Trabalhar embarcado não significa exercer apenas atividades braçais em uma plataforma de petróleo. As operações offshore dependem de profissionais especializados em movimentação de cargas, sistemas submarinos, mergulho comercial, guindastes e posicionamento dinâmico de embarcações.
O cenário brasileiro ajuda a manter essas carreiras no radar. O Plano de Negócios 2026–2030 da Petrobras prevê US$ 109 bilhões em investimentos, dos quais US$ 69,2 bilhões estão direcionados a projetos de exploração e produção. A companhia estima que sua carteira poderá gerar ou sustentar 311 mil empregos diretos e indiretos — número que inclui toda a cadeia de projetos, e não somente vagas embarcadas.
Além disso, estão previstos oito novos sistemas de produção até 2030 e o afretamento de 40 embarcações de apoio. Isso não representa contratação automática, mas sinaliza demanda futura por diferentes competências dentro da cadeia naval e offshore.
Conheça sete profissões que participam diretamente dessas operações.
1. Rigger
O rigger é responsável pela preparação e pelo acompanhamento da movimentação de cargas. Ele seleciona acessórios de içamento, verifica cabos, cintas, manilhas e ganchos, calcula ou confere as condições da operação e orienta o operador do guindaste por sinais ou comunicação por rádio.
É uma função crítica porque plataformas e embarcações movimentam peças pesadas, contêineres, tubos, equipamentos e suprimentos em condições sujeitas a vento, balanço e espaço limitado.
As empresas costumam buscar profissionais com ensino médio, treinamento em movimentação de cargas e conhecimento das normas de segurança aplicáveis. Experiência prática é frequentemente valorizada.
2. Piloto técnico de ROV
O ROV é um veículo submarino operado remotamente, equipado com câmeras, sensores e braços manipuladores. Ele pode ser usado para inspecionar estruturas, acompanhar intervenções em poços, verificar dutos e executar trabalhos em profundidades impraticáveis para mergulhadores.
O piloto técnico não apenas controla o equipamento. Dependendo do cargo, também participa da manutenção elétrica, eletrônica, hidráulica e mecânica do sistema.
Formações técnicas em eletrônica, eletrotécnica, automação, mecatrônica ou áreas semelhantes costumam abrir caminho para a atividade. Inglês técnico pode ser decisivo, pois manuais, softwares e procedimentos frequentemente utilizam o idioma.
A International Marine Contractors Association mantém diretrizes de competência e treinamento para profissionais de sistemas remotos e ROV. A contratação, entretanto, pode exigir experiência progressiva e registro das atividades realizadas, não apenas um curso introdutório.
3. Mergulhador comercial offshore
O mergulhador comercial executa inspeções, manutenção, instalação e reparos subaquáticos. Dependendo da qualificação e da operação, pode trabalhar com fotografia técnica, limpeza, corte, soldagem, montagem e avaliação de estruturas.
Trata-se de uma das atividades mais exigentes e arriscadas da lista. No Brasil, o mergulho comercial é regulamentado pela Autoridade Marítima, por meio da NORMAM-222, e exige formação reconhecida, exames médicos específicos e cumprimento de requisitos profissionais.
Um curso recreativo de mergulho não habilita o candidato a trabalhar como mergulhador comercial. A profundidade, o método empregado e as responsabilidades também influenciam a categoria profissional necessária.
4. Plataformista
O plataformista participa das atividades operacionais e de apoio no convés ou na área de perfuração. Entre as atribuições possíveis estão organização de equipamentos, movimentação de materiais, limpeza industrial, apoio às equipes de manutenção e preparação das áreas de trabalho.
Embora seja frequentemente apresentado como porta de entrada, não deve ser confundido com emprego sem qualificação. As empresas podem exigir experiência industrial, treinamentos de segurança, aptidão médica e conhecimentos específicos para a unidade.
Quem pretende seguir essa carreira precisa compreender também como é a rotina dentro de uma plataforma de petróleo, marcada por escalas, regras rígidas e longos períodos longe de casa.
5. Contramestre de movimentação de cargas
O contramestre coordena equipes envolvidas nas operações de carga e descarga. Ele distribui tarefas, acompanha o trabalho dos riggers, verifica procedimentos e ajuda a assegurar que a movimentação seja realizada dentro do planejamento estabelecido.
A função normalmente exige experiência anterior em operações de convés, içamento ou logística offshore. Dependendo da empresa, o nome do cargo e suas atribuições podem variar.
Não costuma ser uma posição inicial: capacidade de liderança, domínio dos procedimentos e histórico comprovado em movimentação de cargas pesadas são diferenciais importantes.
6. Operador de guindaste offshore
Esse profissional opera guindastes instalados em plataformas, FPSOs e embarcações, movimentando cargas entre o convés, outras unidades e barcos de apoio.
O trabalho exige precisão porque o operador precisa considerar peso, raio de operação, limites do equipamento, condições meteorológicas e movimentação da embarcação. Uma decisão equivocada pode colocar trabalhadores, estruturas e cargas em risco.
Além da qualificação para operar o equipamento, as contratantes podem exigir experiência com modelos específicos de guindaste, treinamentos de movimentação de cargas e conhecimentos das normas de segurança.
7. Operador de posicionamento dinâmico
O operador de posicionamento dinâmico, conhecido como DPO, monitora sistemas que mantêm uma embarcação em posição por meio de sensores, computadores e propulsores, sem depender exclusivamente de ancoragem.
Essa tecnologia é utilizada em navios-sonda, embarcações de apoio, unidades de lançamento de linhas, navios de mergulho e embarcações que operam ROVs.
É uma carreira altamente especializada. A rota mais comum passa pela formação e habilitação como oficial de náutica, seguida de treinamento aprovado, experiência supervisionada a bordo e registro dos dias de mar. O esquema de certificação do Nautical Institute possui etapas específicas e não deve ser confundido com um curso isolado de “DP nível 2 ou 3”.
CBSP e HUET são suficientes para conseguir uma vaga?
Não. Esse é um dos erros mais comuns de quem pretende entrar no setor.
O Curso Básico de Segurança de Plataforma, o CBSP, prepara o profissional para procedimentos essenciais de sobrevivência e segurança. A Diretoria de Portos e Costas da Marinha informa que o curso possui carga horária de 40 horas distribuídas em cinco dias.
Já o HUET é voltado ao treinamento de escape de helicóptero submerso. Ele pode ser solicitado quando o deslocamento até a unidade ocorre por transporte aéreo.
Esses treinamentos não substituem a formação profissional. Ter CBSP e HUET sem experiência ou qualificação compatível não transforma automaticamente o candidato em rigger, mergulhador, operador de guindaste, piloto de ROV ou DPO.
Outras normas, como NR-10, NR-11, NR-33, NR-35 e NR-37, podem aparecer nas vagas conforme a atividade. Isso não significa que todos os candidatos precisem fazer todos os cursos antes de procurar emprego.
O cuidado antes de pagar por cursos offshore
O melhor caminho é escolher primeiro uma área profissional e analisar vagas reais de empresas de operação, manutenção, navegação e serviços submarinos.
O candidato deve verificar:
- formação exigida para o cargo;
- experiência mínima;
- certificados aceitos pela contratante;
- credenciamento da instituição;
- validade e reconhecimento do treinamento;
- necessidade de registro profissional;
- nível de inglês solicitado.
A Petrobras, por exemplo, assinou contratos de R$ 11 bilhões para construção e operação de quatro embarcações de apoio submarino do tipo RSV, equipadas para trabalhos com ROV. Segundo a companhia, o projeto poderá gerar aproximadamente 7 mil empregos diretos e indiretos durante a construção e a operação. Isso mostra como a cadeia envolve estaleiros, fornecedores e serviços em terra, além das equipes embarcadas.
O setor oferece diferentes caminhos, mas não existe certificado único capaz de garantir uma vaga. Formação técnica consistente, experiência industrial, segurança e qualificação direcionada continuam sendo os principais pontos de entrada.
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