O mercado de café viveu um pregão de contrastes nesta terça-feira (16), com os preços do café arábica em alta e o robusta em queda. O contrato de dezembro do arábica subiu +0,72%, atingindo a máxima contratual e alcançando o maior nível em sete meses para vencimentos futuros.
Impacto do clima e risco de La Niña
O movimento é impulsionado por projeções da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), que apontam 71% de chance de ocorrência do fenômeno climático La Niña no hemisfério sul entre outubro e dezembro. Caso se confirme, o Brasil – maior produtor mundial de arábica – pode enfrentar uma seca intensa, comprometendo a safra 2026/27.
Além disso, dados da Somar Meteorologia revelaram que Minas Gerais, principal região produtora de arábica, não recebeu chuvas significativas na última semana, justamente no período crítico de floração dos cafezais.
Fatores cambiais e comerciais
A valorização do real frente ao dólar, alcançando o maior patamar em 15 meses, também pressiona o mercado. A moeda brasileira mais forte desestimula exportações, favorecendo a alta dos preços internos.
Outro fator relevante são as tarifas de 50% aplicadas pelos EUA ao café brasileiro, reduzindo a oferta americana e aumentando ainda mais a preocupação dos compradores. Vale lembrar que um terço do café não torrado importado pelos EUA vem do Brasil.
Estoques apertados e exportações em queda
Os estoques monitorados pela ICE seguem em queda: o arábica recuou para a mínima de 16 meses, com apenas 666 mil sacas, enquanto o robusta caiu para o menor nível em duas semanas.
A Conab também revisou para baixo sua estimativa da safra brasileira de arábica em 2025, reduzindo em 4,9%, para 35,2 milhões de sacas. O corte reforça o cenário de oferta limitada, principalmente após o Cecafé e o Ministério da Indústria e Comércio confirmarem forte retração nas exportações.
Produção global e projeções futuras
O cenário internacional adiciona mais incertezas:
O USDA prevê produção mundial recorde em 2025/26, com 178,6 milhões de sacas, puxada pelo robusta.
Porém, a consultoria Volcafe projeta déficit global de arábica de -8,5 milhões de sacas, o quinto ano consecutivo de escassez.
No Vietnã, maior produtor de robusta, a safra sofreu queda de 20% em 2023/24 devido à seca, mas as exportações de 2025 mostram recuperação, subindo 7,8% até agosto.
Perspectivas
Com clima adverso, câmbio desfavorável e exportações em queda, o café arábica se mantém em tendência de valorização, sustentado por riscos de déficit prolongado no mercado global. Já o robusta segue pressionado pela oferta vietnamita e perspectivas de recuperação na produção.
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