A cúpula do BRICS — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e países parceiros — demonstrou o maior grau de unidade e força política desde sua criação. A presidência rotativa, atualmente exercida pelo Brasil, foi marcada por discursos contundentes contra práticas comerciais dos Estados Unidos e a defesa de uma nova governança global multilateral.
Lula critica tarifas e presença militar dos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu os discursos com fortes críticas à política comercial norte-americana, acusando os EUA e a União Europeia de praticarem chantagens tarifárias e condutas comerciais ilegais. Segundo Lula, os países do BRICS são vítimas desse tipo de coerção, e precisam responder com união e fortalecimento da cooperação multilateral.
Lula também voltou a classificar a situação em Gaza como genocídio, reiterando críticas ao apoio dos EUA a Israel e à presença militar norte-americana na Venezuela. O presidente brasileiro afirmou que a América do Sul é historicamente pacífica e não deve ser palco de intervenções externas.
Além disso, reforçou o apoio do Brasil ao protesto da África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça em Haia, e defendeu a criação de um Estado palestino com base na solução de dois Estados.
Propostas ambientais e tecnológicas
Outro destaque do discurso de Lula foi o apelo pela criação de um Conselho de Mudança Climática dentro da ONU. Ele também anunciou o Fundo das Florestas Tropicais para Sempre, voltado à preservação ambiental, e reforçou o convite aos líderes do BRICS para participarem da COP 30, que será realizada em Belém do Pará, em novembro de 2025.
Lula alertou para possíveis boicotes à conferência por parte dos EUA e seus aliados, e defendeu que o BRICS esteja unido para evitar o esvaziamento do evento climático.
Reforma no Conselho de Segurança da ONU
Em um dos momentos mais enfáticos da reunião, Lula defendeu a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, com inclusão de membros permanentes da América Latina, África e mais representantes asiáticos. Segundo ele, a atual estrutura do órgão não representa o equilíbrio geopolítico global e precisa ser atualizada.
Xi Jinping pede resistência ao unilateralismo
O presidente da China, Xi Jinping, também teve papel central na cúpula. Ele incentivou os países do BRICS a resistirem ao unilateralismo e ao protecionismo norte-americano, e reafirmou o compromisso chinês com o multilateralismo e o desenvolvimento global.
Em tom diplomático, mas firme, Xi declarou:
“O vento forte revela a resistência da grama, e o fogo intenso mostra o verdadeiro ouro. Enquanto tivermos coragem para assumir responsabilidades e nos apoiarmos mutuamente, o navio dos BRICS seguirá firme e estável rumo ao futuro.”
Xi também reforçou que a China continuará a ajudar os países prejudicados pelas tarifas dos EUA, ampliando o comércio com parceiros estratégicos como o Brasil.
BRICS amplia protagonismo global
A presença de países como Egito, Irã, Indonésia e Emirados Árabes Unidos na cúpula mostra o crescente interesse de outras nações em integrar ou se aproximar do BRICS. O bloco tem buscado se consolidar como alternativa ao modelo dominado por Estados Unidos e Europa, oferecendo uma agenda centrada em soberania, desenvolvimento sustentável e respeito à diversidade geopolítica.
A cúpula virtual do BRICS marca um novo momento de força diplomática do grupo, com liderança ativa do Brasil e da China. Em meio a tensões comerciais e geopolíticas, o bloco demonstra coesão e vontade de protagonizar uma nova ordem mundial multipolar, sem recorrer à lógica de ameaças, mas por meio de diplomacia, cooperação e investimento estratégico.
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