O analista Alexandre Bonatto, do canal Fragmentos29 Investimentos, acredita que as ações da Azul (AZUL4) podem alcançar até R$10 caso dois fatores cruciais ocorram: queda do dólar e redução dos juros. Apesar do otimismo moderado, ele alerta que o processo de recuperação judicial pode se estender até 2026, dependendo do cenário político e econômico do Brasil.
Situação atual e riscos no horizonte
A Azul já avançou em acordos com credores e realizou uma diluição parcial dos acionistas, etapa importante no plano de reestruturação. Entretanto, ainda há risco de falência, segundo Bonatto, embora ele acredite que o desfecho mais provável seja positivo.
Um dos grandes entraves para o avanço da empresa é o ambiente de juros altos e dólar valorizado. Para Bonatto, a recuperação só será sustentável se o dólar recuar abaixo de R$5 e a taxa Selic cair para algo em torno de 12%.
“Só o movimento de expectativa de queda já seria suficiente para impulsionar as ações para R$5, e no cenário mais otimista, R$10”, explica o analista.
Possível valorização e projeções otimistas
Segundo seus cálculos baseados em simulações com inteligência artificial, há 15% a 30% de probabilidade de as ações dobrarem de preço nos próximos meses, podendo até atingir R$15 ou R$20 no longo prazo — caso a empresa saia definitivamente da recuperação judicial e o ambiente macroeconômico se estabilize.
Ele compara a oportunidade à de “um Bitcoin da bolsa brasileira”: alto risco, mas também alto potencial de retorno. Bonatto observa que investir agora é uma aposta especulativa, porém atrativa para quem busca valorizar posições pequenas.
Fusão com a Gol e cenário político incerto
Apesar de rumores sobre uma fusão entre Azul e Gol, Bonatto afirma não acreditar na união das duas companhias. Segundo ele, a Gol tem estrutura financeira mais frágil e a fusão poderia gerar “um gigante desorganizado”, comparável a casos empresariais em que a união não trouxe o resultado esperado.
O analista também destaca a instabilidade política pré-eleitoral como um fator que pode adiar a recuperação. Ele prevê um cenário mais definido apenas após 2026, quando o país deve atravessar o ciclo eleitoral e estabilizar a economia.
Perspectiva final
Mesmo com volatilidade e risco elevado, Bonatto considera que o pior momento da Azul pode já ter passado. As ações, que hoje rondam R$1,00, “estão tão pressionadas que podem reagir fortemente ao menor sinal de melhora no mercado”.
“Quando o juro cair e o dólar recuar, a mola da Azul pode finalmente começar a subir”, conclui o analista.
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