando, o governo de Minas pode acelerar o processo de privatização ainda no primeiro semestre, o que traria uma injeção de recursos e redução da dívida pública estadual.
CEMIG: deve manter dividendos entre 11% e 14% ao ano e apresenta potencial de valorização de até 30% com a privatização.
Copasa: mantém tendência de alta e projeção otimista de valorização entre 20% e 25%, caso o processo de desestatização avance.
Investidores: enxergam nos setores elétrico e de saneamento as maiores oportunidades de 2025-2026, com foco em dividendos robustos e potencial de ganhos de capital.
A trajetória da Sabesp mostra que a privatização pode destravar valor significativo. Se Minas Gerais seguir o mesmo caminho, CEMIG e Copasa têm tudo para se tornarem protagonistas da próxima grande reestruturação do mercado brasileiro.
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