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Início » Últimas Notícias » Banco do Brasil pode se beneficiar da recuperação do agro, mas inadimplência ainda preocupa
Mercados

Banco do Brasil pode se beneficiar da recuperação do agro, mas inadimplência ainda preocupa

Alta de soja e milho melhora perspectivas do campo, enquanto BofA alerta para crédito mais fraco e aumento das provisões bancárias.
André CarvalhoPor André Carvalho9 de setembro de 20264 minutos lidos
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Banco do Brasil pode se beneficiar da recuperação do agro, mas inadimplência ainda preocupa

Recuperação do agro pode aliviar pressão sobre o Banco do Brasil

A recuperação dos preços agrícolas começa a melhorar as perspectivas para empresas ligadas ao agronegócio e pode ter efeitos indiretos importantes sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e a BB Seguridade (BBSE3).

O JPMorgan afirmou nesta quarta-feira, 9 de setembro, que o setor agrícola brasileiro pode estar próximo do fim de um ciclo de crise que durou aproximadamente três anos. O banco elevou a recomendação da SLC Agrícola (SLCE3) para compra e colocou a companhia entre suas principais apostas no setor.

A melhora é relevante para o Banco do Brasil porque a instituição possui forte exposição ao financiamento rural. No segundo trimestre de 2026, sua carteira de crédito ligada ao agronegócio alcançou R$ 421,6 bilhões, crescimento de 4,1% em 12 meses.

Soja e milho podem ajudar a reduzir riscos

Soja e milho estão entre as culturas relevantes para o crédito rural do BB. Na prática, preços mais favoráveis das commodities podem melhorar a geração de caixa dos produtores e aumentar a capacidade de pagamento de financiamentos.

O JPMorgan avalia que uma relação mais favorável entre oferta e demanda pode sustentar preços agrícolas e melhorar as margens das empresas do setor. No caso da soja, estoques mais apertados e maior demanda internacional aparecem entre os fatores positivos. No milho, a oferta também enfrenta restrições em importantes regiões produtoras.

Para o Banco do Brasil, uma recuperação consistente do campo poderia significar menor necessidade de provisões, melhora da qualidade da carteira e retomada da demanda por novos financiamentos.

A BB Seguridade também pode ser beneficiada por maior atividade rural, embora eventos climáticos continuem representando risco para sinistros agrícolas.

El Niño continua sendo o principal risco

A recuperação do agro não elimina os riscos. O próprio JPMorgan aponta o El Niño como uma das principais ameaças para a safra.

Nas projeções para a SLC Agrícola, o banco trabalha com quedas de produtividade de 7% no algodão, 8% na soja e 15% no milho de segunda safra em um cenário climático adverso.

Uma quebra relevante da produção poderia substituir o atual problema de preços baixos por outra dificuldade: menor volume produzido e maior pressão financeira sobre produtores.

Inadimplência ainda pesa sobre BBAS3

Apesar da melhora potencial das commodities, a situação da carteira de crédito do Banco do Brasil continua sendo um dos principais pontos de atenção.

A própria instituição informou aumento das perdas esperadas no primeiro semestre, em grande parte relacionado à inadimplência entre produtores rurais.

O Bank of America também adotou uma visão mais cautelosa. A instituição passou a projetar lucro líquido de R$ 17,6 bilhões para o Banco do Brasil em 2026, abaixo do piso de R$ 18 bilhões indicado no guidance da companhia. Para 2027, a estimativa sobe para R$ 23,6 bilhões.

O BofA manteve recomendação equivalente à venda para BBAS3 e reduziu o preço-alvo para R$ 20, destacando provisões maiores e deterioração da qualidade dos ativos além do segmento rural.

Juros menores podem mudar cenário dos bancos

O cenário macroeconômico também entrou na conta. O BofA reduziu sua projeção de crescimento do PIB brasileiro para 1,8% em 2026 e 0,9% em 2027.

Ao mesmo tempo, espera Selic de 13,25% no fim de 2026 e 11,25% em 2027.

Uma economia mais fraca tende a limitar o crescimento do crédito, enquanto inadimplência elevada exige maiores provisões. Por isso, o BofA reduziu suas projeções de lucro para bancos em 2% para 2026 e 4% para 2027.

Em contrapartida, juros menores podem favorecer mercado de capitais e instituições mais bem posicionadas para atravessar o ciclo. Itaú e BTG aparecem entre as preferências do BofA, enquanto o Bradesco permanece como uma alternativa mais sensível à recuperação econômica.

O que acompanhar em Banco do Brasil e BB Seguridade

Para o investidor, a recuperação das commodities é uma variável positiva, mas ainda insuficiente para eliminar os riscos de BBAS3 e BBSE3.

Os próximos resultados precisarão mostrar queda consistente da inadimplência rural, redução das provisões e recuperação da rentabilidade. Também será necessário acompanhar a evolução das safras, o El Niño, a renegociação das dívidas agrícolas e o ritmo de redução da Selic.

Assim, a melhora do agronegócio pode representar um ponto de virada para parte da carteira do Banco do Brasil, mas o cenário continua exigindo cautela.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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