O presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou, na manhã desta segunda-feira (08), uma reunião virtual com os líderes do BRICS — bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, além de novos membros como Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Irã e Arábia Saudita. O encontro, convocado pelo Brasil, que atualmente ocupa a presidência rotativa do grupo, teve como foco o fortalecimento do multilateralismo, a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a resposta às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Reforma da OMC e crítica às tarifas de Trump
Durante o encontro, Lula reforçou a necessidade de reformar a OMC para garantir regras mais justas no comércio global. A proposta ganha força em meio ao aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos, especialmente após o ex-presidente Donald Trump anunciar um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. A medida é vista por parte do governo brasileiro como uma tentativa de interferência política no julgamento de Jair Bolsonaro pelo STF, embora o Planalto evite escalada retórica para não alimentar novas retaliações norte-americanas.
Segundo a repórter Fernanda Câmara, o governo brasileiro busca marcar posição de forma firme, porém diplomática, defendendo a soberania nacional sem romper pontes com Washington. “A ideia é mostrar união entre os BRICS diante de ataques externos, mas também sinalizar disposição para o diálogo construtivo com os EUA”, relatou.
Multilateralismo e impasses no discurso
A analista Mariana Almeida destacou, no entanto, que o apelo por multilateralismo carece de propostas concretas. “Falta uma agenda clara sobre como tornar a OMC relevante novamente, já que os próprios EUA, que ajudaram a criar a organização, hoje a ignoram sistematicamente”, afirmou. Mariana também questionou se países como China, Rússia e Irã — que têm modelos políticos autoritários — conseguiriam sustentar um discurso de liberalismo comercial que tradicionalmente acompanha os princípios da OMC.
Ainda assim, a cúpula serviu para unir as vozes do BRICS diante dos desafios globais, incluindo os conflitos na Ucrânia e em Gaza, e reforçar a demanda por reformas nas Nações Unidas, especialmente no Conselho de Segurança.
COP 30 e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre
Outro destaque da reunião foi o convite de Lula para que os países do BRICS participem ativamente da COP 30, que acontecerá em Belém, no Pará, em novembro de 2025. O Brasil pretende aproveitar o evento para lançar o “Fundo Florestas Tropicais para Sempre”, uma iniciativa voltada à captação de recursos para financiar a conservação florestal e a transição energética em países em desenvolvimento.
A proposta é parte da estratégia brasileira de protagonismo ambiental e busca reunir apoio internacional para mecanismos mais robustos de financiamento climático, em especial voltados à proteção da Amazônia e de outros biomas tropicais.
Declaração final e próximos passos
Apesar da importância simbólica do encontro, não foi divulgada uma declaração conjunta oficial ao final da cúpula. A ausência de um documento consensual reflete as diferentes nuances políticas entre os membros do BRICS, especialmente na relação com os Estados Unidos. Ainda assim, o governo brasileiro divulgou uma nota destacando os principais pontos discutidos, reiterando o compromisso com o multilateralismo, a reforma das instituições globais e a cooperação entre os países do bloco.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






