As ações ordinárias do Bradesco voltaram à faixa dos R$ 15, patamar considerado atrativo por investidores que acompanham a recuperação do banco. O papel perdeu parte da valorização recente e voltou a negociar próximo dos preços observados antes da entrada mais intensa de capital estrangeiro na Bolsa.
A tese de investimento está apoiada principalmente na melhora operacional do Bradesco após os resultados fracos de 2022 e 2023. O banco recuperou o lucro, elevou a rentabilidade e avançou no controle das perdas com crédito. Apesar disso, o retorno sobre o patrimônio ainda permanece abaixo dos níveis apresentados por concorrentes mais eficientes, o que ajuda a explicar o desconto das ações.
Lucro melhora, mas rentabilidade ainda precisa avançar
Segundo os dados apresentados na análise, o primeiro trimestre de 2026 mostrou crescimento do lucro tanto na comparação anual quanto trimestral. A rentabilidade teria avançado 1,4 ponto percentual em 12 meses e 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.
A recuperação é relevante porque o Bradesco enfrentou forte aumento da inadimplência e das provisões nos últimos anos. Agora, o banco tenta concluir esse processo com maior disciplina na concessão de crédito e melhor controle de despesas.
A carteira de crédito supera R$ 1 trilhão e está dividida entre pessoas físicas e empresas. A participação elevada do varejo oferece spreads maiores, mas também expõe o banco a um risco superior de inadimplência.
O indicador teria subido levemente de 4,10% para 4,19%. A variação não representa, por enquanto, uma deterioração significativa, mas deverá continuar no radar nos próximos balanços.
BBDC3 negocia com múltiplos baixos
Na cotação de referência de R$ 15,16, BBDC3 apresentava preço sobre lucro de aproximadamente 6,9 vezes e desconto de cerca de 11% em relação ao valor patrimonial.
Considerando uma projeção de lucro anual próxima de R$ 28 bilhões, o múltiplo prospectivo poderia cair para 5,7 vezes. A estimativa reforça a percepção de desconto, mas depende da continuidade do crescimento dos resultados.
| Indicador | Estimativa |
| Cotação de referência | R$ 15,16 |
| Preço sobre lucro histórico | 6,9 vezes |
| Preço sobre lucro projetado | 5,7 vezes |
| Lucro anual estimado | R$ 28 bilhões |
| Payout projetado | 55% |
| Provento líquido estimado | R$ 1,20 por ação |
| Retorno com proventos | 7,5% a 8% |
Dividendos mensais não sustentam a tese sozinhos
O Bradesco realiza pagamentos mensais de juros sobre capital próprio, mas esses valores são pequenos e representam aproximadamente 1% ao ano, segundo a simulação apresentada.
Por isso, o investidor não deve comprar BBDC3 apenas pensando nos depósitos mensais. O principal potencial de renda está nos pagamentos maiores, normalmente anunciados de forma intermediária ou complementar.
Na projeção utilizada, um lucro de R$ 28 bilhões e payout de 55% poderiam resultar em cerca de R$ 1,20 líquido por ação, equivalente a retorno anual entre 7,5% e 8% na faixa atual de preços.
Os pagamentos maiores também costumam ocorrer em janeiro, abril, julho e outubro, meses frequentemente mais fracos para o recebimento de dividendos de outras empresas da Bolsa.
Preço-teto estimado em R$ 18
O cálculo apresentado utiliza três referências: um preço de R$ 20 baseado em retorno de 6%, valor justo de R$ 18 pelo modelo de fluxo de caixa e R$ 16 para um retorno equivalente a IPCA mais 9%.
A média desses valores resulta em preço-teto de R$ 18. Após a aplicação de uma margem de erro de 15%, o preço de entrada cairia para aproximadamente R$ 15,30.
Como BBDC3 estava próxima de R$ 15,16, a ação teria retornado à faixa considerada interessante pelo autor da análise.
| Método | Valor |
| Retorno de 6% | R$ 20,00 |
| Valor justo estimado | R$ 18,00 |
| IPCA mais 9% | R$ 16,00 |
| Preço-teto médio | R$ 18,00 |
| Preço de entrada com margem | R$ 15,30 |
BBDC3 vale a pena nos preços atuais?
BBDC3 pode representar uma oportunidade para quem acredita na recuperação definitiva do Bradesco. O desconto sobre o patrimônio, os múltiplos reduzidos e a possibilidade de crescimento dos dividendos fortalecem a tese.
O principal risco está na execução. O banco ainda precisa aumentar a rentabilidade, controlar a inadimplência e demonstrar que o avanço do lucro pode ser sustentado nos próximos trimestres.
Na faixa dos R$ 15, a relação entre risco e retorno se torna mais interessante, mas a ação continua dependente da melhora operacional e do cenário econômico.
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