As chamadas “tarifas recíprocas” impostas por Donald Trump foram derrubadas pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos, provocando uma nova reconfiguração no comércio global. No lugar das taxas anteriores que chegaram a incluir adicional de 40% sobre alguns países foi fixada uma tarifa geral de 15%.
O Brasil, que vinha sendo penalizado com uma média tarifária superior à de outros países, passa agora a ter uma posição relativamente melhor. A leitura inicial do mercado é de que a mudança é marginalmente positiva para o Brasil, embora o ambiente continue altamente instável.
Produtos que seguem com tarifas elevadas
Nem todos os setores foram beneficiados:
- Aço e alumínio: tarifas próximas de 50%
- Peças metálicas e cobre: ainda sob forte tributação
- Madeira: cerca de 10%
- Demais produtos: tarifa geral de 15%
A grande questão não é apenas o percentual isolado, mas a comparação com concorrentes globais. Se todos pagam 15%, países com custo de produção mais competitivo, como o Brasil em açúcar e commodities agrícolas, tendem a sair relativamente favorecidos.
Açúcar brasileiro pode ganhar competitividade
Um exemplo citado pelo mercado é o setor sucroenergético. O açúcar brasileiro não estava entre as principais exceções tarifárias anteriores e, com a equalização das tarifas, o Brasil pode ganhar competitividade frente a outros exportadores.
Empresas do setor podem se beneficiar indiretamente dessa mudança, ainda que o cenário permaneça incerto. O próprio Trump já sinalizou que pode buscar novas bases legais para impor tarifas, bloquear transações ou restringir licenças comerciais.
Mercado reage com volatilidade
No momento da repercussão:
- S&P 500 recuava cerca de 0,5%
- Ibovespa caía próximo de 0,6%
A volatilidade deve continuar nos próximos dias, principalmente se houver novos anúncios ou revisões nas tarifas. A expectativa inicial é que essa estrutura de 15% tenha duração estimada de até 150 dias prazo suficiente para novas reviravoltas.
Irani (RANI3) reage após recuperação operacional e confirma dividendos
A Irani apresentou resultados mistos no quarto trimestre, mas com sinais claros de recuperação operacional.
EBITDA sobe no ano, mas lucro contábil cai
- EBITDA: +10,9% na comparação anual
- Lucro líquido contábil: queda superior a 79% devido a efeitos não recorrentes
- Lucro recorrente ajustado: alta de 57% no ano
A queda no lucro contábil ocorreu principalmente por conta de eventos não recorrentes no exercício anterior. Quando desconsiderados ativos biológicos e efeitos extraordinários, a leitura é positiva.
A virada veio dos custos
O principal desafio da companhia em 2024 foi a escalada do preço das aparas (matéria-prima essencial). A empresa não é totalmente verticalizada e sofreu com essa pressão.
Em 2025, o cenário mudou:
- Estabilização dos preços das aparas
- Aumento de 17,5% nos preços de embalagens sustentáveis
- Alta de 10,9% no preço do papel ondulado
- Crescimento de volume em algumas linhas
Esse movimento ampliou margens e sustentou a recuperação das ações.
Dividendos confirmados
A Irani confirmou:
- Dividendos mínimos de R$ 0,045 por ação
- Possibilidade adicional de cerca de R$ 0,26 por ação em assembleia de abril de 2026
Total estimado: até R$ 0,30 por ação, o que representa dividend yield relevante considerando a cotação recente.
Cosan (CSAN3) avalia IPO da Compass e mercado reage positivamente
A Cosan comunicou ao mercado que estuda a possibilidade de realizar o IPO da Compass, sua subsidiária de distribuição de gás.
IPO pode ajudar na reorganização do grupo
A Compass é considerada uma das melhores empresas do grupo, com atuação sólida em:
- Distribuição de gás
- Expansão da marca de serviços
- Receita recorrente e previsível
A abertura de capital pode ajudar o grupo a:
- Reduzir alavancagem
- Reforçar caixa
- Apoiar eventual reestruturação da Raízen
Desafio: timing eleitoral e cenário volátil
Apesar da recuperação recente da bolsa brasileira e entrada de capital estrangeiro, o mercado enfrenta:
- Proximidade das eleições
- Incertezas globais
- Volatilidade externa ligada às tarifas
Analistas destacam que o preço será determinante. Tentativas anteriores de IPO da Compass fracassaram por precificação considerada agressiva.
Mercado aprova o movimento
Mesmo em um dia de queda do Ibovespa:
- Cosan subiu cerca de 1%
- Raízen avançou mais de 3%
O movimento indica leitura positiva do mercado quanto à possível reorganização societária.
As tarifas de Trump continuam sendo fator de instabilidade global, mas a nova taxa de 15% melhora a posição relativa do Brasil. No cenário corporativo, Irani mostra recuperação operacional consistente e confirma dividendos, enquanto a Cosan tenta aproveitar o momento para estruturar um IPO estratégico da Compass.
O mercado segue atento. A combinação entre política internacional, cenário eleitoral brasileiro e movimentos societários pode gerar forte volatilidade nas próximas semanas e oportunidades para investidores atentos.
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