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Início » Últimas Notícias » Selic deve cair em 2026: veja como o corte dos juros pode impulsionar ações e fundos imobiliários
Fundos Imobiliários

Selic deve cair em 2026: veja como o corte dos juros pode impulsionar ações e fundos imobiliários

Com a taxa Selic mantida em 15% pelo Copom, mas com cortes projetados para 2026, especialistas explicam como investidores devem reposicionar suas carteiras diante da nova fase do ciclo econômico
André CarvalhoPor André Carvalho6 de novembro de 20254 minutos lidos
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Selic
Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, sinalizando que o ciclo de cortes deve começar a partir de 2026. A decisão, vista como prudente diante da inflação ainda elevada, já provoca expectativas no mercado sobre os impactos dessa mudança na renda fixa, na bolsa de valores e, especialmente, nos fundos imobiliários (FIIs).

O Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo BC, projeta inflação de 4,55% para o fim de 2025 e redução gradual da Selic para 12,25% no próximo ano. Caso o cenário se confirme, a tendência é de valorização dos ativos de risco — um movimento clássico nos períodos de queda dos juros.

Emprego e renda: melhora estrutural ou voo de galinha?

Os números do IBGE apontam que o desemprego no Brasil caiu para 5,6%, o menor nível desde antes da pandemia. Em 2021, o índice era de 14,7%, e mesmo após oscilações, a tendência de queda se consolidou.
Apesar do avanço, analistas alertam que parte dessa melhora pode estar mascarada: há 65 milhões de brasileiros fora da força de trabalho, incluindo aposentados, donas de casa e trabalhadores informais.

A renda média também subiu, voltando ao patamar pré-pandemia de R$ 3.439, mas a inflação acumulada desde 2021 corrói o poder de compra. Paralelamente, o número de beneficiários do Bolsa Família caiu de 56 milhões para 49 milhões, o que indica um leve arrefecimento nas políticas de transferência de renda.

Mercado financeiro reage: Ibovespa em alta e otimismo moderado

O Ibovespa acumula alta de 25% em 2025, alcançando o patamar de 150 mil pontos, impulsionado por setores de commodities e bancos. A expectativa é de que o corte da Selic em 2026 estimule ainda mais a renda variável, já que os investidores tendem a migrar da renda fixa para ativos de maior retorno.

Entretanto, há dúvidas sobre a sustentabilidade desse crescimento. O Brasil enfrenta pressão fiscal, com R$ 3,3 trilhões arrecadados em impostos até novembro, enquanto o governo ainda luta para equilibrar as contas públicas.
Nos últimos três anos, foram 24 aumentos ou criações de tributos, o que acende o alerta sobre o impacto da carga tributária no crescimento econômico.

Selic em queda: quem ganha e quem perde

A relação entre a Selic e o Ibovespa é inversa: quando os juros caem, as ações sobem. Isso ocorre porque o custo de capital das empresas diminui, o consumo aumenta e os lucros corporativos crescem.
No entanto, nem todos os investimentos reagem da mesma forma à redução da taxa.

1. Fundos de papel: atenção ao risco de queda nos rendimentos

Fundos imobiliários atrelados ao CDI, como KNCR11 e MXRF11, podem ver seus dividendos diminuírem com a redução da Selic, já que suas receitas dependem diretamente dos juros. Apesar disso, há potencial de valorização das cotas à medida que o mercado antecipa o corte.

2. Fundos de tijolo: grandes beneficiados

Os fundos de tijolo, que investem em shoppings, galpões logísticos e lajes corporativas, tendem a se destacar com a queda da Selic.
Com juros menores, o crédito fica mais barato, o consumo cresce e o comércio é impulsionado — o que eleva as receitas e os dividendos desses fundos. Além disso, a valorização imobiliária e o aumento das locações reforçam o ciclo positivo do setor.

Cenário internacional: Fed também reduz juros

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, realizou dois cortes consecutivos nas taxas de juros, reforçando o otimismo global.
Com a redução dos juros americanos, o fluxo de capital estrangeiro tende a migrar para mercados emergentes, como o Brasil, impulsionando a bolsa de valores e o real. Esse movimento, combinado à expectativa de queda da Selic, cria um ambiente propício para investimentos de médio e longo prazo.

Reposicionamento estratégico é essencial

A manutenção da Selic em 15% é o último suspiro de um ciclo de aperto monetário que começou em 2021. A partir de 2026, o mercado já precifica um ambiente de juros mais baixos, crescimento gradual e valorização de ativos de risco.
Para o investidor, a palavra de ordem é equilíbrio: manter parte da carteira em renda fixa para segurança, mas antecipar movimentos em ações e fundos imobiliários de tijolo, que tendem a liderar a próxima fase de valorização.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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