Bancos menores entram no radar da Bolsa
As ações de bancos de menor porte oferecem uma combinação que costuma atrair investidores: múltiplos descontados, possibilidade de dividendos elevados e, em alguns casos, forte crescimento dos lucros. Mas os números mostram diferenças relevantes entre Banco ABC Brasil (ABCB4), Banco BMG (BMGB4), Banrisul (BRSR6), Banco Pine (PINE4) e Banco Mercantil (BMEB4).
A comparação que serviu de base para esta análise avalia rentabilidade, inadimplência, remuneração ao acionista, preço e previsibilidade. Pela metodologia apresentada, o ABC Brasil termina como destaque geral em qualidade, enquanto BMG lidera o critério de remuneração e Pine aparece melhor posicionado em preço frente à capacidade de geração de resultados.
Os balanços mais recentes, porém, mostram que a disputa ficou ainda mais interessante.
ABCB4 tem a menor inadimplência entre os destaques
O principal diferencial do Banco ABC Brasil continua sendo a qualidade da carteira.
No segundo trimestre, o banco registrou ROAE anualizado de 14,3%, lucro líquido de R$ 257,3 milhões e carteira de crédito expandida de R$ 56,5 bilhões.
O indicador que mais chama atenção é a inadimplência acima de 90 dias: apenas 0,6% da carteira expandida. O índice de Basileia terminou o período em 16,2%.
Esse perfil ajuda a explicar por que ABCB4 pode interessar ao investidor que prioriza previsibilidade e controle de risco, mesmo sem apresentar a maior rentabilidade do grupo.
PINE4 acelera lucro, mas risco de crédito merece atenção
O Banco Pine vive cenário diferente. O lucro líquido chegou a R$ 165,7 milhões no 2T26, praticamente o dobro do registrado um ano antes.
O ROAE alcançou 37,5%, enquanto a carteira de crédito expandida chegou a R$ 21,8 bilhões, avanço de aproximadamente 40% em 12 meses.
A forte rentabilidade ajuda a explicar a valorização das ações observada nos últimos anos. Ao mesmo tempo, o crescimento mais acelerado exige atenção à qualidade da carteira. Análises do resultado apontaram deterioração sequencial em métricas como custo de risco e operações classificadas no estágio 3.
Ou seja: PINE4 combina crescimento e rentabilidade elevada, mas o investidor precisa acompanhar se esse avanço continuará ocorrendo sem aumento excessivo das perdas de crédito.
Mercantil surpreende com ROAE acima de 40%
O Banco Mercantil também ganhou espaço nessa comparação.
Segundo os dados mais recentes divulgados pela própria instituição, o ROAE dos últimos 12 meses chegou a 41,4%, com lucro líquido trimestral de R$ 275 milhões, carteira de crédito de aproximadamente R$ 25 bilhões e 10,2 milhões de clientes.
A rentabilidade coloca o Mercantil entre os destaques da amostra, embora o papel tenha perfil diferente de ABCB4 e BRSR6 e menor presença nas carteiras de investidores pessoas físicas.
BMG melhora rentabilidade, mas crédito acende alerta
O Banco BMG fechou o segundo trimestre com lucro líquido recorrente de R$ 157 milhões, crescimento de 25,7% em um ano, e ROAE de 15,5%.
A melhora da margem financeira ajudou o desempenho, mas o BB Investimentos chamou atenção para a deterioração dos indicadores de qualidade do crédito diante da mudança do mix da carteira.
Historicamente, BMGB4 também aparece entre os bancos menores procurados por investidores focados em dividendos. Entretanto, dividend yield elevado isoladamente não significa que a ação esteja barata ou apresente menor risco.
Banrisul segue barato, mas desconto tem explicação
O Banrisul registrou lucro líquido de R$ 325 milhões no 2T26 e ROE de 11,3%. A inadimplência acima de 90 dias recuou para 4,62%, embora permaneça elevada quando comparada ao ABC Brasil.
Além disso, o banco reduziu suas projeções para crescimento da carteira e margem financeira e aumentou a faixa esperada para custo de crédito em 2026.
Isso ajuda a explicar por que BRSR6 pode negociar com desconto sobre o patrimônio sem que esse desconto represente automaticamente uma oportunidade.
Qual ação bancária se destaca?
Não existe um vencedor absoluto para todos os perfis.
ABCB4 apresenta atualmente o caso mais defensivo em qualidade de crédito, com inadimplência excepcionalmente baixa. PINE4 e Mercantil se destacam pela rentabilidade elevada, enquanto BMGB4 continua interessante para quem acompanha remuneração ao acionista. Já BRSR6 combina desconto patrimonial com desafios operacionais que precisam ser monitorados.
A principal conclusão é que P/VP baixo ou dividend yield elevado não devem ser analisados isoladamente. Rentabilidade, inadimplência, crescimento, capital e preço precisam ser avaliados em conjunto antes de qualquer decisão.
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