Receber uma moto zero-quilômetro costuma ser um momento de empolgação, mas sair imediatamente da concessionária sem fazer uma inspeção básica pode deixar passar regulagens inadequadas ou pequenas avarias. Três pontos merecem atenção especial: nível do óleo, folga do acionamento da embreagem e tensão da corrente de transmissão.
As recomendações foram apresentadas pelo canal Fala de motos com Wilson, comandado por Wilson Garcia, profissional que afirma trabalhar há 14 anos em concessionárias Honda. No vídeo, ele mostra motocicletas ainda na loja e explica quais verificações faria antes da primeira saída.
As medidas exibidas, porém, não devem ser tratadas como universais. Cada fabricante determina procedimentos e limites específicos. Por isso, o manual do proprietário da moto comprada deve prevalecer sobre qualquer orientação genérica.
Comece verificando a moto inteira
Antes das três checagens mecânicas, observe carenagens, tanque, rodas, retrovisores, banco, faróis e comandos. Procure riscos, amassados, peças desalinhadas ou qualquer sinal de dano ocorrido durante transporte, armazenamento ou preparação.
Caso encontre uma avaria, peça para que a concessionária registre o problema por escrito antes da retirada. Fotografias também ajudam a documentar o estado da motocicleta na entrega.
Confira ainda se o número do chassi corresponde à documentação e se foram entregues manual, chave reserva, certificado de garantia e demais itens previstos na compra.
1. Confira o nível do óleo do motor
A primeira recomendação do vídeo é verificar o óleo antes de deixar a concessionária. Um nível abaixo do especificado pode comprometer a lubrificação, enquanto óleo em excesso também pode causar problemas.
A conferência deve seguir exatamente o procedimento previsto pelo fabricante. Dependendo da motocicleta, pode ser necessário posicioná-la verticalmente em piso plano, aquecer o motor por determinado período, desligá-lo e aguardar alguns minutos antes da leitura.
Também existem diferenças entre modelos que utilizam vareta e aqueles equipados com visor lateral. Em alguns casos, a vareta deve ser apenas encaixada; em outros, rosqueada para realizar a medição.
O nível deve permanecer dentro dos limites indicados no manual — normalmente entre as marcas inferior e superior. Não se deve completar automaticamente até o máximo nem ultrapassar a marca superior.
Se o nível estiver incorreto na entrega, o proprietário deve solicitar a conferência à concessionária antes de sair. O óleo utilizado precisa ter a viscosidade e a especificação determinadas para aquele motor.
2. Observe a folga do acionamento da embreagem
Nas motocicletas com embreagem manual acionada por cabo, a manete precisa apresentar a folga determinada pelo fabricante. Um cabo excessivamente esticado pode manter a embreagem parcialmente acionada, favorecer patinação e acelerar o desgaste dos componentes.
Por outro lado, folga excessiva pode dificultar o desacoplamento completo da embreagem e tornar as trocas de marcha menos precisas.
No vídeo, Wilson compara motos que apresentavam respostas diferentes no acionamento da manete e recomenda pedir o ajuste ainda na concessionária quando a regulagem parecer inadequada.
A avaliação visual ou a comparação em “dedos”, entretanto, não substitui a medição indicada no manual. O valor deve ser conferido no ponto exato determinado pelo fabricante e pode variar entre modelos.
Se houver dúvida, dificuldade para engatar marchas ou comportamento anormal da moto, o mais seguro é solicitar que um técnico da concessionária faça a inspeção.
3. Verifique a tensão da corrente de transmissão
A terceira checagem envolve a corrente. Quando excessivamente tensionada, ela pode sobrecarregar corrente, coroa, pinhão, rolamentos e outros componentes. Uma corrente muito frouxa também representa risco, pois pode bater, escapar ou prejudicar o funcionamento da transmissão.
A folga correta não é igual em todas as motos. Um manual oficial da Honda consultado para a CB 250F Twister, por exemplo, estabelece de 20 a 30 mm para a corrente de transmissão. Outros modelos podem adotar medidas e procedimentos diferentes.
A verificação também pode exigir que a moto esteja apoiada de determinada maneira e que a roda seja girada para localizar o ponto de maior tensão da corrente. Por isso, usar genericamente uma medida de 20 mm para qualquer motocicleta seria incorreto.
Se a corrente da moto nova aparentar estar excessivamente esticada, apresentar estalos ou não respeitar o limite previsto no manual, peça a regulagem antes da retirada.
Ajustes devem respeitar o manual e a garantia
As três verificações fazem parte dos cuidados básicos com uma motocicleta, mas isso não significa que todo comprador deva executar sozinho as regulagens na entrega.
Quando houver qualquer divergência, o ideal é pedir que a concessionária verifique e registre o serviço. Intervenções feitas de maneira incorreta, uso de óleo incompatível ou ajustes fora das especificações podem causar danos e gerar discussões sobre a garantia.
O proprietário também deve observar o plano de manutenção, a quilometragem da primeira revisão e os prazos definidos pela fabricante. A própria Honda mantém uma área de pós-venda com acesso aos manuais e serviços para proprietários, enquanto a Yamaha disponibiliza uma seção de manuais e catálogos de suas motocicletas.
A recomendação final é simples: antes de sair com a moto zero, faça a inspeção visual, confira os três pontos e peça correção imediata se algo estiver fora do padrão estabelecido para o modelo.
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