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Início » Últimas Notícias » RZAK11 sustenta dividendos acima de 15% ao ano, mas riscos seguem no radar
Fundos Imobiliários

RZAK11 sustenta dividendos acima de 15% ao ano, mas riscos seguem no radar

Mesmo com histórico recente de perdas, o fundo imobiliário RZAK11 mantém rendimentos acima de R$ 1,00 por cota, se beneficia do CDI elevado e mostra sinais de estabilização patrimonial
Suzana MelloPor Suzana Mello10 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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RZAK11 sustenta dividendos acima de 15% ao ano, mas riscos seguem no radar

O fundo imobiliário RZAK11, gerido pela Riza Asset, inicia 2026 com patrimônio líquido estimado em R$ 781 milhões, valor patrimonial por cota ao redor de R$ 88,70 e cotação de mercado próxima de R$ 86,50, o que posiciona o fundo com P/VP entre 0,97 e 0,98. Apesar de ainda distante dos níveis registrados no final de 2023, o fundo apresenta recuperação relevante em relação a dezembro de 2024, quando o valor patrimonial girava próximo de R$ 86.

A liquidez permanece elevada para um FII de papel, com negociação média diária próxima de R$ 8 milhões, fator que contribui para maior atratividade junto a investidores que priorizam facilidade de entrada e saída.

Dividendos: patamar elevado sustentado por reservas e juros altos

O RZAK11 mantém distribuição mensal de R$ 1,10 por cota, valor acima do guidance oficial divulgado pela gestão, que segue indicando uma faixa entre R$ 1,00 e R$ 1,30. O último pagamento resultou em dividend yield mensal próximo de 1,29%, o que anualizado supera com folga a média do mercado de fundos imobiliários.

Esse nível de distribuição tem sido viabilizado por três fatores principais:

  • CDI ainda em patamar elevado, favorecendo ativos pós-fixados

  • Carteira com forte exposição à inflação, protegendo o fluxo real

  • Uso estratégico de reservas acumuladas, que somam aproximadamente R$ 0,39 a R$ 0,42 por cota

No último resultado mensal, o fundo chegou a reter cerca de R$ 0,19 por cota, reforçando a capacidade de manter a distribuição nos próximos meses mesmo diante de eventuais oscilações no fluxo de caixa.

Composição da carteira e indexadores

O RZAK11 é um fundo de papel multiestratégia, com carteira diversificada entre CRIs, fundos imobiliários e operações estruturadas. A distribuição por indexador mostra equilíbrio entre proteção inflacionária e aproveitamento do ciclo de juros:

  • 44% atrelado ao IPCA, com taxa média próxima de IPCA + 10,2% ao ano

  • 35% indexado ao CDI, com taxa média de CDI + 3,41%

  • Remanescente distribuído entre estruturas híbridas e posições táticas

Essa composição favorece o fundo em cenários de inflação resiliente e juros elevados, como o observado no início de 2026.

Mudanças estratégicas na alocação

A gestão sinaliza ajustes graduais na composição setorial, com destaque para:

  • Redução da exposição ao setor imobiliário tradicional, que hoje representa cerca de 46% do portfólio, com alvo de queda para 32%

  • Aumento da participação em crédito direto a empresas, buscando retornos mais elevados

  • Entrada gradual em operações ligadas ao agronegócio, ampliando a diversificação setorial

O fundo opera com alavancagem moderada, em torno de 8,5% acima do patrimônio, prática recorrente dentro da estratégia adotada.

Recuperação patrimonial ainda incompleta

Apesar da valorização observada entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, o RZAK11 ainda não recuperou integralmente as perdas acumuladas após os eventos de crédito que afetaram o fundo nos últimos anos. Em cenários de preço entre R$ 80 e R$ 85, o fundo chega a operar com desconto relevante sobre o valor patrimonial, elevando o dividend yield implícito para níveis superiores a 16% ao ano.

Essa combinação de preço descontado e renda elevada explica o interesse renovado de parte do mercado, apesar dos riscos ainda presentes.

Principais riscos: CRIs Starbucks seguem como ponto sensível

O principal fator de atenção permanece concentrado nos CRIs ligados à antiga operadora da Starbucks no Brasil, atualmente em recuperação judicial. Essas operações sofreram forte marcação negativa, reduzindo significativamente seu peso no patrimônio:

  • Uma posição marcada em cerca de 0,20% do PL

  • Outra em torno de 0,26% do PL

Na prática, o impacto dessas operações já está amplamente refletido no valor patrimonial atual. No entanto, não há geração de caixa recorrente proveniente desses ativos, o que exige monitoramento contínuo.

Fora esse evento específico, a carteira apresenta baixo nível de concentração, com destaque positivo para a operação Riza Viseu, atualmente o maior ativo individual do fundo, responsável por cerca de 7,2% do patrimônio e que contribuiu para a recente valorização patrimonial.

Reservas, caixa e sustentabilidade das distribuições

O fundo mantém nível de caixa entre 2,5% e 3% do patrimônio, suficiente para obrigações de curto prazo. As reservas acumuladas funcionam como um amortecedor relevante, permitindo suavizar os dividendos em meses de menor resultado em regime de competência.

No entanto, a sustentabilidade do patamar atual de rendimentos está diretamente ligada ao cenário macroeconômico. Uma queda mais intensa do CDI no médio prazo tende a reduzir o carrego da carteira e, consequentemente, pressionar as distribuições futuras.

Avaliação risco-retorno em 2026

O RZAK11 segue como um fundo de alto rendimento, mas que exige perfil de investidor tolerante a riscos de crédito. O prêmio pago ao cotista é elevado, porém diretamente associado a:

  • Exposição a CRIs estruturados

  • Uso de alavancagem

  • Histórico recente de eventos de inadimplência

Com juros ainda elevados, inflação resiliente e reservas robustas, o fundo inicia 2026 em uma posição mais estável do que no passado recente, embora continue exigindo acompanhamento constante.

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Suzana Mello

    Suzana Mello integra a equipe de conteúdo da A Revista. Acompanha economia, finanças pessoais, quanto rende e temas que afetam o orçamento do leitor. Produz textos em linguagem acessível, identifica fontes e períodos de referência e diferencia dados confirmados de estimativas.

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