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Início » Últimas Notícias » Inflação de 4,5% e juros só em março: o que muda no Brasil em 2026
Economia

Inflação de 4,5% e juros só em março: o que muda no Brasil em 2026

Relatório projeta IPCA acima da meta, corte de juros mais cauteloso e alerta para riscos fiscais, câmbio e ano eleitoral
André CarvalhoPor André Carvalho9 de janeiro de 20263 minutos lidos
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As projeções mais recentes para a economia brasileira apontam IPCA de 4,5% em 2026, acima do centro da meta, e início do ciclo de queda dos juros apenas em março. O desenho do cenário reflete cautela: apesar de existir espaço técnico para reduzir a taxa básica, a combinação de inflação persistente, atividade resiliente e incertezas fiscais limita movimentos mais rápidos.

Por que o corte de juros foi adiado

A inflação projetada cria margem para flexibilização monetária, mas não autoriza pressa. Indicadores de atividade não desaceleraram como esperado, a inflação de serviços segue elevada e a inflação subjacente ainda mostra resistência.
Com isso, o início dos cortes, antes cogitado para janeiro, foi postergado para março, com expectativa de reduções graduais e dependentes dos dados.

O que explica a reaceleração da inflação em 2026

A leitura para 2026 parte do diagnóstico de que os fatores que ajudaram a desinflar 2025 não devem se repetir:

1) Alimentos deixam de ajudar
O arrefecimento de preços em 2025 foi impulsionado por safras robustas e quedas inesperadas em proteínas. Para 2026, o cenário muda:

  • Menor contribuição do clima favorável

  • Preços já muito baixos em itens relevantes (arroz, feijão, leite)

  • Pouco espaço para novas quedas expressivas
    Resultado: alimentos voltam a pressionar o IPCA.

2) Câmbio perde o efeito benigno
A estabilidade cambial anterior reduziu repasses aos bens industriais e importados. Em 2026, esse impulso se esgota: com o dólar próximo aos níveis atuais, não há novo ganho desinflacionário via câmbio. Só uma apreciação adicional teria impacto relevante.

3) Serviços permanecem elevados
Serviços carregam inércia inflacionária e refletem reajustes passados. Aluguéis, restaurantes e serviços intensivos em mão de obra continuam pressionados por salários ainda em alta e mercado de trabalho apertado. A expectativa é de serviços ao redor de 6%, muito acima da meta.

Ano eleitoral amplia a volatilidade

Com eleições no radar, o câmbio se torna o principal vetor de risco para a inflação:

  • Cenário benigno: ambiente político favorável e entrada de capital podem levar o dólar a níveis mais baixos, aproximando a inflação de 3,8%.

  • Cenário adverso: aumento do prêmio de risco pode empurrar o dólar para patamares mais altos, elevando o IPCA para acima de 5%.

Além disso, medidas pontuais de caráter eleitoral (desonerações, mudanças tributárias, subsídios) podem alterar rapidamente o comportamento dos preços.

Fatores externos no radar

Choques internacionais também podem surpreender ao longo do ano, como:

  • Oscilações no preço do petróleo

  • Mudanças no comércio internacional de alimentos

  • Eventos climáticos extremos
    Esses fatores afetam câmbio e preços domésticos, mudando o cenário em poucos meses.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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