A defesa do general Augusto Heleno voltou a se manifestar nesta semana contra a utilização da chamada “agenda golpista” como indício em um suposto plano para derrubar a ordem democrática. O documento foi apreendido pela Polícia Federal em sua residência e, segundo o Ministério Público, conteria anotações que reforçariam a acusação de envolvimento do militar em reuniões e articulações políticas ligadas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante a audiência, os advogados de Heleno destacaram que o material se trata de um caderno de uso pessoal, sem qualquer vínculo com atividades de governo ou planos políticos. O próprio general declarou em juízo que utilizava a agenda apenas para registrar anotações de interesse particular, como lembretes e pontos para debate em encontros privados.
“Era um documento particular, secreto, não vinculado a assuntos de Estado. Não apresentei nada que pudesse levar ao julgamento de que essa agenda era uma caderneta golpista”, disse Heleno em depoimento.
A defesa ainda criticou a conduta do Ministério Público e da Polícia Federal, afirmando que houve interpretação equivocada das provas e que o processo foi conduzido com base em relatórios frágeis e sem respaldo probatório concreto.
Testemunhas ouvidas, como o coronel Hamilton, assessor especial de comunicação social, também reforçaram que nunca tiveram acesso ao conteúdo da agenda e que o material jamais foi utilizado em reuniões estratégicas do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Os advogados argumentam que a acusação tenta transformar meras anotações privadas em evidências de conspiração, sem apresentar elementos robustos que comprovem a existência de um plano de golpe.
O caso segue em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), e a expectativa é que novas manifestações da defesa e do Ministério Público sejam apresentadas antes de uma decisão definitiva.
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