A semana começou com tentativa de recuperação nos mercados globais depois da sexta-feira (10) marcada por forte aversão a risco. Naquele dia, o dólar rompeu R$ 5,50 e bateu R$ 5,53, os juros longos abriram e a Bolsa local sofreu com saída de estrangeiros, enquanto o ouro ampliou rali e o petróleo WTI testou a faixa de US$ 60. O pano de fundo combina ruído no crédito privado — tanto no Brasil (casos envolvendo nomes como Ambipar, Braskem e discussões sobre emissões corporativas) quanto nos EUA (queda acentuada de ETFs de crédito e all-in high grade/high yield) — e temores fiscais domésticos em ano de incerteza eleitoral.
Nesta segunda (13.out.2025), futuros em Nova York amanheceram em alta, sugerindo respiro técnico após perdas fortes da última sessão, enquanto Europa operou no campo positivo. Ainda assim, a leitura prevalente é de cautela: o DXY segue firme, commodities metálicas sustentam ganhos (cobre, platina, paládio) e commodities agrícolas (soja, trigo) ajudam o cenário de desinflação global.
Brasil: câmbio, juros e fiscal no centro
Câmbio: o salto do real na sexta refletiu desmontagem parcial de posições “carry” (estrangeiro vendido em dólar, aplicado no juro local). A magnitude do movimento — do patamar de R$ 5,30 para R$ 5,53 — machucou o carry trade e pode reduzir a velocidade de recomposição dessa aposta nas próximas semanas.
Juros: enquanto a perna longa da curva sentiu risco fiscal e prêmio global, a perna curta mostrou resiliência, com o mercado voltando a precificar a possibilidade de corte da Selic entre dezembro/janeiro, caso inflação siga comportada e crédito mostre sinais adicionais de estresse.
Fiscal: segue como “calcanhar de Aquiles” dos ativos locais. Com dólar forte globalmente e probabilidade eleitoral ainda em debate, investidores cobram prêmio maior para risco Brasil.
Inflação e atividade: janela para cortes?
O IPCA recente veio “com cara melhor”, e a queda do petróleo abre espaço para redução da gasolina, o que reforçaria a trajetória de inflação abaixo de 4,5% em 2025. Na agenda desta semana, o IBC-Br deve marcar quarta queda consecutiva, acompanhado por Vendas no Varejo e Serviços — todos importantes para calibrar a leitura de desaceleração da atividade.
Globais: crédito no radar, temporada de balanços e IA
Crédito nos EUA: ETFs e índices de crédito privado sofreram na sexta, ampliando spreads e acendendo sinal de atenção. Em episódios assim, o contágio costuma ser silencioso, mas pode ganhar tração se balanços e guidance revelarem aperto de funding.
Temporada de balanços: bancos americanos inauguram a safra nesta semana; mais adiante, TSMC e big techs ligadas à IA serão termômetro crucial. Parte relevante do crescimento do PIB americano no 1º semestre veio de CAPEX em data centers/IA, um motor que sustenta lucros, mas gera pouco emprego direto, complicando a leitura do Fed sobre atividade x inflação.
Commodities: ouro segue como o grande hedge de 2025, impulsionado por busca de diversificação frente a déficits fiscais crônicos e dolarização de carteiras; minério de ferro sustenta canal de alta, favorecendo teses ligadas a Vale; petróleo fraco reflete excesso de oferta e sinais de demanda mais branda da China.
O que acompanhar (13–18.out)
Brasil: IBC-Br (qui), Vendas no Varejo e Serviços; falas do BCB; eventuais ajustes de combustíveis.
EUA: falas de dirigentes do Fed; CPI (dependendo de calendário final), abertura da temporada de balanços; comportamento dos spreads de crédito.
China: dados de comércio sugerindo retomada exportadora; implicações para minério e ciclos ligados.
Leituras de mercado
Dólar/Real: tendência de alta de curto prazo enquanto acima de R$ 5,40–5,47; realização pode ocorrer, mas sem melhora do risco fiscal e com DXY forte, pressões persistem.
Juros BR: curto reage à inflação melhor e crédito mais frágil; longo sensível a fiscal e prêmio global.
Bolsa BR: depende de fluxo estrangeiro (que reverteu em outubro) e do noticiário fiscal; setores pró-ciclo sofrem mais com dólar forte e prêmio de risco; mineradoras ajudam a segurar o índice com minério resiliente.
Ouro: continua beneficiário de diversificação e queda de juros reais globais; rali do ano supera 50%.
Petróleo: fraqueza estrutural de curto/médio prazo por oferta elevada; alívio desinflacionário, porém risco para receitas fiscais atreladas ao setor.
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