O dólar voltou a chamar atenção do mercado financeiro nesta terça-feira ao encerrar o dia cotado a R$ 4,91, atingindo o menor nível em mais de dois anos. A forte queda da moeda norte-americana movimentou investidores, empresas e consumidores, especialmente aqueles que acompanham viagens internacionais, importações e o impacto do câmbio na inflação brasileira.
Durante participação em programa da Jovem Pan News, o economista Alan Ghani analisou os principais fatores por trás da desvalorização do dólar frente ao real e explicou por que o movimento pode continuar nas próximas semanas.
Segundo o especialista, a queda não acontece apenas em relação ao Brasil. O dólar vem perdendo força globalmente diante de outras moedas fortes, como euro, libra esterlina e iene japonês.
Esse movimento internacional é acompanhado pelo índice DXY, indicador que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de moedas globais. De acordo com Ghani, a desconfiança em relação à economia dos Estados Unidos, somada às tensões geopolíticas e aos impactos do chamado “tarifaço” internacional, contribuiu para o enfraquecimento do dólar.
“O dólar tem perdido bastante valor perante outras moedas fortes. Isso mostra um enfraquecimento e também uma desconfiança em relação aos Estados Unidos”, afirmou o economista.
Exportação de petróleo fortalece entrada de dólares no Brasil
Outro ponto destacado por Alan Ghani foi o crescimento das exportações brasileiras de petróleo. O Brasil vem ampliando sua relevância no mercado global de energia, especialmente com o aumento da produção no pré-sal.
Como o petróleo é negociado internacionalmente em dólar, a entrada elevada da moeda americana no país acaba aumentando a oferta de dólares no mercado brasileiro. Quando há excesso de oferta da moeda, a tendência natural é de queda na cotação.
Nos últimos meses, o petróleo ganhou ainda mais importância na balança comercial brasileira, ajudando o país a manter fluxo cambial positivo mesmo em meio às incertezas internacionais.
Além do petróleo, o agronegócio brasileiro também continua forte nas exportações, ampliando ainda mais a entrada de dólares na economia nacional.
Juros elevados continuam atraindo capital estrangeiro
A taxa básica de juros também aparece como um dos principais motores da valorização do real. Mesmo com o recente corte da Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, o Brasil ainda mantém uma das maiores taxas de juros reais do mundo.
Esse diferencial continua atraindo investidores estrangeiros em busca de rentabilidade elevada em títulos públicos e aplicações brasileiras.
Na prática, investidores internacionais convertem dólares em reais para aproveitar os juros altos no Brasil, aumentando ainda mais a circulação da moeda americana no país e pressionando sua cotação para baixo.
Mercado vê continuidade da queda do dólar
Na avaliação de Alan Ghani, não existem neste momento fatores estruturais fortes capazes de provocar uma disparada imediata do dólar.
Segundo ele, apenas um agravamento severo dos conflitos no Oriente Médio ou uma deterioração fiscal muito intensa poderiam interromper a tendência atual de queda.
“Eu vejo uma tendência de continuação dessa queda do dólar porque não existe hoje nenhum fator estrutural relevante que leve a moeda a subir novamente”, explicou.
O economista destacou ainda que parte dos riscos fiscais brasileiros já estaria “precificada” pelo mercado financeiro, reduzindo impactos adicionais negativos sobre o câmbio.
Cenário político também influencia investidores
Outro fator citado pelo analista envolve as expectativas políticas para as eleições presidenciais de 2026. Segundo Ghani, pesquisas eleitorais que apontam crescimento de nomes ligados à oposição acabam sendo interpretadas pelo mercado como possibilidade de futuras reformas fiscais.
Esse ambiente aumenta o otimismo de investidores em relação às contas públicas brasileiras, fortalecendo o real perante o dólar.
Apesar disso, analistas reforçam que o mercado cambial continua altamente sensível a fatores externos, principalmente decisões de juros nos Estados Unidos, guerras internacionais e mudanças econômicas globais.
Queda do dólar pode aliviar inflação e viagens internacionais
A baixa da moeda americana também pode trazer efeitos positivos para consumidores brasileiros.
Com o dólar mais barato, produtos importados tendem a sofrer menor pressão de preços, ajudando no controle da inflação. Setores como combustíveis, eletrônicos, medicamentos e itens industrializados costumam ser impactados diretamente pelo câmbio.
Além disso, viagens internacionais ficam relativamente mais acessíveis para brasileiros, já que gastos com passagens, hospedagens e compras no exterior dependem diretamente da cotação do dólar.
Especialistas alertam, porém, que oscilações cambiais continuam comuns e que o cenário pode mudar rapidamente dependendo do ambiente econômico global.
O que pode acontecer com o dólar nos próximos meses?
Parte do mercado financeiro já começa a discutir a possibilidade de o dólar operar abaixo de R$ 4,90 caso o cenário atual continue favorável ao Brasil.
Entre os fatores monitorados estão:
- Continuidade das exportações elevadas de petróleo e commodities;
- Manutenção dos juros brasileiros em patamar elevado;
- Possíveis cortes de juros nos Estados Unidos;
- Fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes;
- Cenário político e fiscal brasileiro.
Ainda assim, economistas destacam que o câmbio é um dos ativos mais voláteis do mercado financeiro e pode reagir rapidamente a notícias internacionais.
Cotação do dólar: comparação recente
| Período | Cotação aproximada do dólar |
| Pico recente em 2025 | Acima de R$ 5,70 |
| Início de 2026 | Cerca de R$ 5,20 |
| Fechamento desta terça | R$ 4,91 |
| Menor nível em mais de 2 anos | Atual patamar |
Principais fatores que derrubaram o dólar
| Fator | Impacto no câmbio |
| Exportação forte de petróleo | Aumenta entrada de dólares |
| Juros elevados no Brasil | Atrai capital estrangeiro |
| Enfraquecimento global do dólar | Pressiona moeda americana |
| Expectativas políticas | Melhora percepção do mercado |
| Fluxo positivo de exportações | Fortalece o real |
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