Recuperação do agro pode aliviar pressão sobre o Banco do Brasil
A recuperação dos preços agrícolas começa a melhorar as perspectivas para empresas ligadas ao agronegócio e pode ter efeitos indiretos importantes sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e a BB Seguridade (BBSE3).
O JPMorgan afirmou nesta quarta-feira, 9 de setembro, que o setor agrícola brasileiro pode estar próximo do fim de um ciclo de crise que durou aproximadamente três anos. O banco elevou a recomendação da SLC Agrícola (SLCE3) para compra e colocou a companhia entre suas principais apostas no setor.
A melhora é relevante para o Banco do Brasil porque a instituição possui forte exposição ao financiamento rural. No segundo trimestre de 2026, sua carteira de crédito ligada ao agronegócio alcançou R$ 421,6 bilhões, crescimento de 4,1% em 12 meses.
Soja e milho podem ajudar a reduzir riscos
Soja e milho estão entre as culturas relevantes para o crédito rural do BB. Na prática, preços mais favoráveis das commodities podem melhorar a geração de caixa dos produtores e aumentar a capacidade de pagamento de financiamentos.
O JPMorgan avalia que uma relação mais favorável entre oferta e demanda pode sustentar preços agrícolas e melhorar as margens das empresas do setor. No caso da soja, estoques mais apertados e maior demanda internacional aparecem entre os fatores positivos. No milho, a oferta também enfrenta restrições em importantes regiões produtoras.
Para o Banco do Brasil, uma recuperação consistente do campo poderia significar menor necessidade de provisões, melhora da qualidade da carteira e retomada da demanda por novos financiamentos.
A BB Seguridade também pode ser beneficiada por maior atividade rural, embora eventos climáticos continuem representando risco para sinistros agrícolas.
El Niño continua sendo o principal risco
A recuperação do agro não elimina os riscos. O próprio JPMorgan aponta o El Niño como uma das principais ameaças para a safra.
Nas projeções para a SLC Agrícola, o banco trabalha com quedas de produtividade de 7% no algodão, 8% na soja e 15% no milho de segunda safra em um cenário climático adverso.
Uma quebra relevante da produção poderia substituir o atual problema de preços baixos por outra dificuldade: menor volume produzido e maior pressão financeira sobre produtores.
Inadimplência ainda pesa sobre BBAS3
Apesar da melhora potencial das commodities, a situação da carteira de crédito do Banco do Brasil continua sendo um dos principais pontos de atenção.
A própria instituição informou aumento das perdas esperadas no primeiro semestre, em grande parte relacionado à inadimplência entre produtores rurais.
O Bank of America também adotou uma visão mais cautelosa. A instituição passou a projetar lucro líquido de R$ 17,6 bilhões para o Banco do Brasil em 2026, abaixo do piso de R$ 18 bilhões indicado no guidance da companhia. Para 2027, a estimativa sobe para R$ 23,6 bilhões.
O BofA manteve recomendação equivalente à venda para BBAS3 e reduziu o preço-alvo para R$ 20, destacando provisões maiores e deterioração da qualidade dos ativos além do segmento rural.
Juros menores podem mudar cenário dos bancos
O cenário macroeconômico também entrou na conta. O BofA reduziu sua projeção de crescimento do PIB brasileiro para 1,8% em 2026 e 0,9% em 2027.
Ao mesmo tempo, espera Selic de 13,25% no fim de 2026 e 11,25% em 2027.
Uma economia mais fraca tende a limitar o crescimento do crédito, enquanto inadimplência elevada exige maiores provisões. Por isso, o BofA reduziu suas projeções de lucro para bancos em 2% para 2026 e 4% para 2027.
Em contrapartida, juros menores podem favorecer mercado de capitais e instituições mais bem posicionadas para atravessar o ciclo. Itaú e BTG aparecem entre as preferências do BofA, enquanto o Bradesco permanece como uma alternativa mais sensível à recuperação econômica.
O que acompanhar em Banco do Brasil e BB Seguridade
Para o investidor, a recuperação das commodities é uma variável positiva, mas ainda insuficiente para eliminar os riscos de BBAS3 e BBSE3.
Os próximos resultados precisarão mostrar queda consistente da inadimplência rural, redução das provisões e recuperação da rentabilidade. Também será necessário acompanhar a evolução das safras, o El Niño, a renegociação das dívidas agrícolas e o ritmo de redução da Selic.
Assim, a melhora do agronegócio pode representar um ponto de virada para parte da carteira do Banco do Brasil, mas o cenário continua exigindo cautela.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






