O setor bancário brasileiro atravessa um momento de maior pressão na Bolsa. A combinação entre inadimplência elevada, juros altos, aumento das recuperações judiciais e cortes nas projeções de lucro trouxe novas dúvidas sobre o desempenho das principais ações financeiras.
O Banco do Brasil está no centro das preocupações. Depois de sucessivas reduções nas estimativas, analistas passaram a trabalhar com um lucro próximo de R$ 17 bilhões a R$ 19 bilhões para 2026, abaixo das projeções mais otimistas divulgadas anteriormente.
A revisão levanta uma pergunta importante para o investidor: a cotação de BBAS3 ainda pode cair?
Banco do Brasil pode cair mais?
A principal pressão sobre o Banco do Brasil vem da carteira de crédito ligada ao agronegócio. O aumento da inadimplência rural e dos pedidos de recuperação judicial exige provisões maiores para cobrir possíveis perdas.
Quanto maior a provisão, menor tende a ser o lucro disponível para distribuição aos acionistas. O banco também reduziu o percentual de pagamento de dividendos para aproximadamente 30% do resultado, ante um patamar anterior de 45%.
Uma simulação baseada nos dividendos esperados mostra que o preço considerado justo para BBAS3 varia bastante conforme o lucro entregue pelo banco.
| Lucro estimado | Dividendo por ação | Valor justo estimado |
|---|---|---|
| R$ 22 bilhões | R$ 1,15 | R$ 19,00 |
| R$ 19 bilhões | R$ 0,99 | R$ 16,58 |
| R$ 17 bilhões | R$ 0,89 | R$ 14,88 |
O cenário intermediário aponta um valor próximo de R$ 16,58 por ação. Isso indica que BBAS3 pode continuar enfrentando volatilidade caso o mercado passe a considerar um lucro inferior a R$ 19 bilhões como o cenário mais provável.
Os cálculos representam apenas uma estimativa e não garantem que a ação chegará a esses preços.
Bradesco está barato?
O Bradesco também caiu nas últimas semanas, mas apresenta uma situação operacional diferente. O banco vem mostrando recuperação gradual dos resultados, redução de despesas e melhora da rentabilidade.
Com lucro projetado próximo de R$ 26 bilhões, as ações do Bradesco negociam perto de seis vezes o lucro esperado. Esse múltiplo coloca o banco entre os mais baratos do setor.
A diferença é que o Bradesco apresenta sinais mais consistentes de recuperação, enquanto o Banco do Brasil ainda enfrenta incertezas relevantes na carteira rural.
Isso não significa que BBDC3 ou BBDC4 estejam livres de novas quedas. Uma piora da economia, aumento da inadimplência ou revisão negativa dos lucros também poderia pressionar as ações.
Itaú continua como banco mais defensivo
O Itaú permanece como a principal preferência entre os grandes bancos para parte dos analistas. A instituição apresenta rentabilidade elevada, carteira de crédito diversificada e maior previsibilidade nos resultados.
Por outro lado, essa qualidade já aparece na cotação. O Itaú negocia com múltiplos superiores aos do Bradesco, Banco do Brasil e Santander.
Dessa maneira, ITUB4 oferece mais estabilidade operacional, mas pode apresentar um potencial de valorização menor caso os concorrentes consigam acelerar sua recuperação.
Santander enfrenta corte no lucro
O Santander também sofreu redução nas projeções. A expectativa de lucro para 2026 caiu para aproximadamente R$ 15,63 bilhões, enquanto a estimativa para 2027 recuou para R$ 17,27 bilhões.
Apesar da melhora observada nos últimos resultados, o banco ainda enfrenta pressão sobre receitas e qualidade do crédito. As ações negociam a aproximadamente 6,3 vezes o lucro esperado, múltiplo próximo ao de Banco do Brasil e Bradesco.
A diferença está na capacidade de cada instituição para controlar a inadimplência e sustentar a rentabilidade durante os próximos trimestres.
Nubank acende novo sinal de alerta
A cautela não está restrita aos bancos tradicionais. O Nubank também recebeu rebaixamentos após analistas demonstrarem preocupação com sua elevada exposição ao crédito sem garantia.
Grande parte da carteira está concentrada em cartões de crédito e empréstimos pessoais. Esses produtos oferecem rentabilidade elevada em períodos favoráveis, mas podem gerar perdas maiores quando a inadimplência aumenta.
As ações do Nubank já registraram uma forte correção, refletindo o receio de que o crescimento das provisões limite os lucros futuros.
Qual banco está mais barato?
Considerando apenas o preço sobre o lucro projetado, Bradesco, Banco do Brasil e Santander aparecem próximos.
| Banco | P/L projetado aproximado | Cenário |
| Bradesco | 6,0 vezes | Recuperação dos resultados |
| Banco do Brasil | 6,2 vezes | Pressão no crédito rural |
| Santander | 6,3 vezes | Lucro e rentabilidade pressionados |
| Itaú | 8,6 vezes | Maior qualidade e previsibilidade |
O Bradesco pode parecer mais barato por combinar múltiplo reduzido com recuperação operacional. Já o Banco do Brasil apresenta potencial de valorização, mas carrega riscos maiores relacionados ao agronegócio e aos dividendos.
O investidor deverá acompanhar as provisões, a inadimplência e as próximas revisões de lucro. O setor bancário continua lucrativo, mas o preço baixo, sozinho, não garante que uma ação tenha chegado ao fundo.
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