O Santander divulgou seus resultados mais recentes e surpreendeu positivamente o mercado ao apresentar um lucro gerencial de aproximadamente R$ 4 bilhões, registrando um crescimento de 9,4% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio (ROE) também avançou, alcançando 17,5%, reforçando o movimento de recuperação gradual que o banco vem construindo após períodos de forte pressão no crédito.
A instituição, que foi uma das mais afetadas pela crise envolvendo a Americanas e pelo aumento da inadimplência após a pandemia, passa agora por um processo consistente de reorganização operacional, redução de custos, digitalização e readequação da carteira de crédito.
Avanço da digitalização e redução de despesas operacionais
Um dos pontos de destaque do balanço foi o avanço significativo no processo de digitalização da base de clientes. O Santander encerrou o período com 72,8 milhões de clientes, alta de 7% em 12 meses. Desse total, 33,7 milhões são clientes ativos, também em expansão.
O uso do aplicativo cresce rapidamente: mais de 2,3 milhões de clientes já utilizam o app de forma contínua, impulsionando o processo de automação, fechamento de agências físicas e ganhos de eficiência. Mesmo com esse movimento, o índice de eficiência apresentou leve piora, subindo para 37,5%, impactado principalmente pelos resultados de mercado.
As despesas administrativas, por outro lado, ficaram abaixo da inflação, indicando que o banco continua mantendo forte disciplina de custos um diferencial importante em um cenário de juros elevados e competição intensa com fintechs.
Crescimento em pequenas e médias empresas e no crédito ao consumidor
O segmento de pequenas e médias empresas se destacou: a receita do setor cresceu e o número de clientes ativos avançou 6%. Já na área de financiamento ao consumo, a carteira cresceu 13%, impulsionada especialmente pelo cartão de crédito, que também elevou a receita com comissões em 14,4%.
O mercado de consórcios apresentou ainda mais força, com expansão de 21,6%, mostrando a capacidade do banco de diversificar receitas em meio ao aumento do custo de crédito.
A carteira total atingiu R$ 688,8 bilhões, com crescimento de 3,8% na comparação anual.
Inadimplência preocupa e segue como ponto de atenção
Apesar do avanço nos lucros, o aumento da inadimplência acima de 90 dias chama atenção. Entre pessoas físicas, o índice passou de 4,0% para 4,2%; na carteira total, de 3,1% para 3,4%. Já para empresas, a inadimplência subiu de 1,8% para 2,1%.
Esse movimento reflete o cenário macroeconômico brasileiro, em que 73% das famílias estão endividadas e convivem com juros elevados. Essa pressão pode limitar o ritmo de expansão do crédito e exige cautela na avaliação de risco das carteiras nos próximos trimestres.
Comparação entre bancos: Santander segue descontado
Na comparação com seus principais concorrentes:
| Banco | P/L (Preço/Lucro) | P/VP (Preço/Valor Patrimonial) | ROE (%) |
| Itaú | Alto (prêmio de mercado) | >2,0x | ~20,5 |
| Bradesco | 7,9x | 0,96x | ~12 |
| Santander | 9,2x | 0,90x | ~17,5 |
| Banco do Brasil | 7,6x | 0,67x | em desaceleração |
O Santander aparece como um dos bancos mais descontados entre os que estão em processo de recuperação e melhora operacional o que pode atrair investidores de médio a longo prazo.
Dividendos: expectativa moderada no curto prazo
O banco vem pagando dividendos regularmente, mas o dividend yield atual está em torno de 6% a 7% ao ano. O potencial de pagamento pode aumentar conforme a recuperação dos lucros se consolida e o payout volta aos níveis históricos.
O Santander apresentou um resultado sólido, com:
- Crescimento de lucro
- Aumento da rentabilidade
- Expansão da base digital
- Controle de despesas
- Maior diversificação de receitas
Por outro lado, a inadimplência elevada segue como o principal ponto de atenção, especialmente no crédito ao consumidor em um cenário de juros altos e endividamento doméstico recorde.
Para investidores, Santander e Bradesco surgem como opções de recuperação, enquanto o Itaú segue referência de qualidade e Banco do Brasil pode exigir visão de médio a longo prazo.
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