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Início » Últimas Notícias » Bicicleta elétrica de 3.000 W chega a 80 km/h, custa cerca de R$ 12 mil e já supera muita moto urbana
Mercados

Bicicleta elétrica de 3.000 W chega a 80 km/h, custa cerca de R$ 12 mil e já supera muita moto urbana

Com duas baterias, pneus largos e visual de motocicleta, GT73 Pro impressiona pela velocidade e autonomia anunciadas, mas configuração ultrapassa os limites legais de uma bicicleta elétrica no Brasil
André CarvalhoPor André Carvalho13 de setembro de 20266 minutos lidos
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Bicicleta elétrica de 3.000 W chega a 80 km/h, custa cerca de R$ 12 mil e já supera muita moto urbana

Uma bicicleta elétrica capaz de alcançar 80 km/h, percorrer longas distâncias e enfrentar ruas esburacadas com suspensão de perfil off-road. Essa é a proposta da GT73 Pro, modelo testado pelo criador de conteúdo GahSantos Tube que, apesar dos pedais, entrega desempenho comparável — e até superior — ao de muitas motocicletas urbanas.

No vídeo, o influenciador apresenta uma unidade desbloqueada equipada com motor de 3.000 W, painel colorido, iluminação completa, pneus largos e banco estendido. Segundo ele, a bicicleta teria sido oferecida por aproximadamente R$ 12 mil mediante cupom promocional, depois de aparecer anunciada por valores de até R$ 24 mil.

O dado que mais chama atenção, porém, está no desempenho: o modelo promete chegar aos 80 km/h no modo de maior potência.

“Dá até medo”, admite GahSantos durante a condução, ao comentar a força da aceleração.

Essa velocidade coloca a GT73 Pro no mesmo território de motos pequenas usadas no trânsito urbano — e cria uma questão importante: pelas regras brasileiras, ela não pode ser tratada como uma bicicleta elétrica convencional quando circula nessa configuração.

Motor de 3.000 W e duas baterias

A GT73 Pro é apresentada oficialmente pela Riding’times como uma bicicleta elétrica voltada principalmente ao uso fora de estrada. O conjunto reúne motor com potência máxima anunciada de 3.000 W e duas baterias removíveis de 60 V, com capacidade conjunta de aproximadamente 36 Ah.

A fabricante informa velocidade máxima de até 50 mph, equivalentes a pouco mais de 80 km/h. A autonomia anunciada pode chegar a cerca de 137 quilômetros usando somente o acelerador, dependendo das condições de condução, do peso transportado, do terreno e da velocidade.

Com auxílio dos pedais, alguns anúncios comerciais falam em distâncias ainda maiores. Esses números, entretanto, representam condições estimadas pelo fabricante e não devem ser interpretados como autonomia garantida em qualquer situação.

No teste brasileiro, GahSantos afirma que a bicicleta pode alcançar cerca de 150 quilômetros sem pedalar e menciona uma estimativa de até 272 quilômetros com assistência dos pedais. Ele também relata ter percorrido aproximadamente 80 quilômetros entre trilhas e vias locais sem observar uma queda significativa no indicador da bateria.

A própria experiência mostrada no vídeo reforça um princípio conhecido dos veículos elétricos: acelerar constantemente entre 60 e 80 km/h reduz consideravelmente a autonomia. Mantendo velocidades próximas de 32 km/h, o consumo tende a ser menor.

Ela corre realmente mais que uma moto?

A resposta depende da motocicleta usada na comparação.

Muitas motos de baixa cilindrada conseguem ultrapassar 80 km/h, especialmente modelos de 110, 125 ou 160 cilindradas. A GT73 Pro, portanto, não é necessariamente mais rápida do que todas elas.

Mesmo assim, seus 80 km/h anunciados superam a velocidade de ciclomotores limitados a 50 km/h e colocam o modelo acima de algumas scooters e motos elétricas urbanas de entrada.

O impacto também é diferente do sugerido pela aparência de bicicleta. Como motores elétricos entregam torque imediatamente, a arrancada pode surpreender quem não está acostumado. No vídeo, o condutor afirma que a aceleração é forte o suficiente para projetar o corpo para trás.

Essa combinação de potência, velocidade e estrutura aproxima a GT73 Pro muito mais de uma pequena motocicleta elétrica off-road do que de uma bicicleta urbana tradicional.

Suspensão enfrenta buracos sem perder o conforto

Outro ponto destacado no teste é o comportamento da suspensão. O modelo utiliza pneus largos de perfil misto, suspensão dianteira e amortecimento traseiro, configuração pensada para terra, lama, areia e pisos irregulares.

Ao passar por uma rua esburacada, GahSantos relata que a GT73 Pro absorve melhor os impactos do que outro modelo elétrico que ele utiliza. O banco comprido também amplia a sensação de conforto e permite acomodar mais de uma pessoa fisicamente, embora o usuário deva respeitar a capacidade de carga e as condições de uso informadas pelo fabricante.

O equipamento ainda conta com farol, lanterna, setas, alerta e painel digital. Na prática, são componentes que reforçam sua aparência de moto — mas sua presença, isoladamente, não torna o veículo regularizado para circular em vias públicas brasileiras.

Pela lei brasileira, isso não é uma bicicleta elétrica comum

É justamente aqui que o comprador precisa redobrar a atenção.

A Resolução nº 996 do Conselho Nacional de Trânsito estabelece que uma bicicleta elétrica deve possuir motor auxiliar de até 1.000 W, funcionar por pedal assistido, não contar com acelerador independente e ter velocidade máxima de propulsão limitada a 32 km/h.

A GT73 Pro mostrada no vídeo tem motor de 3.000 W, acelerador e velocidade anunciada de 80 km/h. Desbloqueada, portanto, ela ultrapassa os critérios aplicáveis às bicicletas elétricas.

O problema não é resolvido apenas reduzindo momentaneamente a velocidade no painel. O enquadramento considera características construtivas como potência, forma de acionamento e velocidade máxima de fabricação.

Os ciclomotores, por sua vez, podem ter motor elétrico de até 4 kW, mas sua velocidade máxima de fabricação fica limitada a 50 km/h. Eles exigem registro, placa, licenciamento e habilitação nas categorias ACC ou A.

Como a GT73 Pro anuncia capacidade para superar esse limite, sua eventual circulação em via pública dependeria de homologação e enquadramento compatíveis com uma categoria superior. Um equipamento importado para uso off-road pode não possuir a documentação necessária para registro no Brasil.

Antes da compra, é fundamental confirmar com o vendedor se o veículo possui homologação, código de marca/modelo/versão, documentação de origem e possibilidade efetiva de registro. Sem isso, o proprietário pode enfrentar fiscalização, autuação e remoção do veículo.

Limitar a 32 km/h deixa o modelo legal?

Não necessariamente.

No vídeo, o condutor afirma que costuma manter a GT73 Pro limitada a 32 km/h e utiliza um modo intermediário que alcança aproximadamente 45 km/h. A redução é positiva para a segurança e ajuda a preservar a bateria, mas não transforma automaticamente um equipamento de 3.000 W com acelerador em bicicleta elétrica perante a legislação.

Para ser reconhecido como bicicleta elétrica, o veículo precisa atender ao conjunto de critérios legais, e não somente circular abaixo de determinada velocidade.

Além disso, alcançar 80 km/h em uma estrutura desse tipo exige equipamentos de proteção adequados, domínio da condução e ambiente compatível. Quedas nessa velocidade podem provocar consequências semelhantes às de um acidente de motocicleta.

Vale pagar cerca de R$ 12 mil?

Como produto recreativo e off-road, a GT73 Pro reúne argumentos fortes: potência elevada, duas baterias, autonomia extensa, pneus largos e suspensão preparada para terrenos ruins.

Para quem procura um veículo destinado a trilhas ou áreas particulares, a proposta pode ser atraente. Já para deslocamentos diários em ruas e avenidas, a situação é mais delicada.

Além do preço, o comprador deve considerar frete, tributação, disponibilidade de peças, garantia, assistência técnica e, principalmente, possibilidade de regularização. O valor aproximado de R$ 12 mil foi mencionado em uma ação promocional ligada ao vídeo e pode mudar conforme vendedor, cupom, impostos e disponibilidade.

A GT73 Pro realmente entrega números capazes de fazer muita moto parecer modesta. Mas o desempenho que torna o modelo tão chamativo também elimina a simplicidade jurídica de uma bicicleta elétrica comum.

Antes de acelerar, é preciso descobrir não apenas até onde ela consegue chegar — mas onde a legislação permite que ela circule.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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