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Início » Últimas Notícias » Cemig ainda é boa pagadora ou perdeu força? Veja o que mudou
Mercados

Cemig ainda é boa pagadora ou perdeu força? Veja o que mudou

Após anos de forte distribuição de dividendos, a Cemig entra em nova fase com aumento da dívida, queda no lucro e incertezas sobre o futuro dos pagamentos
Mariana DuartePor Mariana Duarte10 de abril de 20264 minutos lidos
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A Cemig, uma das principais empresas do setor elétrico brasileiro, voltou ao centro das discussões no mercado financeiro. Após anos de forte distribuição de dividendos e valorização expressiva das ações, os investidores começam a reavaliar o papel diante de mudanças relevantes nos fundamentos da companhia.

Nos últimos 12 meses, a empresa acumulou valorização próxima de 45%, ao mesmo tempo em que entregou dividendos elevados, chegando a cerca de 13% ao ano. No entanto, projeções mais recentes indicam um cenário bem diferente para os próximos anos.

Dividendos elevados podem não se repetir

Historicamente, a Cemig foi considerada uma “máquina de dividendos”, com média de aproximadamente 11,5% ao ano nos últimos cinco anos. Esse desempenho atraiu investidores em busca de renda passiva e previsibilidade.

Mas esse cenário tende a mudar.

Projeções do mercado indicam que:

  • Dividend yield pode cair para cerca de 6% em 2026
  • Pode ficar abaixo disso em 2027
  • Lucro pode recuar para menos de R$ 4 bilhões nos próximos anos

Essa mudança ocorre porque parte relevante dos dividendos passados veio de eventos não recorrentes, como venda de ativos e revisões tarifárias, o que inflou temporariamente os resultados.

Dívida crescente muda a dinâmica da empresa

Um dos principais pontos de atenção hoje é o crescimento acelerado da dívida.

Entre 2018 e 2024, a dívida da companhia cresceu mais de 5 vezes, o que altera significativamente a estrutura financeira da empresa.

Além disso:

  • A alavancagem praticamente dobrou recentemente
  • Parte relevante da dívida é de curto prazo
  • Despesas financeiras tendem a continuar elevadas

Na prática, isso significa menor capacidade de distribuição de dividendos no curto e médio prazo.

Capex bilionário pode pressionar lucros

Outro fator que pesa na análise é o plano de investimentos da empresa.

A Cemig prevê:

  • R$ 6,7 bilhões em investimentos apenas em 2026
  • Cerca de R$ 44 bilhões até 2030
  • Média de mais de R$ 9 bilhões por ano após 2026

Esse nível de investimento é extremamente elevado e, em alguns casos, próximo ao próprio resultado operacional da empresa.

O impacto direto disso é claro:

  • Redução do lucro líquido
  • Necessidade de reter caixa
  • Menor distribuição de dividendos

Resultado operacional já mostra sinais de fraqueza

Os números mais recentes também acendem alerta.

O EBITDA veio abaixo do esperado, com queda de eficiência operacional causada por:

  • Aumento expressivo de despesas
  • Menor volume operacional
  • Pressão de custos

Esse desempenho reforça a percepção de que a empresa entrou em um novo ciclo, menos favorável no curto prazo.

Possível privatização entra no radar

Apesar dos desafios, existe um fator que pode sustentar o interesse no papel: a possibilidade de privatização.

O estado de Minas Gerais possui uma dívida elevada com a União, estimada em cerca de R$ 180 bilhões, e uma das alternativas para reduzir esse passivo é a venda de ativos estatais.

Nesse contexto:

  • A privatização da Copasa já é amplamente discutida
  • A Cemig pode seguir o mesmo caminho no futuro
  • Expectativas desse tipo costumam impulsionar as ações

Esse cenário cria um “gatilho” de valorização, mesmo diante de fundamentos pressionados.

A ação está cara ou barata?

Mesmo com os desafios, a Cemig ainda apresenta características interessantes:

  • P/L próximo de 9 vezes (relativamente baixo)
  • Margem de segurança moderada em alguns modelos
  • Histórico forte de geração de caixa

Por outro lado:

  • Preço já está próximo ou acima do consenso de analistas
  • Dividendos futuros tendem a cair
  • Risco aumentou com a dívida

Ou seja, o papel pode até parecer barato, mas o mercado está precificando o risco crescente.

Vale a pena investir em CMIG4 hoje?

A resposta depende do perfil do investidor.

Pontos positivos:

  • Histórico sólido de dividendos
  • Empresa perene do setor elétrico
  • Possível valorização com privatização

Pontos de atenção:

  • Queda esperada nos dividendos
  • Forte aumento da dívida
  • Pressão no lucro nos próximos anos

Hoje, o consenso de mercado aponta para uma postura mais conservadora, com recomendação predominante de manutenção.

A Cemig segue sendo uma empresa relevante e com histórico consistente, mas já não apresenta o mesmo perfil de “pagadora de dividendos” que marcou os últimos anos.

O investidor que olhar apenas para o passado pode se frustrar.

Agora, o cenário exige uma análise mais cuidadosa, considerando:

  • Novo ciclo de investimentos
  • Mudança na estrutura de capital
  • Redução da previsibilidade dos dividendos

O papel pode continuar interessante, mas com um perfil diferente — mais dependente de valorização futura do que de renda imediata.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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