O Bitcoin sofreu forte pressão nesta terça-feira, 15 de setembro, depois que o Senado dos Estados Unidos não conseguiu avançar o Clarity Act, projeto considerado um dos principais esforços para estabelecer regras mais abrangentes para o mercado de ativos digitais no país.
A votação para encerrar o debate e permitir o avanço da proposta terminou em 49 votos favoráveis e 50 contrários, segundo o registro oficial do Senado. Eram necessários 60 votos.
A reação do mercado foi imediata. O Bitcoin chegou a recuar para aproximadamente US$ 74,9 mil durante a sessão e posteriormente permaneceu próximo de US$ 76 mil. A Coinbase e outras companhias ligadas ao setor também registraram fortes perdas.
Por que o Clarity Act era importante para o mercado cripto?
O projeto buscava criar uma estrutura federal mais clara para ativos digitais nos Estados Unidos, principalmente na divisão de responsabilidades entre a Securities and Exchange Commission (SEC) e a Commodity Futures Trading Commission (CFTC).
A indústria defendia que regras mais definidas poderiam reduzir disputas jurídicas e dar maior segurança para empresas e investidores institucionais. Já opositores levantaram preocupações relacionadas a estabilidade financeira, proteção ao consumidor, ética de autoridades públicas e efeitos das stablecoins sobre o sistema bancário.
Com a derrota no Senado e a proximidade das eleições legislativas de novembro, o avanço de uma regulamentação ampla se tornou mais incerto no curto prazo.
Stablecoins já possuem regulamentação própria
A derrota do Clarity Act não significa, porém, que todo o mercado de criptomoedas esteja sem regras nos Estados Unidos.
Em julho de 2025, o governo americano sancionou o GENIUS Act, legislação federal destinada especificamente à regulamentação de stablecoins de pagamento. A lei criou requisitos para emissores e estabeleceu uma estrutura regulatória nacional para esse segmento.
Essa diferença é importante porque stablecoins como USDC e USDT desempenham papel crescente na infraestrutura do mercado de ativos digitais.
Ainda assim, a existência de uma legislação para stablecoins não significa que Ethereum, Solana ou protocolos de finanças descentralizadas estejam automaticamente regulamentados pelo mesmo regime. A abrangência jurídica de cada ativo continua dependendo de suas características e das regras aplicáveis.
Queda do Bitcoin pode aumentar volatilidade
A rejeição do avanço do Clarity Act adicionou uma nova fonte de incerteza em um momento já delicado para ativos de risco.
Além do debate regulatório, o Bitcoin enfrenta pressão provocada pela alta dos rendimentos dos títulos americanos e pelas expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve. Na véspera da votação, investidores já acompanhavam uma combinação de juros elevados, petróleo acima de US$ 100 e maior aversão a risco.
Antes do revés legislativo, o Bitcoin havia recuperado terreno depois de atingir aproximadamente US$ 60 mil no fim de agosto e voltar a superar US$ 70 mil.
Bitcoin pode voltar aos US$ 80 mil?
Parte dos analistas do mercado continua enxergando a região acima de US$ 80 mil como possível caso a demanda institucional se recupere.
Na transcrição analisada, a projeção apresentada aponta para uma possível recuperação entre US$ 82 mil e US$ 86 mil após a queda. Trata-se, porém, de uma estimativa do analista e não de uma garantia de comportamento futuro do ativo.
O cenário imediato permanece condicionado ao comportamento dos juros americanos, aos fluxos para produtos institucionais ligados ao Bitcoin e, principalmente, aos próximos passos de Washington para estabelecer regras mais abrangentes para o setor.
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